A Árvore de Wyrd, o Esquema Septenário, e a Aeonica Satânica

A Iniciação Sinistra ou Satânica é ilustrada por 7 “Graus”, associados aos 7 “planetas” da astrologia antiga (incluindo o Sol e a Lua), a 7 estrelas, a 7 Aeons (Idades), entre outras correspondências de igual interesse. Ao esquema das 7 esferas representadas por 7 estrelas e pelos 7 “planetas” chama-se a ÁRVORE DE WYRD (uma espécie de “Árvore da Vida” da Cabala, mas mais reduzida e equilibrada). Estas 7 esferas são ligadas por exactamente 21 Caminhos, que correspondem aos 21 “Deuses Obscuros” e aos 21 Atus/Arcanos do Tarot Sinistro (ver a última tabela neste mesmo capítulo).

Eis aqui os títulos dos 7 Graus, e as equivalências planetárias:

[o grau mais elevado é mostrado no topo]

7° (Saturno) = “Imortal”

6° (Júpiter) = “Grão-Mestre” / “Grã-Mestre”

5° (Marte) = “Mestre do Templo” / “Senhora da Terra”

4° (Sol) = “Adepto Interno”

3° (Vénus) = “Adepto Externo”

2° (Mercúrio) = “Iniciado”

1° (Lua) = “Neófito”

E eis aqui algumas das correspondências:

Grau Planeta Fórmula Estrela Símbolo Pedra
Saturno “CHAOS” Naos […] Diamante
Júpiter “AZOTH” Deneb Jogo Estelar Âmbar
Marte “AZIF” Rigel Septágono  Invertido Rubi
Sol “LUX” Mira Águia Ametista
Vénus “HRILIU” Antares Dragão Esmeralda
Mercúrio “LUCIFER” Arcturus Pentagrama Invertido Opala
Lua “NOX” Sirius Besta Cornuda Quartzo

Podemos reparar que estes 7 Graus ou Esferas do Caminho Septenário também

correspondem aos 7 estados de evolução (Aeons ou Idades) da Humanidade. As

datas são aproximadas:

7°= Aeon Cósmico = (…)

6°= Aeon Galáctico = 2500 d.C. – ?

5°= Aeon Ocidental = 1000 – 2500 d.C. (Europa do Norte – actual)

4°= Aeon Helénico = 1000 a.C. – 500 d.C. (Grécia / Delfos)

3°= Aeon Sumério = 3000 – 1500 a.C. (rio Tigre)

2°= Aeon Hiperboreano = 5000 – 3500 a.C. (Stonehenge)

1°= Aeon Primal (Pré-Hiperboreano) = 7000 – 5000 a.C. (Urais / Ásia)

Podemos também reparar que os 7 Graus também têm algumas equivalências com 7 etapas da Obra Alquímica que têm bastante significado na Iniciação Sinistra, como poderão ver:

7° (Saturno, CHAOS) = “Exaltação” –> Fim da Obra (obra-prima)

6° (Júpiter, AZOTH) = “Fermentação”

5° (Marte, AZIF) = “Sublimação” –> nascimento do “Eu Acausal”

—[ABISMO]—

4° (Sol, LUX) = “Putrefacção” –> aniquilação do “Eu Causal”

3° (Vénus, HRILIU) = “Coagulação”

2° (Mercúrio, LUCIFER) = “Separação”

1° (Lua, NOX) = “Calcinação” –> Início da Obra (matéria-prima)

Quanto à terminologia “causal” / “acausal” usada neste último esquema, eu explicála-ei no próximo capítulo (4).

Finalmente, aqui ficam as correspondências para as energias selvagens e caóticas (de natureza acausal) frequentemente chamadas “Deuses Obscuros” ou “Deuses da Escuridão”:

Arcano Deus Obscuro Esferas ligadas pelo Caminho correspondente
0 (“Physis” / “Natureza”) GA WATH AM Mercúrio-Sol
1 (“Mago”) BINAN ATH Mercúrio-Marte
2 (“Sacerdotiza”) MACTORON Vénus-Júpiter
3 (“Senhora da Terra”) DAVCINA Marte-Júpiter
4 (“Senhor da Terra”) KTHUNAE Sol-Marte
5 (“Mestre”) ATAZOTH Sol-Júpiter
6 (“Amantes”) KARU SAMSU Vénus-Sol
7 (“Azoth”) SHAITAN / SATANAS Lua-Sol
8 (“Mudança”) NEKALAH Mercúrio-Marte
9 (“Eremita”) SAUROCTONOS Marte-Saturno
10 (“Wyrd” / “Destino”) AZANIGIN Lua-Saturno**
11 (“Desejo”) LIDAGON Mercúrio-Júpiter**
12 (“Opfer” / “Sacrifício”) VINDEX Sol-Saturno
13 (“Morte”) NYTHRA Lua-Vénus
14 (“Hel”) AOSOTH Lua-Júpiter
15 (“Deofel” / “Deus Selvagem”) NOCTULIUS Lua-Mercúrio
16 (“Guerra”) ABATU Mercúrio-Saturno
17 (“Estrela”) NEMICU Vénus-Marte**
18 (“Lua”) SHUGARA Lua-Marte
19 (“Sol”) VELPECULA Vénus-Saturno
20 (“Aeon”) NAOS Júpiter-Saturno

(** – caminho oculto)

Se alguém quiser saber qual a disposição das 7 esferas na Árvore de Wyrd, aqui fica um paralelo com a “Otz Chiim” (Árvore da Vida) cabalística:

– SATURNO (Chaos): no lugar de Daath (em vez de Binah);

– JÚPITER (Azoth): no lugar de Chesed;

– MARTE (Azif): no lugar de Geburah;

– SOL (Lux): no lugar de Tiphereth;

– VÉNUS (Hriliu): no lugar de Netzach;

– MERCÚRIO (Lucifer): no lugar de Hod;

– LUA (Nox): no lugar de Yesod.

  • O Pilar Central (Nox – Lux – Chaos) é Neutro/Andrógino, embora inclua dois perfeitos opostos (Nox & Lux).
  • O Pilar da Esquerda (Lucifer – Azif) é Masculino e corresponde às duas facetas do Deus (causal e acausal, Lúcifer/Mercúrio e Satanás/Marte).
  • O Pilar da Direita (Hriliu – Azoth) é Feminino e corresponde às duas facetas da Deusa (causal e acausal, Gaia/Vénus e Baphomet/Júpiter).

Podemos ver que, desta forma, a Árvore de Wyrd é perfeitamente simétrica e TODAS as esferas estão unidas por um Caminho/Arcano, harmonia essa que não existe no esquema cabalístico.

As duas formas do Deus e da Deusa serão explicadas e aprofundadas no capítulo 5.

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Satanismo Tradicional, Nacional-Socialismo, e o Aeon Faustiano.
Alektryon Christophoros

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Nascer ou tornar-se satânico?

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Um dos argumentos usados a favor do Satanismo Moderno por Anton Szandor Lavey, o famoso criador da Igreja de Satanás já falecido, é que todas as crianças nascem satânicas. Isto é, usando os argumentos do próprio Lavey e de outros Satanistas contemporâneos, mal uma pessoa acaba de nascer *já* pertence à “elite satanista”. É impossível haver uma ideia mais disparatada que esta. Neste ponto eu irei mostrar-vos uma excelente resposta a esta questão, numa entrevista feita a Vilnius Thornian (um membro da ONA – Order of Nine Angles), que eu traduzi dada a excelente qualidade e lógica do seu conteúdo. Espero que gostem…

«5. Você concorda com a frase de Anton Lavey que os Satanistas nascem, não são feitos? Se não, porque não?

