A Fraternidade Rosacruz

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Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia (EUA)

A FRATERNIDADE ROSACRUZ – FRC (inglês, The Rosicrucian Fellowship)  foi fundada por Max Heindel entre 1909 e 1911, sua sede internacional está localizada em Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia (EUA); tem uma sede central e centros de estudo no Brasil e centros em Portugal. No Brasil, na cidade de São Paulo, além de uma Sede Central da Fraternidade Rosacruz, funciona também desde 1929 a Fraternidade Rosacruciana São Paulo, instituição independente, mas seguindo o modelo da escola de Max Heindel, destinada à exposição da mesma doutrina, fundada por Lourival Camargo Pereira. Não é uma dissidência, por ser mais antiga do que a filial brasileira da escola de Max Heindel, e também não mantém vínculos administrativos.

Emblème_Rose_Croix_Max_HeindelNão reivindica o título de “Ordem Rosacruz”. Considera-se apenas uma escola de exposição de suas doutrinas e de preparação para o indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual, sendo que a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos mundos espirituais. Ao contrário da maioria das demais organizações rosacruzes, as escolas de Max Heindel se consideram indissociáveis do Cristianismo considerando-o como a única verdadeira religião universal e Cristo como o único salvador, daí ser mais propriamente chamada de Cristianismo Rosacruz, ou, por vezes, Cristianismo Esotérico. Outras organizações rosacruzes também se consideram cristãs, mas não com este ênfase.

A Fraternidade, edificada por Max Heindel como (suposto) arauto da Era de Aquário, realiza Serviço de Cura Espiritual e proporciona gratuitamente cursos por correspondência em Cristianismo Esotérico e Filosofia, Astrologia Espiritual e Interpretação da Bíblia; e os seus estudantes encontram-se por todo o mundo organizados em Centros e Grupos de Estudo.

Max Heindel

Max_HeindelDiz-se que em 1908 o seu fundador, Max Heindel, teria sido escolhido e preparado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o objetivo de revelar publicamente os preceitos da doutrina rosacruciana. Em Novembro de 1909, Max Heindel publicou o “Conceito Rosacruz do Cosmos” (que tem como subtítulo: “Tratado elementar sobre a evolução passada do homem, sua constituição atual e seu futuro desenvolvimento”), uma exposição da doutrina originalmente escrita em alemão e posteriormente traduzida para outros idiomas. Algum tempo depois, foram desenvolvidos em outros livros, conferências e lições.

A Fraternidade recomenda a seus membros sobriedade na comida, abstinência de carne, de bebidas alcoólicas, pratica de jejum, meditação, etc. Essa instituição funciona de forma gratuita, segundo o preceito: “dai de graça o que de graça recebeste”. Todas as suas despesas são custeadas com as dádivas voluntárias dos seus membros, que o possam e queiram fazer, e pelas daquelas pessoas que, não sendo membros, simpatizam com ela. Lema da missão R+C: Mente pura, coração nobre, corpo são.

A Epopéia Rosa Cruz

Saturno Yoga

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Documenta et Ritualia Fraternitatis Saturni.

Folhas para a arte oculta aplicada da vida, agosto de 1952, edição 29, 1-5 Eugen Grosche: Saturno – Yoga O caminho da luz negra.

Estes ensinamentos não se destinam a criar ou propagar um novo sistema de yoga. Eles são apenas uma combinação de alguns ensinamentos de yoga à luz do conhecimento saturniano. No entanto, eles também apontam novos caminhos que levam a picos muito altos e solitários. Eles não são destinados ao público em geral, mas servem apenas a um certo grupo de pessoas altamente espirituais para cristalizar sua personalidade ainda mais e com mais intensidade.

Saturno, o guardião do limiar, é o demiurgo de uma cristalização muito profunda e espiritual que leva ao conhecimento absoluto e, portanto, à maturidade. Sem luz sem escuridão. A luz brilha na escuridão. E a escuridão é mais poderosa que a luz! Na escuridão primitiva escura, a luz está contida desde o início. Tudo o que você precisa é de uma palavra do logotipo para acender. E isto: SERÁ LUZ!

Exigir a negação de seus sentidos dados por Deus, a fim de alcançar objetivos tão altos em sua pequena vida atual! E quem diz que pecado aqui é perverso de Deus, porque Deus o desejou e somente ele é responsável pelo amplo escopo de seu projeto. Certamente, é importante e correto trabalhar vigorosamente no polimento de sua personalidade, na maturidade de seu ego, na possibilidade dada pelo seu arcabouço dado por Deus da evolução geral da humanidade. Querer mais é um absurdo místico. – Deus também tem um rosto sombrio e claro! Embora poderoso, não é perfeito! E o conceito de divindade é indiscutível! E a divindade não é deus! Não faz sentido falar sobre a energia absoluta ou de ponto zero. Os limites do possível desenvolvimento da mente humana são dados e residem nos campos de força espacial da Terra e nas esferas do nosso sistema solar, do logotipo do sol ao logotipo de Saturno. Querer ou pensar mais é misticismo. Reconheça isso e a luz de Lúcifer tomou conta de você. O portão do Guardião se abre para você e o caminho para o Pai – para o grande Logos do Sol – está diante de você na luz cristalina do conhecimento de Saturno. É assim que o filho pródigo retorna ao pai. E toda pessoa pode seguir esse caminho se for sua vontade mais íntima. Saturno ensina o gênero duplo andrógino do logotipo do sol, que é nosso pai e mãe em um. Este é o culto mais alto do sol e serviço a Deus no conhecimento. Mas além disso está a escuridão completa da divindade inimaginável.

Regras e instruções de Saturno-Yoga

Em primeiro lugar, envolva-se em um culto regular e bem pensado com seu corpo, a fim de torná-lo saudável e mantê-lo através de cuidados corporais realizados conscientemente. Isso inclui lavagens e óleos rituais, o cuidado mais cuidadoso de todos os sentidos. Purifique o sangue e evite todos os excessos. Proximidade com a natureza através do culto ao sol, através de sucos de plantas e ginástica.

1- Treinamento consciente da vontade.
2- Ensino de duas respirações ocultas para despertar o chakra, combinado com a técnica de respiração por vogal.
3- Exercícios de concentração. Auto-sugestão.
4- Exercícios de meditação. Mantra místico. Retiro sonho.
5- Exercícios de imaginação. Treinamento de imaginação aplicado conscientemente.
6- Domínio das forças sexuais através da expressão harmoniosa. Culto ao sexo. Santificação da relação sexual entre parceiros. Reversão de polaridade consciente mútua do poder od. Sublimação do erotismo.
7- Magia prática usada para treinar sua própria personalidade e influenciar conscientemente o meio ambiente.
8- Magia astral prática para dominar a luz baixa.
9- Magia mental prática para usar poderes mentais.
10- Magia planetária prática para conectar-se a forças e entidades cósmicas superiores.
11- Criação de estados de transe para conexão com a vida pré-natal no sentido da teoria da reencarnação.