– Não. Eu considero uma frase dessas como um indicativo da falta de potencial inerente ao que alguns chamam “satanismo moderno”. Os Satânicos são com certeza feitos, e não nascidos. O Genuíno carácter Satânico é o resultado da experiência, de sujarmos as nossas mãos, lutando para atingirmos objectivos importantes, aprendendo através dos erros, tendo sucesso em grandes feitos, e perseguindo a Excelência absoluta em tudo o que fazemos. Aqueles que acreditam que simplesmente “nasceram satânicos” não entendem o que o verdadeiro Satanismo é – na realidade eles são dominados e consumidos pelos seus próprios egos e preguiça, e são a antítese do Satanismo. Esta é uma boa indicação daquilo em que o “satanismo americano” se tornou.

Em vez de consistir numa perseguição honrada da excelência e auto-aperfeiçoamento através de grandes lutas, o “satanismo americano” exibe largamente pretensiosismo e nunca escapa ao ego. Isto é o que nós podemos chamar de satanismo do “primeiro grau” – em que gratificação do ego, blasfémia, e por aí fora servem o grande propósito de purificação/catarse e auto-entendimento. No entanto, embora para um verdadeiro Satânico este primeiro grau seja breve, a Igreja de Satanás nunca lhe escapou, nunca mudou para o que é realmente importante. Nunca avançou para o próximo grau. O Satanismo Genuíno tem uma abrangência muito para além dos egos dos seus iniciados, e não seria muito errado presumir que pessoas que são consumidas pelo seu ego ainda mal começaram a revelar o que elas, em essência, realmente são. O único caso em que a frase mostrada acima (na pergunta) tem algum fundamento, é no facto de que todos nós nascemos com potencial. O Satanismo, em última análise, é o cumprimento deste potencial, mas não há ninguém que o cumpra por ti, e com certeza que ele não se cumpre por si próprio. Acreditares que tu simplesmente “nasceste” Satânico liberta-te de toda a responsabilidade de seres verdadeiramente um Satânico, e exibires um carácter Satânico. Isto não é o que muitas pessoas gostariam de ouvir. (…)»

Penso que esta brilhante resposta dispensa quaisquer comentários!

Satanismo Tradicional, Nacional-Socialismo, e o Aeon Faustiano.
Alektryon Christophoros

Satanismo Tradicional ou Moderno – Como diferenciar

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Muitas pessoas misturam indiscriminadamente textos sobre Satanismo Tradicional com textos sobre Satanismo Moderno, pensando que se tratam de coisas idênticas, com iguais ensinamentos e objetivos. Ora as coisas não são assim tão lineares. O Satanismo Moderno, ou Laveyano como é por vezes chamado, baseia-se na ideia de que todos os deuses e diabos publicitados pelas maiores religiões não passam de criações do homem, e que em última análise o único Deus e o único Diabo são o próprio Homem. O Satanismo Moderno aproxima-se portanto do Ateísmo ou do Humanismo, exaltando o Homem como um Ser natural que não se deve submeter à vontade de entidades exteriores a si, e que não ignora os seus instintos ou impulsos naturais: sejam eles de ordem sexual, física, emocional ou mental. No entanto, uma das características deste tipo de Satanismo que salta mais à vista é a elevação do “Eu” ao estatuto de Deus, mesmo quando por vezes a pessoa não passa de um escravo do seu orgulho e dos seus instintos animais. Assim, não é raro ouvir uma qualquer pessoa que se diz Satanista a auto-intitular-se Deus e Perfeito, mesmo quando nunca fez algo que pudesse provar a sua proclamada supremacia intelectual ou física.

Aqui reside uma grande diferença face ao Satanismo Tradicional. Enquanto no Satanismo Moderno o homem se auto-intitula Deus e “pertencente à elite satanista”, frequentemente sem o ter dado a demonstrar, no Satanismo Tradicional o Homem faz-se Deus pondo à prova a sua resistência física, a sua inteligência, a sua astúcia, e a sua força emocional. O Caminho Satânico Tradicional é portanto um caminho difícil e verdadeiramente Elitista, destinado aos Homens que conseguiram provar a sua Supremacia intelectual e física, e não a uma qualquer pessoa devorada pelo seu Ego inchado.

E depois há a seguinte questão: qual é o objectivo maior do Homem Satanista (Moderno), comparado com o maior objectivo do Homem Satânico (Tradicional)? Também aqui há diferenças, e grandes.

Enquanto o maior objectivo do Satanista é a satisfação do seu ego e dos seus desejos por vezes caprichosos ou arbitrários, o maior objectivo do Satânico situa-se muito além dos limites do seu ego. Aliás, um dos traços mais marcantes do Caminho Satânico (Tradicional, portanto) é precisamente a *anulação do Ego*, para que se possa trazer à Terra as forças sinistras e caóticas que se situam para além das noções causais de “bem” e “mal”, normalmente chamadas de Deuses Obscuros, que estão normalmente associadas a um dos 7 Aeons reconhecidos pela Tradição Sinistra Satânica. Eu irei falar mais detalhadamente sobre este assunto nos próximos capítulos.

Satanismo Tradicional, Nacional-Socialismo, e o Aeon Faustiano.
Alektryon Christophoros

Satanismo Tradicional, Nacional-Socialismo, e o Aeon Faustiano

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Texto originalmente colocado na Internet na lista de discussão NaszDom – ONA

Saudações a todos os membros do grupo:

Tomo a iniciativa de vos deixar aqui um texto/artigo que completei em fins de Setembro de 2004, chamado “Satanismo Tradicional, Nacional-Socialismo, e o Aeon Faustiano”. O texto funciona como um guia para quem iniciar os seus estudos, ou aprofundar alguns conhecimentos superficiais já obtidos, sobre a peculiar forma de Satanismo que é praticada na ordem britânica conhecida como O.N.A. – Order of Nine Angles (“Ordem dos Nove Ângulos”).

Tenho a certeza que o texto será chocante para algumas pessoas, enquanto outras o acharão informativo e útil, e outras ainda pensarão que eu estou a perder o meu tempo. De qualquer forma, para ser sincero –e desculpem-me os amigos leitores pela minha franqueza impiedosa– isso é algo que não me preocupa. Qualquer texto que revele os planos e estratégias ocultas de qualquer ordem será sempre amado ou odiado, e esse é um equilíbrio que por vezes se torna útil.

Devo também deixar claro que o texto foi escrito sob a óptica de um estudante, e não sob a óptica de um iniciado satânico. Eu não sou iniciado ou membro da ONA ou de qualquer outra ordem, templo, igreja, coven, clã, ou seita satânica, e todos os pontos de vista referentes à posição oficial da ONA ou dos seus membros não é necessariamente também o meu ponto de vista.

Finalmente, em caso de quaisquer dúvidas, ou de quererem comentar alguma coisa sobre o texto, os meus endereços de contacto são:

-> Email 1 (MSN Messenger): baphomet@iol.pt
-> Email 2 (Yahoo) : pan_baphomet@yahoo.com.br

Espero que apreciem (ou odeiem!) o texto. Boa leitura. 😉

Nota suplementar: Para facilitar a linguagem, sempre que eu referir um Satânico estarei a referir-me a um seguidor da “Tradição Sinistra” (o satanismo praticado na ONA); já um Satanista deve ser considerado como um seguidor de Anton Lavey e do chamado “Satanismo Moderno” (o satanismo praticado na Church of Satan).

ÍNDICE

  1. Satanismo Tradicional ou Moderno – Como diferenciar
  2. Nascer ou tornar-se satânico?
  3. A Árvore de Wyrd, o Esquema Septenário, e a Aeonica Satânica
  4. Universo Causal e Universo Acausal – O que significam?
  5. A Senhora da Terra (Baphomet) e o Culto da Cabeça de Satanás
  6. Nacional-Socialismo e o Aeon Faustiano – O Caminho do Oeste
  7. O “Super-Homem” – Conclusão / Reflexão Final

Por: Luís Gonçalves (“Alektryon Christophoros”)

A Crença das Bruxas

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Acho difícil dizer exatamente no que crêem as bruxa de nossos dias. Conheço uma que vai à Igreja de vez em quando, embora seja apenas uma conformista ocasional. Acredita firmemente em reencarnação, assim como muitos cristãos. Não sei como ela ou eles reconciliam isso com os ensinamentos da Igreja. Mas, para começar, a crença em muitos paraísos diferentes, cada um com seu deus diferente, não é incomum. O deus do culto é o deus do próximo mundo, da morte e da ressurreição, ou da reencarnação, o consolador, o confortador. Após a vida, você vai alegremente a seu reino para o descanso e o alívio, tornando-se jovem e forte, esperando a época de renascer na terra de novo, e você pede a ele que mande de volta os espíritos de seus mortos queridos para que se regozijem com você em suas festas.

Torna-se claro que elas acreditam em algo desse tipo, por causa do mito da deusa que forma a parte central de um de seus rituais. É um tipo de espiritualismo primitivo.

Bruxas não têm livros de teologia, então para mim é difícil descobrir em que elas realmente acreditam. Com todos os milhares de livros escritos sobre a cristandade, ainda acho difícil definir as crenças cristãs. Transubstanciação, por exemplo. Por outro lado, é fácil fornecer a idéia central ou mito, que em minha opinião pode-se definir como uma história que afeta as ações das pessoas. Estritamente falando, nesse sentido o mito da cristandade está na crucifixão e na ressurreição, e poucos cristãos discordam disso. O mito da bruxaria parece ser a história da deusa aqui citada. Estou proibido de fornecer seu nome, então vou chamá-la G.

G. nunca amou, mas ela resolve todos os mistérios, mesmo o mistério da Morte, e assim ela viajou às terras baixas. Os guardiões dos portais a desafiaram. “Despe teus trajes, tira tuas jóias, pois nada disso podes trazer contigo em nossa terra. “Assim, ela pôs de lado seus trajes e suas jóias e foi amarrada como o eram todos os que entravam nos reinos da Morte, a poderosa.

Tal era a sua beleza que a própria Morte se ajoelhou e beijou seus pés, dizendo: ”Abençoados sejam esses pés que te trouxeram por estes caminhos. Permanece comigo, mas deixa-me pôr minha mão fria sobre teu coração “. E ela respondeu: “Eu não te amo. Por que fazes com que todas as coisas que eu amo e que me alegram se apaguem e morram? ” “Dama, ” respondeu a Morte, “isto é a idade e o destino, contra os quais não sou de nenhuma ajuda. A idade faz com que todas as coisas feneçam; mas, quando o homem morre ao fim de seu tempo, eu lhe dou descanso e paz e força para que ele possa retornar. Mas tu és adorável. Não retornes; permanece comigo. ” Mas ela respondeu: “Eu não te amo “. Então a Morte disse: “Como não recebes minha mão em teu coração, receberás o açoite da Morte”. “Esse é o destino, que seja cumprido, ” disse ela, ajoelhando-se. A Morte açoitou-a e ela gritou: “Conheço os sofrimentos do amor “. E a Morte disse: “Abençoada sejas ” e lhe deu o beijo quíntuplo, dizendo: “Que possas atingir a felicidade e o conhecimento”.

E ela lhe contou todos os mistérios e eles se amaram e se tornaram um; e ela lhe ensinou todas as magias. Por isso, há três grandes eventos na vida do homem – amor, morte e ressurreição no novo corpo – e a magia os controla a todos. Para realizar o amor, você deve retornar na mesma época e lugar que os entes amados e deve lembrar-se e amá-lo ou amá-la novamente. Mas, para renascer, você deve morrer e ficar pronto para um novo corpo; para morrer, você deve ter nascido; sem amor você não pode nascer e eis toda a magia. Esse mito sobre os quais os membros baseiam suas ações é a idéia central do culto. Talvez seja trabalhoso explicar idéias e rituais já concebidos e explicar por que o deus mais sábio, mais velho e poderoso deveria dar seu poder à deusa por intermédio da magia.

Havia um costume céltico de amarrar cadáveres; a corda com a qual um deles fora amarrado era de grande valia na obtenção da segunda visão. Mas no Mundo Antigo parece ter sido difundida a idéia de que uma pessoa viva deve ser amarrada para chegar à presença dos Senhores da Morte. Tácito, em Germânia XXIX, fala de bosques sagrados onde homens se juntam para obter augúrios ancestrais, para entrar nesses domínios sagrado dos Senhores da Morte. “Todos são atados com correntes para mostrar que estão em poder da Divindade e, se lhes acontecesse cair, não tinham ajuda para levantar. Deitados como estão, devem rolar pelo caminho da melhor forma possível. ” Isso mostra que eles eram amarrados bem forte, de forma que não podiam erguer-se; logo, é claro que não era uma amarração “simbólica”.

Luciano, em sua obra Vera Historia, que, embora seja um romance, trata de crenças populares, fala de pessoas vivas desembarcando na Ilha dos Abençoados, sendo instantaneamente atados com correntes e levados à presença do Rei dos Mortos.

A idéia de pessoas vivas, ou recém-mortos, sendo amarrados com correntes logo que chegam à terra dos mortos pode ser, em minha opinião, a origem da idéia de fantasmas arrastando correntes; mesmo no Limbo eles permaneceriam amarrados. apenas a história de Ishtar descendo aos infernos, mas o ponto principal da história é outro. Pode-se dizer também que é simplesmente Shiva, o deus da Morte e da Ressurreição; mas novamente a história é diferente. É bastante possível que as histórias de Ishtar e Shiva tenham influenciado o mito, mas acho que sua origem é mais provavelmente céltica. Nas lendas célticas, os Senhores do Submundo preparavam a pessoa para o renascimento; dizia-se que muitos vivos haviam entrado em suas regiões, formado alianças com eles e retornado em segurança, mas era preciso grande coragem; apenas um herói ou um semideus se arriscaria desse modo. Os mistérios célticos certamente continham rituais de morte e ressurreição e possivelmente visitas ao submundo com um retorno em segurança. Acho que o purgatório de São Patrício em Lough Derg é uma versão cristianizada dessa lenda.

O homem primitivo temia a idéia de renascer em outra tribo, entre estranhos, de forma que rezava e realizava ritos para se assegurar de que nasceria novamente na mesma época e no mesmo lugar que seus amados, que o conheceriam e o amariam em sua nova vida. A deusa do culto das bruxas é obviamente a Grande Mãe, a que dá a vida, o amor encarnado. Ela comanda a primavera, o prazer, a festa e todos os deleites. Mais tarde, ela foi identificada com outras deusas e tinha uma especial afinidade com a lua.

Antes de uma iniciação, lê-se uma declaração que começa assim:

Ouça as palavras da Grande Mãe, que antigamente foi chamada pelos homens de Artemis, Astartéia, Diana, Melusina, Afrodite e muitos outros nomes. Em meus altares a juventude da Lacedemônia fez o devido sacrifício. Uma vez por mês, de preferência quando a lua está cheia, encontrem-se em algum lugar secreto e me adorem. Pois sou a rainha de todas as magias… Pois sou uma deusa graciosa, dou alegria à terra, certamente, não a fé, durante a vida; e após a morte, a paz inexprimível, o descanso e o êxtase da deusa. Nada peço em sacrifício…

Essa declaração vem, eu acho, da época em que romanos ou estrangeiros chegaram; isso explicaria o que nem todos sabiam em épocas passadas e identifica a deusa com deusas de outras terras. Imagino que uma declaração similar era uma característica nos antigos mistérios.

Estou proibido de revelar algo mais; mas, se você aceitar a regra dela, tem a promessa de vários benefícios e é admitido no círculo, apresentado à Morte Poderosa e aos membros do culto.

Há também um pequeno “susto”, uma “prova” e um “juramento”; mostram-lhe algumas coisas e lhe dão alguma instrução. Tudo é muito simples e direto.