Todas essas instruções são um campo de trabalho especial em si mesmas e abrangem as disciplinas relevantes. Juntos, eles servem nesse sentido para polir a mente e toda a personalidade. Não é necessária abstinência, castidade ou abstinência, sob qualquer forma. A vontade própria e o autoconhecimento em breve são decisivos. O neófito deve aprender a estar acima das coisas! Ao fazê-lo, ele não os nega, mas os controla para seu próprio bem. Ele nunca cairá no vício porque reconhece as causas. Para ele, o termo VIRTUDE é um termo imaginário. Não está vinculado a dogmas religiosos ou éticos.

Como buscador de Deus, ele segue seu próprio caminho escolhido. Através de um trabalho sistemático em si mesmo, ele é capaz de desenvolver essas disciplinas mencionadas em si e levá-las à plena floração. Então, sua vontade de consciência se estenderá além dos reinos vegetal e animal até as esferas mais altas e será alcançada uma estreita conexão com o espírito da terra. – Os seres intermediários da luz astral o obedecem, assim como os demônios. Seu poder é quase ilimitado, desde que ele não viole as leis da harmonia. Então o conceito de bom ou ruim é supérfluo para ele. Ele se esforça para ter uma conexão harmoniosa com toda a sua alma e conduz uma química do universo consigo mesmo. Ele é conscientemente seu próprio Athanor, que faz brilhar e derreter as forças divinas e cósmicas armazenadas nele, para que as escórias da humanidade inferior caiam e ele possa entrar em esferas superiores purificadas, purificadas e consolidadas. Saturno, o Guardião, o ajuda a fazer isso.

Tradução: Frater KAOS.
Edição: AShTarot Cognatus

Símbolos Rosa-Cruzes

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O Emblema Rosa-cruz, embora com variações, apresenta-se sempre como uma cruz envolvida por uma coroa de rosas, ou com uma rosa ao centro. A rosa representa a espiritualidade, enquanto a cruz representa a matéria. Tradicionalmente, a cor da rosa é a vermelha. O sacrifício, representado pela cor vermelha, é a natureza da “crucis”.

A Rosa Cruz Hermética – Nos quatro extremos da Cruz (em cada uma das abóbodas das pontas) tem três símbolos alquímicos: Mercúrio Filosófico, Enxofre e Sal.

Também em cada braço da cruz temos um pentagrama, que representa o Homem Superior. Em cada ponta deste pentagrama temos um símbolo zodiacal (com exceção do vértice superior, cujo símbolo representa do Sol).

A parte inferior do braço descendente da cruz, esta dividido em quatro seções, cada uma preenchida com uma das cores de Malkut, do símbolo Kabalistico da “Árvore da Vida”. Essas cores são amarelo limão, oliva, rosa e negro. Por cima dessas quatro seções do braço inferior encontra-se uma estrela de seis pontas (Selo de Salomão ou hexagrama), que tem seis planetas nos seus vértices, com o Sol no centro. O hexagrama foi considerado numa época como o mais poderoso de todos os símbolos, os planetas estão colocados na ordem de certos rituais Kabalisticos que eles representam.

Os quatro raios longos que se estendem por detrás de cada braço da cruz simbolizam os raios da Luz Divina. Estes raios apresentam as letras que formam a palavra I N R I. As letras dos raios menores representam as primeiras letras dos nomes ressonantes usados pelos gregos e egípcios nas suas antigas escolas de mistérios.

O círculo central da cruz é composto por pétalas de rosas, e estão distribuídas da seguinte forma: no círculo externo temos 12 pétalas com 12 letras simples do alfabeto hebraico (que representam os 12 signos do zodíaco); o círculo mediano tem 7 pétalas com 7 letras duplas (que representam 7 planetas), e o círculo central tem 3 letras mães da Kabalah. As pétalas tem a cor da Escala do Rei, que é atribuída aos vinte e dois Caminhos da Árvore Qabalística da Vida. Ao centro desta formação temos outra cruz, amarela, com uma rosa de 5 pétalas ao centro, que representa Tiphereth, a sexta Sephira na Árvore da Vida. que é o receptáculo das forças Sephiróticas da Arvore.

Este símbolo representa a Grande Obra do Adepto. Ela é chamada de “A Chave dos Sigilos e Rituais”.

A Epopéia Rosa-Cruz

Auto-iniciação através da Magia Sexual

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Introdução

A ciência da Feitiçaria Sexual forma o arcano interno da Magia, oferecendo experiência direta de estados de ser superiores e criando uma situação onde tanto o corpo quanto a mente podem ser modificados. Esta transformação permite a manifestação da Vontade mais interna sem o impedimento do ego. O processo de auto-iniciação como ensinado pelas escolas de magia sexual não é fácil, envolvendo o recondicionamento do instinto sexual sendo totalmente alheio então às demandas de condicionamento social, operando como uma máquina programada.
Os primeiros estágios dentro dos procedimentos da auto-iniciação tântrica são os mais difíceis, pois eles envolvem a superação da maior parte de apreensões morais e preferências pessoais que todos têm, em favor de uma nova ética baseada na Amoralidade do Humano Superior. O objetivo da iniciação tântrica é alinhar o corpo com o eu superior, para ativar os diversos centros energéticos, ajustando-os para o que é conhecido como o “Animal”; uma criaturas obediente. Esta criatura deve ser domesticada para obedecer os comandos do Eu (Self) sem distinção ao gosto pessoal. O eu superior ou ‘anjo’ realiza seus comandos através da mente treinada ou Adepto e é importante para esta mente ser clara e analítica bem como aberta e intuitiva. Estas três funções, o Animal, Adepto e o Anjo são os três A da Magia Sexual. O Animal deve ser forte e obediente, o Adepto deve ser inteligente e refinado e o Anjo deve ser Pura Vontade e nada mais.