Entre as declarações mais comuns contra as bruxas está a de que elas repudiam ou negam a religião cristã. Tudo o que posso dizer é que eu e meus amigos jamais ouvimos algo sobre tais negações e repúdios. Minha opinião é de que em tempos primitivos todos pertenciam à velha crença e adoravam regularmente os antigos deuses antes de serem iniciados. Para as pessoas como os romanos e romano-bretões, eles estariam apenas adorando seus próprios deuses, identificados com os célticos; logo, nada haveria para ser repudiado.

Possivelmente, durante a perseguição, se pessoas desconhecidas apareciam em um encontro religioso, seriam questionadas para se descobrir se eram espiões; provavelmente lhes pediam para negar o cristianismo, como uma espécie de teste. Eles nunca iniciariam alguém, não o trariam ao círculo, a menos que soubessem com certeza que era pertencente à velha crença. Quando a perseguição aumentou, o culto escondeu-se e praticamente só as crianças nascidas e criadas no culto eram iniciadas. Acredito que algumas vezes, quando alguém que não fosse do sangue desejasse ingressar, ele era questionado; mas daria na mesma pedir ao postulante médio que negasse o cristianismo ou que negasse uma crença em Fidlers Green, sobre o qual os velhos marinheiros costumavam falar: o paraíso para onde os velhos marinheiros iam, que ficava bem longe do Inferno.

Logo, penso que, embora houvesse casos de pessoas que negavam o cristianismo, estas foram bem poucas. Dizer que isso é “provado” porque muitas bruxas foram torturadas para admitir que repudiavam o cristianismo é a mesma coisa que dizer que tal testemunho prova que elas voavam em vassouras. Meu grande problema para descobrir quais foram suas crenças reside no fato de elas terem esquecido praticamente tudo sobre seu deus; tudo o que posso saber é por meio dos ritos e orações dirigidos a ele.

As bruxas não conhecem a origem de seu culto. Minha própria teoria é, como já disse, que é um culto da Idade da Pedra, dos tempos matriarcais, quando a mulher era líder; mais tarde, o deus homem se tornou dominante, mas o culto das mulheres, por causa de seus segredos mágicos, continuou como uma ordem distinta. O grande sacerdote do deus homem às vezes compareceria aos encontros delas e os lideraria; quando estivesse ausente, a grande sacerdotisa era sua representante.

Deve-se notar também que há certos ritos em que um homem deve liderar, mas, se um homem do grau requisitado não está disponível, uma sacerdotisa chefe veste uma espada e é vista como um homem para a ocasião. Mas embora a mulher possa ocasionalmente tomar o lugar do homem, o homem nunca pode tomar o lugar da mulher. Isso deve vir da época da associação das Druidesas, que os romanos tratavam de bruxas. Se eram druidesas verdadeiras, eu não sei. Essa parece ter sido uma organização religiosa separada, possivelmente sob o comando do druida líder, da mesma forma que havia um sacerdote ou alguém que num encontro de bruxas era reconhecido chefe. Ele era chamado “o Diabo” na época medieval.

Gerald Gardner

Beijando o Céu – Canalizando Babalon

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“Os Irmãos da A .’.A.’. são mulheres…”
– A Crowley, Livro das Mentiras

Uma Nota Sobre o Gênero e a Sexualidade

Tradicionalmente, mediante os termos Mulher Escarlate e Babalon, fazemos referência às correntes canalizadas exclusivamente por mulheres biológicas; não encontro uma razão convincente para que isto deva ser assim, e creio que em nosso estado atual de evolução psicológica e espiritual, nossas únicas limitações em quais energias somos capazes de experimentar, explorar e encarnar, estão em nossa própria imaginação. Portanto, venho tentando expressar as seguintes idéias em termos de um gênero neutro. Onde tenha falhado nisto, refletira somente as limitações de minha própria imaginação e não as limitações da alma humana enquanto busque a Si mesma. Espero que todos Os leitores, apesar do gênero, encontrem aqui inspiração para seus próprios caminhos criativos.

O Caminho

Andar pelo caminho de BABALON é buscar, permitir-se experimentar a existência como pura sensação, suspendendo a análise dos valores prazer-dor, bom-mau, atrativo-repulsivo, pelos quais normalmente limitamos e definimos nossa experiência humana de cada dia.

Andar pelo caminho de BABALON é buscar, permitir a si mesmo render-se totalmente à sensação de prazer e desejo, encontradas em todas as facetas da existência, sem medo da dissolução do “EU”.

Andar pelo caminho de BABALON é permitir-se a liberdade de iniciar a paixão, dentro de outros, dentro de Si mesmo.

Dentre as quatro faces da deusa – Donzela, Ninfa, Guerreira, Velha – Babalon é a Guerreira. Babalon é aquele indivíduo de poder que Se abre e desperta em contato com sua sexualidade mágica(K), que sem dúvida não é definida por outro indivíduo, e sim por sua própria Vontade de experimentar a existência.

Ele/Ela é aquele indivíduo capaz de suprir as deusas, canalizando o amor total e incondicional do universo por todas as coisas da criação – apesar da beleza ou feiura percebidas, atração ou repugnância, gênero, idade, ou reações emocionais pessoais. Seguro em si mesmo e de seu poder mágico(K), quem anda pelo caminho de BABALON é livre para render-se totalmente ao desejo – aos desejos de outros assim como os seus próprios, conservando sua integridade pessoal, independência e poder.

Capaz de abrir suas sensibilidades intensificadas a um despertar da existência como pura sensação, Babalon é o adepto tântrico, com todos os poderes que isto implica. Babalon funciona como médium psíquico e voz oracular, na expresso de suas próprias ensinanças da realidade, e não a de outros. Como Guerreiro, quem anda pelo caminho de Babalon trabalha ativamente para a transformação positiva da cultura e da sociedade, num papel de direção, mediante a aplicação de coragem, vontade, criatividade, amor e, sobretudo, da Voz Feminina

Técnicas para Encontrar o Outro,
Técnicas para Encontrar o Self

a) “Toma o que eles lhe dão “. Em cada encontro de tua vida diária, toma qualquer coisa que os Outros te dêem (preciso confirmar se está certo). Se estão enfadados, aceita-os. Se estão tristes, deixa que passe dentro de tua consciência. Se são atraentes sexualmente para ti, deixa que dentro de ti tua energia se sinta bem, não importa como possa ser tua reação pessoal normalmente, sem medo, atração, aborrecimento, repulsa; aceita o indivíduo que está diante de ti sem discriminações. Absorva suas energias dentro de você mesmo, tocando os seus ombros, toma suas mãos entre as tuas, deixe fluir a essência de seus olhos até os seus. Irradia através deles ao mesmo tempo amor e aceitação. Deves dar-te conta de que isso não tem nada a ver com tuas reações pessoais”, e sim a com a canalização de Babalon enquanto ele/ela toca a esfera humana.

b) Como uma extensão do que está acima imagine-se tendo relações sexuais com cada um de teus encontros, seja este atraente ou não, seja velho ou jovem, apesar do gênero e dos tabus sexuais tradicionais. Continua com esta prática até que sejas capaz de imaginar cada um dos encontros sem emoção, repulsa, culpabilidade, vergonha ou medo. Quando tais emoções tiverem perdido totalmente seus poderes sobre você, terá então desenvolvido bondade e tolerância frente às diferenças dos outros, pois amamos o melhor, o que mais nos agrada em nós mesmos.

c) Dissolver os limites do ego através do momento do beijo. Neste momento inefável, Os limites entre o si mesmo e o outro se fazem turvos. Prolonga este momento até que sintas uma energia e o despertar do outro que “tu mesmo” moves através de ti. Beija uma planta. Beija um objeto inanimado, como uma pedra, um carro, um lápis ou teu athame. Beija um animal. Beija outro ser humano. Fazendo assim, nesse momento do beijo, emergirás; mescla tuas essências interiores e aprende algo do ser do outro. Sê provisor, pois o outro a sua vez haverá tomado também uma parte de ti.