Primeiros Passos na Iniciação Tântrica

Barreiras Psicológicas

O primeiro estágio na iniciação tântrica é explorar seu próprio entendimento da sexualidade e chegar a uma nova compreensão de como você se relaciona com seu corpo e nas relações sexuais com os outros. É imperativo ao mago chegar a um entendimento de que os atos sexuais são atos de Poder, não de dominação deste poder, como a sexualidade subutilizada da Era Vitoriana, mas de poder despertando do próprio ato. Amor é um subproduto deste senso de poder e pode realmente ser sentido apenas por aqueles cuja Vontade é centrada. Todos os outros atos de sexualidade são simples evacuações do organismo. Conforme o mago explorar seu entendimento da sexualidade, o conceito de bissexualidade deve também ser explorado. Para muitas pessoas o conceito de homossexualismo parece repulsivo, ainda que possa ser prontamente visto nos trabalhos da psicologia, especificamente no de Freud e Jung, que todas as coisas são andróginas e um balanço dos arquétipos duais, principalmente feminino e masculino. Conforme exploremos estes arquétipos a tendência é manifestá-los na personalidade, primeiro, como uma tendência à androginia e, posteriormente, em direção a uma manifestação genital da bissexualidade. O conceito da Criança Coroada do Novo Aeon também tange nisto quando percebemos que Hórus é andrógino e aglutina os aspectos opostos de Ísis e Osíris dentro de seu seio e os resolve com sua própria androginia. Este conceito não é para ser tomado como questão dogmática, mas é posto em discussão como matéria de meditação e pensamento. Para preparar o estudante para o processo iniciático da magia sexual, oferecemos os exercícios das páginas seguintes. O primeiro é baseado no processo de redescoberta do corpo, aceitando-o como ferramenta mágika. O segundo é uma visualização baseada no balanço do organismo e estimulação de um potencial mais andrógino.

Concentração na Magia Sexual

Após os exercícios psicológicos básicos, o mago deve começar a trabalhar na habilidade de concentração sobre uma certa imagem e firmar esta imagem claramente em sua tela mental. Esta técnica não é simples visualização pois envolve a fixação da imagem claramente durante o ato sexual. A tarefa central aqui é criar uma dicotomia entre a atividade corporal e a da psique, para que enquanto pratica-se o ato sexual, qualquer que seja a forma que esta atividade possa tomar, a imagem possa ser claramente fixada na tela mental sem qualquer interrupção.
O primeiro passo neste procedimento é experimentar técnicas masturbatórias, não controle o corpo, deixe-se levar pelo processo físico enquanto concentra-se em algo mais. Obviamente, demorará para se atingir o ápice, contudo, acontecerá no final! A chave durante este processo é manter a mente na imagem escolhida. Você pode desejar, de primeira, começar com uma série de imagens, mesmo uma história visual conforme a eficácia aumenta, concentrando-se numa única imagem e aprendendo a fixá-la durante todo o processo, especialmente permitindo a imagem ser vista na sua mais resplandecente glória no momento do orgasmo.

Função de Múltiplos Orgasmos

A função de orgasmos múltiplos é um aspecto importante de muitos trabalhos tântricos avançados, o potencial para tanto macho quanto fêmea atingirem isto está muito além do que a maioria das pessoas imaginam. Por anos, especialmente após as revelações de Masters e Johnson, a realização do potencial feminino orgasmático tornou-se bem conhecida. Mas podemos perguntar : e como fica o macho ?
Nos anos 70 algum material tornou-se disponível a partir de pesquisas conduzidas num laboratório de desenvolvimento na América. Foi tornada pública num artigo da revista Gnostica durante Maio/Junho de 1979. A maioria dos leitores, contudo, não perceberam a importância desta mensagem.
Após muita pesquisa foi descoberto que não apenas havia possibilidade de orgasmo múltiplo masculino, mas que era possível se alcançar um estado de quase constante e contínuo orgasmo. Este estado cobre um período de tempo tal que alguns homens seriam capazes de terem mais de 500 orgasmos contínuos, acompanhados por repetidas (mas não contínuas) ejaculações. Também foi descoberto que há uma relação estatística entre a estimulação do lobo frontal, atividade criativa e orgasmos múltiplos. Foi notado que um grande percentual de adolescentes rebeldes de alto QI chegando ao final da adolescência estavam experimentando uma atividade do lobo frontal na forma de criatividade avançada. Esta estava sendo, contudo, rejeitada pelo sistema social por causa de ser causada sexualmente e tinha, em certos momentos, conotações sexuais incomuns. Deduziu-se desta pesquisa que há uma relação direta entre estados superiores de consciência e impulso sexual excessivo. Este impulso é notado na maior parte da literatura tântrica oriental e ocidental e sugere haver um método de disparar estados alterados através de sua correta utilização. Nós acreditamos portanto que é imperativo para o mago começar a experimentar técnicas de orgasmos múltiplos, estas são mais importantes do que simples exploração sexual, pois abrem portas neurais do cérebro e tornam disponíveis experiências de estados alterados.
As técnicas de orgasmo múltiplo também formam um dos primeiros passos em direção ao despertar da Kundalini e o desenvolvimento do complexo treinado Animal/Adepto para a manifestação da Verdadeira Vontade. A maioria das mulheres tem compreensão de orgasmos múltiplos pois elas não têm aquela obsessão que os homens têm de relacionar a ejaculação ao orgasmo. A ejaculação é apenas um aspecto do orgasmo mas certamente não o fim requerido.
Trabalhando incansavelmente através dos seguintes procedimentos sugeridos, é possível atingir-se uma experiência de orgasmos múltiplos e um estado de “Nirvana Orgasmático” :

1. Comece avaliando seu estado emocional, localizando quaisquer barreiras que impeçam um bom orgasmo. Muitos homens ainda sentem culpa relacionada às questões sexuais, tente resolver estas questões. (Se elas não puderem ser facilmente resolvidas, pelo menos torne conhecida sua existência para si mesmo.)
2. Crie um estado mental de satisfação, entenda que você não tem necessidade alguma de sentir-se retraído ou culpado, crie uma paisagem de energia positiva pessoal, sinta-se relaxado e esperançoso, sinta uma força e vontade internas.
3. Procure o orgasmo, tanto sozinho quanto com um amigo(a).
4. Conforme seu orgasmo se aproxima, o que parece ser seu clímax, deliberadamente abandone o controle da consciência, permita-se ser absorvido pelo orgasmo, dissolvendo os limites de seu ego na experiência orgásmica.
5. Neste ponto assegure-se de não voltar ao seu estado de pensamento normal, permita-se fluir com esta nova sensação, esqueça o passado, presente e futuro e EXPERIENCIE.
Se você se deixar levar, você começará a experimentar uma continuação do espasmo orgásmico.
6. Após a primeira experiência de orgasmo múltiplo, as coisas tendem a tornarem-se mais fáceis no processo.
Entretanto, deve ser lembrado que a chave está em deixar-se levar, deixar o ego esvair-se, com suas restrições acompanhantes e experimentar o orgasmo pelo que ele é.
Um completo estado corporal alterado de magnífico potencial.

A MEDITAÇÃO DE ÁTUM

1. Sente-se pacificamente e entre num estado de profundo relaxamento.

2. Remova as roupas, ao mesmo tempo meditando na remoção das barreiras mentais.

3. Medite na Declaração de Átum. (Declaração Pirâmide 527)

“Átum foi criativo em proceder na masturbação solitária em Heliópolis, ele pôs seu pênis em sua mão para poder obter o prazer da ejaculação pela qual havia nascido irmão e irmã, isto é, Shu e Tefnut, a criação do mundo em termos humanos.”

4. Medite no balanço dos atributos internos femininos e masculinos, criado pelo uso correto do orgasmo sexual.

5. Visualize suas barreiras sexuais sendo removidas e sua natureza como Vontade Verdadeira sendo manifestada.

6. Comece a masturbar-se utilizando o mantram ‘Humn’.

7. Visualize-se atingindo a beleza escura do espaço infinito, use qualquer gênero sexual que preferir e improvise suas próprias imagens.

8. Prolongue o orgasmo por quanto tempo for possível.

9. Alcance o orgasmo e sinta-se libertando-se de suas inibições.
No momento do clímax, utilize o mantram ‘Ghaa’.

10. Relaxe novamente num estado de silêncio meditativo e de iluminação.

MEDITAÇÃO DE ANDROGINIA ASTRAL

Esta meditação deve ser repetida por um período de tempo até que a eficácia seja alcançada. Levará mais tempo para alguns do que para outros.

1. Relaxe profundamente usando exercícios respiratórios.

2. Remova as roupas meditando na remoção das inibições.

3. Comece a masturbar-se visualizando alguém que te atraia sexualmente.

4. Conforme aumenta o ritmo masturbatório, troque o sexo da sua visualização. Transfira todos seus pontos de atração para o sexo oposto ao de sua preferência normal. Por exemplo, veja as belas pernas de uma mulher num homem, note o olhar, etc.
Durante este processo tente aumentar a excitação ao invés de deixá-la esvair.

5. Prolongue a visualização da imagem. Se necessário, retorne para a primeira imagem e então troque novamente para a segunda, continuando este “troca-troca” até que a segunda imagem possa ser sustentada com excitação.

6. No orgasmo, libere-se. Permita com que sua excitação possibilite a aceitação de excitação de uma fonte da qual no passado você não haveria obtido estímulo.

7. Continue este exercício até que você possa praticar usando imagens de ambos os sexos com excitamento físico.

8. Transfira este experimento para a prática.

Exercícios Preliminares na Magia Sexual

Os seguintes exercícios têm o objetivo de levar o mago na experiência do uso da magia sexual na atividade sexual rotineira.
O sexo é um sacramento e o corpo é nosso templo, cada orgasmo deve ser uma experiência de força e poder internos.
Nos exercícios seguintes o mago começará a experimentar algumas das várias possibilidades dentro da antiga arte do sexo.
Os exercícios estão divididos em três categorias :
1. Individual
2. Casal
3. Geral
Quando for especificado o uso de casal, eles podem ser de qualquer orientação sexual, entretanto, a pessoa a trabalhar com você deve ser, pelo menos, concordante ao seu envolvimento com magia, se não desejar experimentá-lo com você.

EXERCÍCIOS INDIVIDUAIS

1. Sente-se num estado meditativo, nu.
Medite no seu estado de nudez, chegue a uma experiência de como o corpo se sente, note movimentos internos, sensações, note o efeito de elementos externos no corpo, a brisa que passa e por aí vai. Torne-se consciente de seu corpo e então prossiga.

2. Experiencie seu próprio corpo.
Explore as várias áreas de seu corpo com cuidado e curiosidade, usando óleo ou creme passe suas mãos por todo seu corpo e experiencie-o plenamente.
Explore as fendas conforme você se torna sexualmente estimulado, explore seu orgasmo sexual, leve-se vagarosamente ao orgasmo experienciando seu corpo e atingindo uma melhor compreensão de suas ações e reações.
Termine a sessão com um longo banho relaxante.

3. Sente-se num estado meditativo.
Comece a vibrar palavras de poder, comece com, talvez, Aum e então prossiga para palavras como Thelema, Agape, Abrahadabra, etc.
Vibre estas palavras, cante estas palavras, adentre numa experiência sonora, varie a altura do som e mova a vibração. Sinta o som sendo transferido do órgão para o orgasmo, experiencie-o como um estimulante sexual e use o som em conjunto com a masturbação para aumentar a força do orgasmo.

RESPIRAÇÃO E MANTRAS NA EXPERIÊNCIA
SEXUAL SOLITÁRIA

1. Sente-se com a cabeça reta e o abdome vazio, a espinha deve estar ereta e a mente alerta, mas relaxada.

2. Inspire pelo nariz, preencha os pulmões completamente, visualizando os mesmos cheios de Fogo Cósmico.

3. Expire todo o ar usando os músculos do abdome e o diafragma, sinta o fogo deixando o corpo, embora reste um resíduo nos pulmões.

4. A respiração deve ser rítmica, contínua e cíclica, sentindo que o resíduo ígneo aumenta a cada ciclo.

5. Conforme o fogo aumenta, assegure-se de manter a respiração num ritmo calmo.

6. Sinta o fogo acumulado explodindo pelo corpo estimulando todos os órgãos, especialmente aqueles de natureza sexual. Continue até que um estado de tensão e êxtase sexual intervenha, dando seqüência ao mesmo com um mantram específico e o ato sexual.

OS MANTRAS MURMURANTES

Humm… primeiramente baixo e então aumentando a altura, sinta o corpo tornando-se vivo com o som monótono. Aumente a sensação durante a experiência sexual.
Um procedimento para os mantras murmurantes poderia ser assim :

1. Pressione a língua contra o céu da boca, aperte o abdome para dentro e para cima.

2. Comece a murmurar suave e calmamente, aumentando em ritmo e volume.

3. Aumente o som até que todo seu corpo pareça vibrar num estado extático. Prossiga com a experiência sexual.

Mantras específicos devem ser usados em conjunto com os procedimentos dados. Alguns mantras murmurantes orientais excelentes são :

Humn / Yungm / Ghaa Mantras usados para rejuvenescimento
sexual.

Humn / Ghaa Humn é para ser usado no congresso sexual
e Ghaa para o orgasmo.

Hunga Este mantram estimulam o chakra básico.

Linga Este mantram estimula as emoções através
do chakra cardíaco.

OS MANTRAS SONOROS

Comece com os mantras murmurantes e então conecte os sonoros com os daquela natureza. Por exemplo, você pode ouvir um som de abelha enquanto murmura, portanto oriente a sonorização para sons de abelha.
Flua com as variedades de som e você se pegará experimentando um largo espectro de estados alterados e experiências.
Esta técnica pode ser adaptada para qualquer experiência sexual, contudo, maestria individual deve ser alcançada primeiro.

EXERCÍCIOS EM CASAIS

Os três primeiros procedimentos esquematizados abaixo têm o objetivo de ajudar casais desenvolverem concentração de uma ordem superior. A importância disto é criar uma dicotomia entre o corpo e a psique para eles poderem controlar seus corpos enquanto suas mentes se concentram na magia.

1. Criaturas Imaginárias

A. Sente-se de frente para seu parceiro, ambos nus.
B. Induza um estado de relaxamento.
C. Pare durante o ato e imagine um elefante cor-de-rosa passando, enquanto ambos viram-se para vê-lo, continue com o ato sexual, evitando conversar.
A chave aqui é que a atenção está no elefante, não no ato sexual.