d) 0 espelho: mudando posições. Usando tua imaginação, olha fixamente nos olhos de outra pessoa até que tenhas “convertido-te” nessa pessoa, olhando para si mesmo, que então haverá se convertido “no outro”. Isto pode ser muito intenso, desestabilizante para ambas as partes. Quando tiver êxito, haverá um flash de união com o outro, que é o fluxo de amor puro universal, uma extensão e identificação com isso, como todo amor é união com os que desejamos. Os que queríamos absorver dentro de nós mesmos. Para os empreendedores: Tentar com alguém de quem que não goste, ou com alguém com quem esteja brigado.

e) Espelho, espelho: Olha o teu reflexo em um espelho até que não te sejas mais familiar, até teu rosto parecer-te o rosto de outra pessoa olhando-te por trás do espelho, dê a ele tua aceitação, deixa que teu amor flua em direção a ele e logo vire-o de maneira que sejas refletido atrás de tua imagem.

f) “Monogamia Mágicka”. Quando buscamos a musa de inspiração pela união com o outro, encontramos esta dificuldade; a musa está dentro de nós, e não no outro. Portanto, nenhum indivíduo pode nos dar o que já não possuímos dentro de nos mesmos. Ainda que possamos descobri-lo no que a principio encanta em um novo amante, a chispa que incendeia a inspiração efusiva que buscamos, ao menos temporariamente. Sem dúvida, se há persistência na prática tântrica com um dado indivíduo, existe um aprofundamento de poder quando as máscaras são mudadas. Antes que se tomem familiares e aborrecidas, existe um ponto em que o amante chega a ser totalmente misterioso, totalmente OUTRO e, deste modo, um canal transcendente de força mágicka criativa

Orgasmos Mágickos

Orgasmo é energia. Os movimentos rítmicos voluntários do corpo e da respiração constroem padrões de energia, induzindo a respostas primarias profundas no corpo e na psique. No momento do orgasmo, o sentido do “Eu” pessoal aumenta seus limites, fundindo-se com a corrente de vida do universo, a mente e o corpo irradiam milhares de filamentos de energia e luz dançantes. 0 orgasmo cria um portal para outras dimensões.

Aonde uma pessoa normal simplesmente perde a consciência do ser, caindo em adormecimento felizmente, o adepto tântrico passeia pela corrente da descarga orgástica até os mundos astrais, onde Ele/Ela obtém acesso a realidades criativas, onde o poder de querer uma coisa é capaz de engendrar-se assim.

Respirando Orgasmo.

Em teu templo ou habitação-santuário, estabeleça um ritmo respiratório.

Visualize a força da vida ao redor de ti como pontos brilhantes de luz dançante. Respira essa luz dentro de teu corpo; conceda-te experimentar o oceano circundante de energia vibrante no qual nadamos constantemente, e a partir do qual deriva a nossa existência. Enquanto o ritmo respiratório torna-se estável, tua Vontade se translada mais e mais profundamente em puro estado meditativo, tua consciência se acalmará, tornando-se clara e lúcida.

Experimenta com cada uma das práticas seguintes, até que surjam distintas sensações físicas que indiquem êxito:

Imagina que estas respirando para dentro e para fora, não através de teu nariz ou boca, mas sim dos ossos de tuas pemas; respira através dos ossos de teus braços. Respira através do alto de teu crânio, continuando até que tua mente se expanda, abrindo-se ao universo.

Respira através dos poros de tua pele, até que teu corpo se sinta limpo, inteiramente vivo e aberto à sensação. Respira a energia ascendente desde a base de tua coluna vertebral até acima de teu crânio. Respira energia descendente desde tua cabeça até a base de tua coluna vertebral, chegando teu corpo a ficar carregado com a energia e luz enquanto respira a corrente de energia ascendendo e descendendo por tua coluna vertebral. Respira a energia ascendente que Sai através do alto de tua cabeça, até logo abaixo e ao redor de teu corpo, mostrando-se como o azul brilhante de tua aura protetora, crescendo dentro do azul brilhante do círculo que te encerra dentro de teu espaço sagrado, um circulo que se torna mais brilhante, mais vital à cada respiração. Respira através dos sete centros vitais dos Chakras um por vez, despertando–os para vibrarem como luz vivente.

Orgasmo do corpo: Exercício Tântrico da Árvore da Noite

Em comunhão com o Anjo de teu Ser Superior, leva a ti mesmo ao orgasmo, sem ansiedade, sem culpa. Registra tuas visões.

Orgasmo através da base da coluna vertebral

Aqui experimentamos o poder da energia tântrica transformadora; o poder de destilar o elixir que transforma, enquanto os semi-químicos dos kalas sexuais se vertem desde o corpo, e a Chuva Prateada de Nuit goteja desde as estrelas.

Orgasmo através do baixo centro do umbigo – O Nó de Brahma

Aqui nos conectamos com o poder pessoal, experimentando o Ch’i como tentáculos de luz, irradiando, alargando-se até os objetos de atenção e desejo. Seremos capazes de ver a nós mesmos e aos outros humanos como brilhantes ovos luminosos, como nós interconectados de luz, como vórtices de sensibilidade que pulsam com o ritmo da vida.

Orgasmo através do Umbigo – Yesod.

Aqui experimentamos o poder da fascinação e do encantamento, da imaginação acesa pelo desejo; o poder para criar ilusões, para criar o nosso próprio universo – seja este o céu ou o inferno – Experimentamos o “gostoso” da vida, sua riqueza, e sensualidade inerente a tudo o que flui: emoções, correntes, sangue.

Orgasmo através do diafragma – O Véu de Paroketh/O Nó de Vishnu

Aqui encontramos o poder da palavra no silêncio: o poder da invisibilidade, o poder do véu. Encontramos a habilidade para entrar em outras dimensões através do buraco negro cosmológico do espaço interestelar, que é matéria colapsada sobre si mesma pelo poder da atração interna

Orgasmo através do coração compassivo Tipheret/ A Encruzilhada de Caminhos

Aqui encontramos o poder da invisibilidade, o poder de penetrar no corpo, coração e mente do outro. Experimentamos a realidade do Self como nada mais que um Vazio sem Ego.

Orgasmo através da área da garganta – O Nó de Shiva/Daath/ A entrada para o universo b e para os túneis de Set.

Experimentamos o poder do xamã, do modelo cambiante, 0 poder da transmutação consciente da célula primária e tocamos e experimentamos o masculino/feminino – feminino/masculino combinados, existentes como possibilidades nascentes dentro de nosso corpo de luz. Além de que, realizamos o passado-presente-futuro como existentes no Agora.

Orgasmo através do Terceiro Olho – Binah, o de dupla pétala/Chokmah, o centro entre as sobrancelhas.

Experimentamos o poder de entrar no Tempo do Sonho; deixar o corpo à Vontade. Aqui esta o poder de exteriorizar, objetivar e universalizar nossa interna subjetiva e pessoal concepção superior da realidade. Aqui, além disso, está o poder para proferir “a Palavra Original” do Mestre do Templo.

Orgasmo através da coroa da cabeça – Kelher/Chakra Sahasrara, o lótus de mil pétalas

Elevando-se a Kundalini pela coluna vertebral, despertando-se a consciência para derramar-se através do alto do crânio dentro do universo explorado, a chuva de estrelas que-sempre-está-expandindo-se.

Experimentamos a luz e a energia das Estrelas acima de nós todos, como fonte de inspiração e sustento espiritual, a sementeira de nossa raça; e o Acesso ao poder da viajem no tempo transdimensional, interestelar.

Orgasmo através de cada poro do corpo

Experimentamos Os pontos de interconexão de zumbidos de luz que cobrem a carne vivente, sentir os nadis vibrantes do corpo sutil, pequeninas agulhadas de luz que são as bençãos dos kalas das estrelas, pois chovem das dimensões transplutonianas.