2. Conversação

A. Faça o mesmo que no exercício um.
B. Agora, no entanto, vocês devem iniciar uma conversa e mantê-la duma maneira coerente até pouco antes do orgasmo.
C. No orgasmo, pare a conversa e jogue-se no orgasmo como se você tivesse disparado um segundo reflexo.

3. Exercício Humorístico

Use as mesmas técnicas mas agora faça uso do humor numa tentativa de afastar o foco para a psique e permitir que o corpo trabalhe automaticamente.

ROTINA SEXUAL PARA NOVE DIAS

Primeiro Dia
– Um centímetro de penetração, conservando-a desta maneira.
– Atinja o orgasmo por exploração corporal e masturbação.
– A penetração não deve ser mais profunda do que especificado.

Segundo Dia
– Como no primeiro, exceto que agora deve-se manter o pênis ereto e em posição por dez minutos ininterruptos.
– Não atinja a ejaculação.

Terceiro Dia
– Sem atividade sexual.

Quarto Dia
– Como no segundo dia.

Quinto Dia
– Use masturbação acompanhada por meditação na União Cósmica de Therion e Babalon (Shiva e Shakti, ou qualquer equivalente que preferir).
Veja seus papéis refletidos no interior de um e do outro e nos seus interiores.

Sexto Dia
– Faça como no primeiro dia, mas mantenha a posição por pelo menos meia hora e no máximo uma hora.

Sétimo Dia
– Realizem o congresso sexual meditando na sua união como a união das duas metades que existem dentro de cada um de ambos.

Oitavo Dia
– Como no sétimo dia, mas explorando orgasmo múltiplo.

Nono Dia
– Retorne para a atividade “normal”.

O Procedimento do Congresso Sexual

Durante os dias sete e oito o seguinte procedimento deve ser usado. Pode também ser explorado durante a prática diária do sexo.

1. Entre em relaxamento profundo.

2. Visualize ambos como encarnações da formas de deuses escolhidos (Therion e Babalon, Shiva e Shakti, etc.)

3. Vibre energia através dos chakras, concentre-se no chakra básico.

4. Vibre o mantram ‘Humn’.

5. Aumente o som do mantram conforme começar o intercurso.

6. Penetre com o som de ‘Humn’ sendo aumentado. Alcance o orgasmo com o mantram ‘Ghaa’.

7. Retorne para o estado de relaxamento.

Conclusão

Todos estes exercícios formam os passos preliminares na Magia Sexual. Experimente-os, torne-os seus. Através destas experiências você deve ter uma ideia do potencial do organismo humano quando usado com intenção mágica. Conforme progredirmos, serão delineadas as técnicas avançadas e serão dados os procedimentos de como a magia sexual pode ser usada para otimizar e acentuar a maior parte das operações mágicas. Lembre-se sempre que o corpo é um Templo vivo e os órgãos sexuais, seu altar.
Para alguns Magos, o uso do corpo pode levar algum tempo, isto é comum. O processo da Magia Sexual pode ser usado por todo Mago não importando o tamanho, a forma ou antecedente pessoal. Os Mistérios da Magia Sexual trabalham pelo seu próprio poder interno e todos os magos os acharão eficazes. Parecerá difícil, para a maioria, num primeiro momento, de diferentes formas, mas conforme a experiência acontece e se desenvolve, os medos cairão e uma nova força interior ascenderá…e este é o começo da iniciação.

 

Baphomet – uma nota no nome – Parte III

A Tradição fala de uma comunidade que venerava a deusa numa área do que é agora o Norte da Escócia. Acredita-se que esta comunidade constituiu os antepassados dos ‘Pictos’, e estava baseada perto do rio Oykel. A forma Latinizada do seu nome, dada por Ptolemeu, era Smertae, que significa ‘manchado’ ou ‘povo tingido’.
O nome pelo qual esta comunidade conhecia a deusa não está registado, mas em inscrições Gaulesas existem referências a uma deusa da guerra chamada Rosmerta. O nome dela significa ‘a grande deusa tingida’ – isto é, manchada com sangue. É bem possível que os Smertae estivessem relacionados com a sua veneração, e dizia-se que eles se costumavam pintar ou tingir a si próprios com o sangue dos seus inimigos, na sua honra.

Um facto interessante, outro povo que vivia perto da região dos Smertae durante a mesma época, era conhecido por um nome que é traduzido como o ‘povo gato’ (ver Nota ao Nome II).

Traduzido por Alektryon Christophoros
Adaptado para o português brasileiro por AShTarot Cognatus

– Ordem dos Nove Ângulos –

Baphomet – uma nota no nome – Parte II

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Existe uma tradição respeitante à origem do nome Baphomet que merece ser registrada, mesmo que não seja autêntica, não tendo quaisquer defensores atuais.
Esta tradição encara o nome como derivando de  [boubastis] – o nome Grego para a deusa egípcia Bastet, registada por Heródoto (2137 ff). É interessante que Heródoto identifique a deusa com Ártemis, a deusa da lua. Bubastis era vista como a filha de Osíris e Ísis e frequentemente representada como uma fêmea com a cabeça de um gato – os gatos eram considerados sagrados para ela. Ártemis era uma deusa não movida pelo amor e era vista como a irmã gémea de Apollo (a identificação dela como uma ‘deusa lunar’ derivou naturalmente disto já que Apollo estava relacionado com o sol). Tal como Apollo, ela frequentemente enviava morte e pragas, e era por vezes presenteada com sacrifícios.
É interessante que (a)  [boubasteia] é o nome Pitagórico para ‘cinco’ [vide Iamblichus: Theologumena Arithmeticae, 31] – talvez uma ligação com o ‘pentagrama’?; (b) dizia-se que os Templários, com os quais o nome Baphomet é associado, veneravam a sua divindade sob a forma de um gato.
***
A tradição registada acima, e a descrita na parte 1, ambas representam Baphomet como uma divindade feminina – e ambas são tradições esotéricas, portanto não registadas. É possível que ambas estejam corretas, isto é, que o _nome_ Baphomet deriva (tal como mencionado na parte 1) do Grego  [baphē mētra]: referindo-se o prefixo a estar manchada ou molhada em sangue. O sufixo deriva de ‘mãe’ ou ‘senhora’ usado num sentido religioso (vide Iamblichus ‘De Mysteriis’). Este nome – Baphomet – é portanto descritivo para a deusa “sombria” (lunar), a quem sacrifícios eram feitos, e que era na realidade conhecida em tempos antigos como ‘Bubastis’ – isto é, Bastet, para a qual os gatos eram sagrados. Assim, Baphomet podia ser vista como uma forma de Ártemis/Bastet – uma divindade feminina com um lado ou natureza ‘sombria’ (quando vista segundo a moralidade convencional) a quem sacrifícios eram, e continuam a ser, feitos. A tradição Sinistra vê Baphomet como a esposa de Satanás/Lúcifer – isto encaixaria bem uma vez que Lúcifer é frequentemente visto como uma forma de Apollo: Ártemis é a forma feminina (‘irmã’) de Apollo. Aqui, deve ser lembrado que tanto Apollo como Ártemis não eram divindades etéreas, morais e sublimes (os deuses clássicos foram romanticamente mal interpretados) – eles podiam ser, e eram frequentemente, mortais e ‘sombrios’: ambos ‘sinistros’ e ‘luminosos’.