Experimentamos o universo cheio de estrelas que giram com pulsações de muitas cores. Encontramos o poder de chamar aos Grandes Antigos, viajantes sem tempo, os Deuses que sempre estão retornando, girando em espiral desde o passado e do futuro, em um eterno agora revelado.

Tantra da Terra e do Céu

Com os braços alçados em adoração, exala no sol, na lua e nas estrelas. Alcançando-os, deixa que sua energia flua através de ti. Experimenta sua benção como um prolongado beijo. Colocando as mãos sobre a terra (se está em uma habitação, no solo, porém visualizando a terra), envia energia orgástica, deixando-a correr dentro do corpo-que-tudo-aceita da terra Experimenta as bençãos de Seu amor que-a-tudo-abarca, como uma profunda abertura do coração, dentro da quietude, silêncio, e paz.

por Linda Falorio

Austin Osman Spare, H.R.Giger e Rosaleen Norton: Três Artistas Malditos

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H.R. Giger

Se a arte visionaria brota dos íntimos refolhos assombrados da consciência, não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino ‘as energias arquetípicas a “presenças” que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram proveem uma espécie de espiada ‘as profundas – e talvez mais ameaçadoras – realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.  É mágico como artistas dessa estirpe  nos “relembram”  de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.  Os três podem ser considerados “marginais”, ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair a si considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton – a Bruxa de King Cross – deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.  Mas o que especificamente nos desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio consubstancia justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é algo misterioso, milagroso e ‘às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é pois, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.

Austin Osman Spare

austinspareO visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão  criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e civilizações (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgências atavística.  Ele foi alem dos conhecidos rituais práticos da Magia, ao ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo – ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, “roubavam o fogo dos céus”.  Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson – e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra – Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.  Sua carreira iniciou-se de um modo impressionante, mas ortodoxo, quando ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso Colégio Real de Arte, com apenas 16 anos de idade.  Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive “Atrás do Véu”, de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado “Lodo Queimado nas Estrelas” (1911).

No inicio dos anos 20 ele já era o co-editor de um excelente jornal literário ilustrado, O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, que atingiu oito números quadrimestrais (1922-24), estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.  Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já começava a inspirá-lo. Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista – pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de Omar Khayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare.  Mas Spare já estava decidido a auto-publicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas  o encaminharam mesmo foi  para longe do mainstream cultural.  Sua cosmologia é complexa, mas instrutiva. Ele acreditava na Reencarnação e afirmava categoricamente que todas as suas pretéritas vidas, seja humana ou até animal, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.  O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências até  ‘a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.  Ele chegou a nomear essa fonte primal e universal do ser como “Kia” e se referia ao corpo humano como “Zos”. Para ele, este era o veiculo ideal para a manifestação das energias espirituais e ocultas desse universo que, em assim não sendo, permaneceria “oculto”.  Considerava este nível mental como “a epítome de toda experiência e maravilhamento, encarnações passadas como homem, animal, passaro, vida vegetal…tudo o que existe, existiu ou existira´  Sua técnica para fazer aflorar essas imagens primais – a ressurgencia atavistica – envolvia focar sua vontade ferrenhamente em sigilos mágicos que ele própria criava – um simples anagrama gráfico composta por letras de uma sentença que manifestava uma vontade.  Atingido o ponto maximo da sigilizaçao, Spare então fechava seus olhos e concentrava-se tanto no sigilo quanto na vontade a ele associada. De acordo com seu amigo e colega ocultista Kenneth Grant, o efeito era dramático: quase que imediatamente ele percebia a “resposta interior”. Sentia então uma tremenda efusão de energia a percorrer o seu corpo, as vezes com a força até de uma ventania a dobrar uma vara de bambu. Com um esforço supremo, ele se mantinha firme e conseguia canalizar essa energia ao seu objetivo.  Spare visitou o Egito durante a Primeira Guerra e ficou sensivelmente impressionado pelo magnetismo imanado dos deuses clássicos ali representados por esculturas monumentais. Para ele, os egípcios da antiguidade já demonstravam um grande conhecimento da complexa mitologia da mente subconsciente: “Eles simbolizaram este conhecimento em um grande monumento, a Esfinge, a qual retrata pictograficamente o homem evoluindo de uma existência animal”.  Seus numerosos deuses, todos parcialmente animal, passaro, peixe…constatam a totalidade de seus conhecimentos da ordem evolucionaria, os complexos processos iniciados apenas num simples organismo”.

Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:” Todos os deuses já viveram na Terra, sendo nos próprios” – escreveu – ” e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas açoes em parte”.  O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.  Ele também começou a fazer “desenhos automáticos” em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.. Afirmava que o via muitas vezes, e até que já vivia em um mundo perceptual em que  se misturavam a realidade circundante, as alucinações e o mundo do transe.  Certa vez, viajando num  ônibus de dois andares, ele afirmou se ver cercado de repente por um grupo de passageiros imaginários, uma turma de bruxas indo para um Sabbath.  A sua atração pela idosa Sra. Paterson era compreensível se levarmos em conta o contexto mágico da relação do casal. Para Spare, ela era capaz de transformar-se perceptualmente de uma encarquilhada feiticeira a uma atraente sereia. Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e,  idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.   Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico. Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre a geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria…a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.  Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labirintico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascençao do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima auto-publicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião,  era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça.  Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.  Em outro  trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam toda forma de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade esta´ alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.  Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho…cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O  gênio, de acordo com ele, era justamente  experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante” o êxtase da Serpente de  Fogo do Kundalini.

Rosaleen Norton

rosaleNascida na Nova Zelândia e criada na Austrália, a artista Rosaleen Norton (1917-1979) e´ uma das poucas a  fazerem par com Austin Spare. Boemia, excêntrica e extraordinariamente talentosa, ela marcou indelevelmente o folclore urbano de Sidnei como “ a Bruxa de Kings Cross”, por suas pinturas sobrenaturais, prenhas de satanismo e pornografia, numa presumida era de conservadorismo social moralístico, nos anos 50. Mas este era apenas um julgamento estreito que a cercou e que, infelizmente, a perseguiu durante toda a vida.  Seu pai foi um capitão da marinha mercante e primo do compositor Vanghan Williams, que emigrou com a família para a maior cidade da Austrália em 1925. Enquanto eles  comungavam de crenças religiosas ortodoxas, a jovem Rosaleen já fazia seus primeiros contatos com o mundo da magia.

Seu talento para o desenho se revelou precoce, pois aos 3 anos já rabiscava fantasmas com cabeças de animais e aos cinco jurou ter visto um dragão brilhante voando na cabeceira de sua cama.  Mais tarde, na escola secundaria, ilustrou “Dança Macabra” do conjunto Saint Saens, completo com vampiros, lobisomens e gárgulas.  Sua orientação pagã  foi logo notada pela direção da escola que não tardou em expulsá-la, sob a alegação de que “sua natureza depravada poderia corromper as outras garotas inocentes”.  Na adolescência, depois de curta temporada como escritora do Semanario Smith, Rosaleen estudou arte com o famoso escultor Rayner Hoff,  se tornou a primeira artista australiana de rua e começou a saltar de trabalho em trabalho – desenhista para uma industria de brinquedos, “assistente” em clubes noturnos, e até recepcionista e modelo. E foi nessa época que começou a se interessar e pesquisar Psicologia, Magia e Metafísica, indo fundo nas obras de Carl Gustav Jung, William James e ocultistas como Eliphas Levi, Madame Helena Blavatsky, Dion Fortune e Aleister Crowley.  Também descobriu técnicas para elevar a sua percepção artística: através da auto-hipnose, por exemplo, aprendeu a transferir voluntariamente a sua atenção para “planos interiores de excitamento místico”. Esses experimentos, como escreveu mais tarde, “produziram um numero de resultados peculiares e inesperados…e culminaram num período de percepção extra-sensorial  mesclado a uma prolongada serie de visões simbólicas”.  A seguir, algumas passagens de uma entrevista de Rosaleen ao psicologo L.J.Murphy, conduzida na Universidade de Melbourne em 1949, que  provê fascinante insight de sua exploração visionaria de estados alterados da consciência.