Traduzido por Alektryon Christophoros
Adaptado para o português brasileiro por AShTarot Cognatus
– Ordem dos Nove Ângulos –

Uma entrevista sobre Bruxaria Tradicional

StPeter

Estátua do Santo Chifrudo Pedro feito por Troy Chambers do Wolf & Goat 

Introdução

“Oh glorioso São Pedro, Príncipe dos Hereges, a quem o Senhor Chifrudo escolheu para ser sua Máscara Diabólica, entregou as chaves dos Reinos dos Céus e dos Infernos e constituiu pastor universal de todos os exilados, queremos ser sempre vossos companheiros e filhos.”-Oração a São Pedro dentro da Bruxaria Tradicional

 

A crença em Bruxaria está enraizada no imaginário humano. Primeiramente como um culto pagão, logo após na Idade Média se tornou um culto demoníaco, entre tanto suas raízes nunca chegaram a ponto algum. Digo por, ser uma crença essencialmente marginalizada, aonde os praticantes mesclavam vários cultos e praticas de diferentes povos e gerava um conjunto próprio de praticas, denominado Tradição.

Porém, muito antes de Gardner plagiar descaradamente o material pesquisado e divulgado de Charles G. Leland e então, criar seu próprio culto moderno da bruxaria, a atual Wicca, houveram vestígios de algo mais selvagem como o próprio Leland deixou em seu livro, “Aradia: Evangelho das Bruxas”, escrito em 1899 aonde as bruxas italianas, denominadas Stregas, reverenciavam na Lua Cheia, Lúcifer e Diana, mesclando com encantamentos com santos católicos até evocando o célebre Cain, o primeiro assassino, ao qual tem papel fundamental dentro de vários ramos de bruxaria tradicional.

Para entendermos a um pouco sobre a Bruxaria Tradicional e sua visão, a equipe da Morte Súbita Inc. entrevistou  Draku Qayin um bruxo iniciado em várias linhas de Bruxaria Tradicional e que nos elucida um pouco sobre esse assunto tão sombrio e mal interpretado.

A Entrevista

As pessoas em magia fazem mistério com pouca coisa quando o assunto é Bruxaria. 

D.Q.:  O cara que cunhou o termo “bruxaria tradicional”, o Cochrane, dizia: Não existe segredo, os Mistérios estão todos ai, para quem tiver olhos pra ver.” Eu guardo claro, alguns fundamentos e tal de algumas coisas que recebi, por questões de juramento, mas detesto fazer “misterinho” com aquilo que está aí, disponível para quem quer ver. E po**a, eu adoro conversar sobre isso com quem é do meio. Feitiçaria, literatura e cinema de horror… Meus assuntos favoritos.

É legal justamente para podermos trazer a luz para as pessoas do que é realmente bruxaria, porque é incrível por mais que haja material, grupos e afins, parece que o assunto não saiu completamente da marginalidade.

D.Q.: Sim e eu acredito q de certo modo nunca vai sair…. As artes feiticeiras sobreviveram exatamente por estarem às margens.


A Bruxaria Tradicional se desapega da visão, digamos “pink” que muitos praticantes da Wicca utilizam/comercializam.

D.Q.: Sim, eu concordo… A bruxaria chamada de “tradicional” tem muito mais a ver com o imaginário medieval da bruxaria do que com essa visão neopagã de “bruxa boazinha”. Existem as adições recentes, obviamente, mas a estrutura, a forma e função, o mito-drama, é bem mais bruxaria, diabólica, um ethos muito próprio.


E qual vertente você está trabalhando hoje em dia?

D.Q.: Eu inspiro minha prática principalmente no trabalho da Cultus Sabbati… Não sou membro da CS. Mas já há alguns bons anos, minha prática é guiada pelo trabalho da CS. A CS é uma ordem inglesa de traditional craft… O trabalho deles é bem interessante, na minha opinião, refinado e um tanto complexo… Além do ethos de bruxaria inglesa per se que vem das duas linhagens que o fundador, Andrew, recebeu, há uma gama de influências de magia bem interessantes, uma das principais é inclusive o Spare.

Eu estava lendo no seu blog, sobre o seu Familiar que era um sapo. Como é isso? Como funciona os familiares?

D.Q.: O Pedroca (risadas)… Ele morreu em 2013. Hoje só me resta a pele e os ossos dele. Então, o Pedro é meu familiar… Quando eu o peguei ele era filhote, e realizei os sacramentos com ele pra que  o meu demônio familiar habitasse nele… Com a morte dele, usei os ossos pra fazer um fetiche pra continuar com o demônio… Ele, no caso, é um familiar específico de proteção e de guia nos sonhos. É um lance bem herético… Você rouba hóstia na missa pra dar pro animal, parte do processo que eu posso revelar pra adquirir o familiar é dar a hóstia, batizar o animal com água benta, e depois pelo resto da vida do animal, alimenta-lo numa dada época do mês com o próprio sangue do feiticeiro.

 ¹ Texto citado aqui http://www.fortunacaelestis.com.br/2014/07/sapos-bruxaria-tradicional.html***

O Baphomet entra na sua pratica?

Baphomet

Baphomet no Museu de Bruxaria e Magia da Inglaterra

D.Q.: Baphomet é tido como um ícone bem importante na prática sabbatica…É o “bode do sabbat”. No grimoire Azoetia, q antecede o Dragon Book, há uma bela conjuração para o ícone baphometico… A feitiçaria sabbatica parte de um princípio muito transcendental e quintessencial, onde absolutamente qualquer ícone/ídolo/deidade/avatar de qualquer “fé dos homens” pode ser usado como “vaso” para os próprios poderes da corrente sabbatica. E, Baphomet é um ícone extremamente “sabbatico”.

 

Vamos explorar mais então sobre a Lilith – qual é a visão da Bruxaria tradicional sobre?