“Eu decidi experimentar o transe auto-induzido com o fito de atingir um estado anormal de consciência e poder manifestá-lo, representá-lo de alguma forma, de preferência, desenhando. Queria ir fundo nesses estados da mente subconsciente, explorá-la totalmente e se possível ir ainda mais alem. Tinha a sensação, mais intuitiva que intelectual , de que em algum lugar das profundezas do inconsciente, o individuo contem, em essência, todo o conhecimento acumulado da humanidade; da mesma forma que o nosso corpo manifesta o somatório de nossas experiências como raça, na forma de instintos e de reação automática a estímulos.  No sentido de” contatar” essa fonte hipotética do saber, decidi aplicar estímulos psíquicos ao subconsciente; estímulos que a razão consciente poderia rejeitar, mas que apelaria aos instintos enterrados há gerações, e os quais, eu esperava, causariam reflexos psíquicos automáticos (cultos religiosos usam rituais, incensos, musicas etc,como mesmo objetivo).   Conseqüentemente juntei uma variedade grande de “instrumentos” como folhas, vinho,  uma pata mumificada, etc…e um fogareiro , todas potentes estímulos a parte do inconsciente que eu desejava invocar. Deixei o quarto no escuro, foquei meus olhos na pata, esmaguei as folhas, bebi algum vinho e tentei exaurir minha mente de todo e qualquer pensamento. Assim foi o começo de tudo – e eu fiz varias outras experiências progressivamente bem sucedidas.  Seguindo uma corrente de curioso excitamento, meu cérebro ficou limpo de todo pensamento consciente e, de olhos fechados, comecei simplesmente a desenhar na folha de papel branco a minha frente…me senti liberada do mundo a minha volta, para um estado onde não havia tempo, experimentei uma considerável intensificação de minhas faculdades intelectuais, criativas e intuitivas, e comecei a ver coisas com muito mais clareza e encantamento do que no “meu normal”.

Quando eu próprio entrevistei Rosaleen Norton em 1977, ela me contou que seus visionários encontros com as criaturas mágicas que passaram a povoar as suas pinturas eram extremamente reais. Mesmo sendo entidades como Zeus, Júpiter e Pan, usualmente associados a mitos e lendas da mitologia, portanto bem “longínquos” da realidade da maioria das pessoas, para ela eles representavam forças sobrenaturais, passiveis inclusive de casualidades, não eram simplesmente uma projeção da mente subconsciente ou da imaginação criativa.  Rosaleen inclusive veio a ter uma especial reverencia ao Grande Deus Pan, ao qual ela considerava ” a totalidade de todo o ser , o verdadeiro Deus do Mundo e o Super-Deus do Equilíbrio da Natureza”. Haviam outros também, Lúcifer, Bafomet, Ecate e até  Júpiter, mas de acordo com ela, esses somente se manifestavam em suas visões de transe ao seu próprio bel prazer. “Não atendiam a qualquer invocação ou aceno de qualquer um”, explicou .  Também haviam as chamadas “forças menores”  na sua hierarquia do oculto, incluindo certo numero de demônios, seres espirituais e formas astrais. Algumas das entidades mágicas que apareciam em seus trabalhos artísticos parecem representar híbridos atávicos – metade humano, metade animal, quase sempre nus –  revelando os aspectos primevos da evolução espiritual da humanidade.

Certa vez, como Austin Spare, Rosaleen Norton começou a considerar sua arte como um veiculo para apresentar uma realidade alternativa e potencialmente muito mais impressionantes do que o mundo de aparências familiares. Numa de suas primeiras citações em seu diário oculto, ela chegou a marcar: “ Há sentidos, formas de arte, atividades e estados de consciência que não tem nenhum paralelo na experiência humana…verdadeiro cataclismo envolvente tanto do auto-conhecimento  como do conhecimento universal, presentes (quase sempre em forma alegórica) em todo e quaisquer aspectos concebíveis..metafísico, matemático, cientifico, simbólico…. Compõem um desconcertante espectro de experiências, cada uma completa em si própria, embora ainda assim interdependentes em significância com todas as outras facetas.  Uma experiência dessas poderia ser comparada a assistir e simultaneamente tomar parte de uma peça teatral em que todas as formas de arte estão presentes, a musica, o drama, os rituais cerimonialisticos, formas, sons e padrões, tudo formando um todo sinergistico  Grande parte da arte de Rosaleen foi influenciada pelas escolas cubistas e modernistas, mas detêm uma imagética visionaria muito forte e singular.  Suas imagens foram publicadas inicialmente em 1952, num volume controverso intitulado “A Arte de Rosaleen Norton”, de co-autoria do poeta Gavin Greenles.  Embora atualmente seus desenhos não pareçam tão “confrontacionais”, na época causaram furor nos meios tradicionais e tradicionalistas dos anos 50, já que seu editor, Wally Glover, chegou a ser convocado as barras da Lei e processado por tornar publico “imagens ofensivas a castidade e decência humanas”.  Examinado atualmente esta situação, fica claro que a admitida arte pagã de Rosaleen atingiu fundo toda a estreita e reacionária sensibilidade  judaica-crista de então  O que e´ indubitável e´que  seu melhor trabalho  emanava todo um poder arquétipo e próprio. Nos estudos esotéricos, por exemplo, um demônio furioso olha com lascívia a partir de uma realidade Qliphotica, contrabalançado por uma forma de diamante de radiante brilho, enquanto que em Individualização, somos confrontados com um ser mítico resultado de uma fusão de elementos humano, animal e divino.  Similarmente, suas representações de Gebura´ – um vortex de poder dinâmico da Cabala – mostra um poderoso torso humano com uma cabeça alada de um falcão. Esse deus tem ainda um rabo de escorpião e patas  providas de garras, emanando uma agressividade crua e guerreira. Segura uma esfera em sua destra, que bem poderia ser o débil globo terrestre – envolvido pelo seu domínio.  Como Austin Spare, Rosaleen Norton foi uma adepta da exploração de estados alterados de consciência nos quais ela teria seus visionários encontros com deuses. Quando morreu em 1979, entrou para a lenda, embora por razoes errôneas. Em seus dias, perseguida por acusações de obscenidade – e também de “manipular massas negras” em seu abrigo da rua Kings Cross – Rosaleen Norton foi considerada uma marginal pagã e sua arte julgada bizarra e pornográfica.  Mas hoje podemos reavaliar seu trabalho sobre uma nova luz.  Sua imagística nos parece querer escapar de nossos parcos limites, dar forma a realidades visionarias e arquetípicas que, para a maioria das pessoas, não pertencem a estados conscientes. Talvez foi esta a característica que fez sua arte tão chocante nos anos 50: ela ousou trazer a luz imagens vindas das camadas mais profundas do nosso psíquico, imagens que, para a maioria de nos, seria muito melhor que fossem reprimidas ou esquecidas.

H.R.Giger

hrgigerMais conhecido por ser o criador do Alien, O Oitavo Passageiro, Han-Ruedi Giger é nativo de Chur, na  Suíça, onde veio ao mundo em 1940.   Diferente de Spare e de Rosaleen,  não desenvolveu inicialmente sua arte visionaria a partir de um tradicional  conhecimento esotérico consciente.   Ao invés disso, as formas artísticas evocadas de sua psique e´ que o guiaram crescentemente em direção a realidade mágica.  As imagens conjuradas por Giger freqüentemente tomam forma sob uma iluminação nebulosa e etérea, levando o observador a cavernas de pesadelo ou espaços mágicos de onde não há nenhum meio tangível de se escapar.  Nos últimos anos, Giger vem se transformando num mago de grande intuição, com sua arte provendo  um assombrado testemunho das potentes energias que nascem do mais profundo da psique.