D.Q.: A Bruxaria Tradicional é um termo bem genérico pra caracterizar diversos tipos de “bruxarias” normalmente de origem européia, então existem grupos, linhagens, clãs, onde Lilith não faz parte… Por outro lado, existem aqueles em que ela é a figura central do “culto”, como a Igreja Romana de Lilith na Itália por exemplo, que é uma forma de feitiçaria tradicional totalmente Lilithiana. Na bruxaria sabbatica, Lilith é mega importante. Conhecida também por Liliya-Devala, Lilith é tida como a Witch-mother, A Rainha do Sangue-bruxo, Ela seria a “Deusa” das Bruxas…. Como dentro deste tipo de linhagem se acredita que ser bruxo é algo q nasce com você e não uma escolha…

É dito q os bruxos são “mestiços” de humanos e anjos ou demônios ou “fadas”, Lilith, como mãe dos demônios, é também é a mãe da Raça Bendita e Maldita, mãe dos bruxos.

¹ No Zohar, a mãe de todos os Bruxos é Naamah. Ela se deitou com os anjos Aza e Azael e deu a luz a todos os espíritos caídos e bruxos. Zohar – Beresheet 6:1-4
² Em algumas tradições são reverenciadas as duas, Lilith e Naamah/Nahemah. Em outras, Naamah e Tubal Cain.

Você comunga dessas crenças de mestiços? Elas me lembram os nephilins hebraicos e a descendência de Naamah após seu coito com azazel

D.Q.: Sim, sim… Naamah, Azazel, Agrath, Lilith… Todos fazem parte do “panteão” sabbatico. De fato, na Arte Sabbatica existe um panteão de 16 deidades, chamadas de Deidades Fiéis… 8 casais… Que são provenientes da demonologia… Liliya-Devala, Mahazhael-Deval (a Soberana Rainha Bruxa e o Soberano Man in Black)… Depois temos… Yemeloi Lucifera e Tubalo Lúcifer, Zhamael e Naamah, Ash’Modai e Azh’Tera, Mahalet Rahab e Azhazhael, Ruha Az’ra Qarina e Qafa Az’ra Mekek, Azhael e Agrath e… Qinaya Habil Zhiva e Lilis Zharial.

Todos sendo “emanações” específicas de poderes “sem nome”.

¹ Conceito utilizado pela Qabalah Hermética também, aonde todas as forças emanam de uma única fonte, sem nome e impossível de ser compreendida pelo ser humano.

Já vi sobre Zhariel em outros lugares, o que pode mais falar sobre ela?

D.Q.: Então, eu já vi Zhariel em mitos como sendo um demônio filho de Lilith com Samael… No caso específico da tradição Sabbatica, todos esses nomes demoníacos são atribuídos aquilo que são chamados de “Deuses Sem Nomes”, onde tais nomes são dados pelo praticamente baldeado especialmente no imaginário medieval da bruxa e por sua vez na demonologia… O nome é dado aos “sem nome” para que o praticante tenha uma percepção simbólica do que aquele poder representa, do que ele é. Na Sabbatica, Zhariel é associado com o nome Lilis… Lilis Zhariel (ou Zharial) que é uma das oito manifestações ou emanações da Witchmother. No caso, Lilis Zhariel seria a witchmother relacionada com o Mistério dos Mortos, da Morte, do Retorno dos “Mortos Vivos”, e é a deidade patrona, junto de Qinaya, do período em que que outras correntes chamam de Halloween, Samhain e que para a tradição sabbática é chamado de Rito Ancestral ou HUA.

 ¹ Zariel, Zhariel, Zhariela ou Ziriel é a Senhora dos Espelhos em algumas tradições de bruxaria também. O autor da entrevista por ser ligado a uma dessas tradições, fez uma citação a essa demônia.

Que interessante essa visão dela, há conheci a alguns anos e achei legal o destaque que ela recebe. E em relação a santos católicos, eu pude ver um texto teu relatando o São Pedro – como uma máscara do deus chifrudo – qual a ligação dos santos com a bruxaria? E como é o trabalho com essas entidades?

D.Q.: Então… Primeiramente a bruxaria como um fenômeno nascido na Europa e na idade média (e não essa visão de culto antigo, pagão, etc)… Ela nasce como a própria heresia cristã. Até brinco que no fim das contas, a bruxaria nasce por causa da igreja. Muitos bruxos trabalham com Santos católicos, isso é fato… É dito que quando uma fé/crença/religião é muito forte, tem muitos seguidores… Muito poder é gerado pela fé dos seguidores e quanto mais “algo” é cultuado, mais poder é gerado pela fé das pessoas que cultuam esse “algo”. O bruxo, em sua astúcia, se utiliza desse poder… Ele “rouba” esse poder e alinha esse poder para o Intento próprio da Arte dele… Principalmente com foco na fé predominantemente da terra em que ele habita. Os santos são cultuados há séculos, por milhares de pessoas… Logo, partindo do princípio acima, há muito poder na “imagem” de um santo católico (independente dele ter existido ou não, o que importa aqui é a quantidade de Poder/Energia que os fiéis geram para esse “ícone”.)

O bruxo, como bom filho do Diabo, como um bom “trickster” vai lá e utiliza da imagem do Santo, alinhando o poder gerado pelos fiéis ao seu próprio propósito… Então um santo pode ser usado como um sincretismo, ou pode ser usado como um “vaso” para um espírito específico ou mesmo como uma “fonte de poder” (como uma bateria, bateria essa alimentada pela crença que milhões de pessoas depositam nesse Santo)

¹ texto ao que o entrevistador se refere http://www.fortunacaelestis.com.br/2014/06/sao-pedro-idolatria-bruxaria-tradicional.html
² Dentro de toda bruxaria européia, principalmente a Italiana, o culto a Santos Católicos existe.

É um conceito da magia do caos também.

D.Q.: A obra de Spare influenciou MUITO a obra do Andrew (fundador da Cultus) para a vertente tradicional, a bruxaria é sim uma heresia cristã.

Você se referiu sobre o bruxo como filho do diabo, e o diabo como o trickster. O que é o Diabo para a bruxaria? Como ele é visto ou como trabalhado?

D.Q.: O Diabo é o intercessor entre o bruxo e o mundo espiritual… ele é MUITO semelhante ao Orixá Exu e ao lwa Papa Legba, é ele quem guarda os caminhos, a entrada, o portal, ele é o Instrutor, o “professor”e o psicopompo.

Então ele é cultuado? Existem oferendas a ele? Alias, ele possui algum nome ou é chamado apenas de Diabo?

D.Q.: Ele é acima de tudo o Iniciador… Aquele que testa o bruxo através de provações e ordálias. Ele também é o companheiro da Rainha, e como tal assume entre outros nomes o nome de Mahazhael-Deval. Sim, ele é cultuado como o Opositor e “guia” do caminho. Assim como Exu, ele é normalmente o primeiro a ser chamado, pois ele que abre o caminho. Oferendas são variadas, uma muito comum é o sacrifício de um galo.  Ele assume outros nomes, Tal qual Apethiui. E em outras linhagens, ele tem nomes específicos. Ele é uma força primitiva Selvagem, atávica, que tem características de diversos “deuses chifrudos” e com o advento do Cristianismo ele passou a vestir a “roupa” de Diabo.