Quando criança, Giger costumava construir esqueletos de papelão, arame e gesso e tinha “um considerável mal gosto por e vermes e serpentes” – repugnância esta que até  hoje se manifesta em sua pintura. Depois, já aluno da Escola de Artes Aplicadas de Zurique, ele começou a ficar fascinado por imagens de tortura e terror – um fascínio estimulado pela precoce visão de fotografias tétricas do cadáver do Imperador da China, assassinado em 1904,   e ainda pelas lendas de Vlad, o Impalador – a figura histórica na qual Drácula, o Príncipe das Trevas, foi baseado  Mais tarde, o artista foi impressionado indelevelmente pelos textos macabros de H.P;Lovecraft, especialmente seu Mito de Cthulhu e o Necronomicon.  Parte desse apelo, como ele mesmo admite, e´ que o Necronomicon,  clamava ser “…um livro de magia  que ocasionaria grande sofrimento a humanidade se caísse em mãos erradas. Isso inclui a lenda de grandes deuses de nomes impronunciáveis, como Cthulhu e Yog-Sothoth,  adormecidos nas profundezas da terra e dos oceanos, esperando o alinhamento de certas estrelas para despertarem e tomarem posse de seus domínios, o nosso mundo”.  O amigo e mentor de Giger, Sergius Golowin, foi quem sugeriu mais tarde justamente o titulo de Giger´s Necronomicon ao seu primeiro livro de arte,  uma coleção de suas imagens visionarias e esotéricas, inicialmente publicado pela Basle, em 1977 – e depois com outras edições na Inglaterra.  Muitas das mais distintas pinturas de Giger retratam sua modelo principal, a linda atriz Li Tobler, com quem ele se encontrou em 1966, quando ela tinha 18 anos e vivia com outro homem. Giger foi morar no apartamento de sótão dela e se tornaram amantes. Ele recorda que ela “tinha enorme vitalidade e um grande apetite pela vida” e que ela também desejava “uma  vida curta, mas intensa”.  Li Tobler e´ o protótipo para as muitas mulheres torturadas, mas etéreas, que habitam suas pinturas, fazendo par atormentado a serpentes, agulhas e sufocantes cavernas-prisão formada por estruturas ósseas – já prenunciando seu estilo “biomecânico” que o tornou famoso mais tarde.  O próprio e belo corpo jovem e voluptuoso de Li serviu varias vezes de tela aos aerógrafos de Giger e existem diversas fotos mostrando a posando nua, como uma mulher misteriosa emergindo de um pesadelo que possuiu a sua alma.  Infelizmente, a vida de Li Tobler foi realmente curta. Atormentada por uma estressante vida de viagens com seu grupo de teatro por todo o pais e perturbada emocionalmente pela sucessão de outros amantes, ela interrompeu tragicamente sua vida numa segunda-feira de 1975, com um tiro de revolver.  Quando eu encontrei Giger em sua casa de Zurique  em 1984, para filmar uma seqüência ao documentário de TV “A Experiência do Oculto”, ficou claro para mim o quanto ele ainda estava assombrado por Li Tobler: a simultânea agonia e trabalho de viver com ela, contribuiu para impingir  uma dinâmica de medo e transcendência   em suas pinturas, como um legado perene da tumultuada relação que mantiveram.

Giger vive hoje numa atmosfera que evoca simultaneamente um senso de magia e de paranóia. A sala principal de escadarias em sua casa de dois andares e terraço, tem as paredes cobertas por telas impressionantes, exibindo  mulheres tipo Medusa, de peles fantasmagoricamente alvas, cabelos de serpente e com seres estranhos se enroscando em volta de seus voluptuosos corpos.  Garras, agulhas, metralhadoras, espinhas e outras estruturas ósseas também constituem o aspecto central da iconografia visual de Giger.  No meio da mesa monumental que ocupa o seu living, esta´ gravado um pentagrama, bruxuleantemente iluminados pela luz de velas compridas  de um conjunto de castiçais próximos.  Uma fileira de altíssimas estantes em um canto, revela um amontoado de crânios, caveiras e até autenticas cabeças encolhidas e mumificadas de uma tribo canibal.  Uma prateleira exibe o Oscar que premiou H.R. Giger  pelos efeitos especiais de Alien, num verdadeiro tributo a sua bizarra imaginação.  Escada acima e chegamos ao seu estúdio, verdadeiro caos de tintas, pinceis e trabalhos inacabados e descartados.  Aqui, ele experimenta suas técnicas de aerografia, espreiando tinta através de grades e peças de metal funcionando como mascaras –  para obter padrões repetidos de design, luz e sombra, e texturas, tônica de sua imagística biomecanoide tão característica.  Ao final de uma comprida sala toda aberta existe uma enorme mesa negra, sustentada por pernas em bulbo, com tampo de impressionante polimento, quase um espelho. Modelada em plástico pesado, ela e´ ladeada por cadeiras altas, decoradas com caveiras e construídas para darem a impressão de vértebras distorcidas. Na cabeceira, a cadeira principal, cor cinza grafite, esta sim, construída de ossos verdadeiros.  Pairando sobre todo o cenário, um grande painel apresentando um demônio com chifres, um pentagrama prateado e muitas serpentes negras e hostis.  Indagado sobre suas “afiliações com o ocultismo” ele confirmou que, embora tenha estudado os escritos de Aleister Crowley, não pratica rituais nem se envolve com invocações de espíritos.  De toda forma ninguém poderia encontrar um templo para pratica de magia melhor que esta sala de Giger e os seres astrais que habitam suas pinturas compõem por si mesmos verdadeira legião de demônios.  Parece na verdade e´que Giger pratica a magia espontânea .  “Eu tento ir o mais próximo possível da minha imaginação” expressa o artista em seu inglês gaguejante. “Tenho alguma coisa na mente e tento trabalhar isto, numa espécie de exorcismo”.  E´ quando o débil véu que cobre sua mente e´ levemente descortinado que supitam as visões tempestuosas e impressionantes, como se os deuses da escuridão mais uma vez emergissem dos pesadelos de seu passado.

Conclusão

Como destacado desde o inicio, existe distintivos paralelismos entre Austin Osman Spare e Rosaleen Norton. Ambos foram influenciados por feitiçaria e tradições ocultas da magia oriental, ambos valeram-se de estados de transe e ambos acreditavam que o mundo dos deuses tem a sua própria intrínseca existência – servindo o artista apenas como veiculo de manifestação das energias arquetípicas, um canal inspirado. E e´ interessante que ambos empregaram técnicas de enfoque mental – usando mandingas e objetos físicos específicos para induzir o estado de transe. Como nas tradições de meditação oriental,  que utiliza um enfoque centralizado da mente e  da consciência numa intenção, como uma valorosa pratica para liberar energias psíquicas armazenadas.  H.R.Giger por sua vez,  nos prove com uma orientação de alguma forma diferente. Sua arte não deriva de estados transe  per si, mas flui de toda forma, de um tipo de exorcismo da alma.  Na Introdução a uma recente coleção de trabalhos de Giger publicada em 1991, o guru do LSD Timothy Leary confirmou o impacto da arte evocativa do pintor suíço: “ Giger, você retalha com navalha partes do meu cérebro e os molda, ainda pulsantes, sobre suas telas…Gostemos disto ou não, nos somos todos alienígenas insetóides encravados dentro de nossos corpos urbanóides. Seus cenários, seus slides microscópicos, são sinais para mutação”.

Nota: este é um trecho traduzido de  “Echoes from the Void: Writings about Magik, Visionary Art and the New Counsciousness”. Shadowplay zine – Austrália
Cortesia: www.alanmooresenhordocaos.hpg.com.br

Por Nevill Drury, Tradução: José Carlos Neves

Edição: AShTarot Cognatus