Ele possui alguma ligação com o Deus de Chifres da Bruxaria Moderna, ou são formas distintas?

D.Q.: Eu acredito q o Deus Chifrudo da Wicca foi inspirado no Diabo, assim como a Deusa da Wicca foi inspirada na Rainha de Elphame/Witchmother/Lilith, o que Gardner fez foi deixar o Diabo mais “light”.

Ou seja, o termo “moderno” que a Wicca usa seria um jeito de disfarçar as raízes selvagens da Bruxaria Tradicional?

D.Q.: De certo modo sim, a Wicca tem algumas coisas que também se encontra no que se chama de BT. Mas… são similares na ponta do iceberg, exemplo mesmo é o Diabo. O Diabo “sempre foi” o Mestre das Bruxas no imaginário medieval, o que Gardner fez foi pegar essas diversas “imagens” do imaginário e tentou organizar isso como uma religião mais pagã e mais “boazinha”.

Isso me lembra os sabbaths do Mestre Leonardo.

D.Q.: Sim, um dos nomes do Diabo um dos muitos nomes que ele tem é Mestre Leonardo!  Muitos nomes de uma força sem nome,  Lovecraft o chamaria de Nyalarthotep, The Man in Black, que é um dos títulos tradicionais Dele e, assim como Nyarlathotep é o emissário dos Old Ones, o Diabo é o emissário dos “Deuses Anciãos”. Deuses Anciãos são deuses que estão acima dos deuses mortais dos homens.

Na bruxaria, existe algum modo especifico de se contatar espíritos?

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Dragon Book of Essex

D.Q.: Diversos modos… um exemplo clássico é o transe causado por substancias alucinógenas (ou enteogênicas), o famoso “Vinum Sabbati” por exemplo ou o Unguentum Sabbati são apenas dois exemplos, de diversos modos que são usados para se alterar a consciência para contatar espíritos. Há também a possessão. Tomando a Cultus Sabbati como exemplo… No Dragon Book existem rituais GIGANTESCOS, coisa de 6 a 8 horas de duração, uma das principais funções disso é levar a exaustão que vai fazer com que o bruxo altere sua consciência e atinja o “vôo ao sabbat” vou usar uma linguagem bem vulgar, bem mundana, você está lá no tal ritual a horas e horas e acabou o ritual… Você tá exausto foram 6 horas de ritual e sua mente está completamente “embriagada” de tanta simbologia, você literalmente cai e dorme… e então acessa o sabbat através do sonho lúcido e é a mesma coisa… Cada grupo/linha/individuo tem suas técnicas para isso… O Clan of Tubal Cain por exemplo, se utiliza de dança e técnicas respiratórias pra atingir transe, a maioria das “bruxarias” tradicionais que eu conheço usam venenos/enteogênos as vezes, combinações de coisas ritual extenso… Repetição de “mantras”… Dança… E Alucinógeno… Tudo também vai depender de qual é o intento do trabalho…

Sobre o Tubal Cain quem é ele na bruxaria e qual a relação dele com Naamah.

D.Q.: Então… A gente tem que ir lá pro Caim inicialmente, Caim é considerado o primeiro feiticeiro, o primeiro assassino, o assassinato de Abel é tido como o assassinato do próprio “eu profano”, veja que … Caim é uma figura MÍTICA, que simboliza exatamente o atavismo do sangue-bruxo e não é visto como uma figura literal, como praticamente toda a Bíblia, uma metáfora, uma parábola, Tubal-Caim seria um “estágio” avançado, ele é o primeiro ferreiro. Enquanto Caim é o primeiro agricultor, Tubal é o primeiro ferreiro. Tubal Caim é descendente de Caim. Naamah é irmã de Tubal Caim, descendente de Caim e também é aquela que “seduziu” o Anjo-Bode mais uma vez encontramos os “mestiços”… Cruza de anjo com humano… Naamah é vista não só como um “avatar” de Lilith como é, para a bruxaria sabbatica, uma das 16 Deidades, para o Clan of Tubal Cain, Tubal é o Velho Ferreiro e o próprio Chifrudo e… Claro, que há tipos de “bruxaria tradicional” em que essas figuras não fazem parte do corpus “mítico”Caim (e, posteriormente Tubal-Caim) é então o primeiro feiticeiro, aquele que fez o primeiro sacrifício, aquele que matou seu “eu profano” para se tornar um feiticeiro… E é um simbolo atávico de todo o sangue-bruxo… Logo, todo feiticeiro verdadeiro “é Caim”. Eles são irmãos e ao mesmo tempo o casal mítico ao qual trabalhamos.

http://www.fortunacaelestis.com.br/2013/11/um-rito-para-caim-o-primogenito-do.html

E Naamah? Conte mais sobre ela

D.Q.: Ela é a tecelã,  então tem toda uma relação com a Roda… que por sua vez é ligada a Fortuna/Sorte/Destino. Ela é tida como um aspecto “dama” da Rainha. A Triplicidade da Rainha é conceito tradicional que foi assimilado pela bruxaria moderna então enquanto Lilith/Liliya-Devala é a Rainha em sua forma Suprema… Na’amah, Rahab e Agrath são respectivamente a “Dama/Donzela”, a “Mãe” e a “Velha” (isso claro, dentro da visão da Cultus Sabbati) então Na’amah, Rahab e Agrath seriam as três facetas de Liliya.

Existem graus dentro da Bruxaria tradicional? Como alguém pode aprender?

D.Q.: Depende… Depende do grupo, depende da linhagem, existe uma linhagem inglesa, chamada Black Boar (Javali Negro), que é uma das linhagens bruxas da Cultus Sabbati… Nela há 3 graus, igual algumas linhas da maçonaria, já a Red Serpent uma outra linhagem da Cultus, não existem graus. Seja sendo convidada para um grupo normalmente (diz a tradição que se você pede pela iniciação, pede pra entrar num grupo, o pedido é negado) você tem que ser convidado ou você pode aprender através de uma única pessoa, um bruxo que te aceita como aluno. Isso é muito particular de cada grupo, cada linhagem, cada clã,  além claro de diversos praticantes totalmente solitários que aprendem “direto” com o Diabo… O que é muito comum, até mesmo nos relatos.
Você leu o texto do sapo, certo? Existe aquela iniciação solitária (diferente de auto iniciação) que eu cito dos Toad Men, uma pessoa que vai lá nunca foi “iniciada” em grupo,  pega e faz o rito, e tem sucesso em concluir o rito (porque se qualquer etapa do rito não der certo, a iniciação não acontece) é dito pelo folclore que a pessoa recebe o poder, é iniciada pelo próprio Diabo, então há vários caminhos para se aprender as Artes Negras.

Considerações Finais

tumblr_penfwomZyo1scm8f3_1280.jpgEm primeiro lugar, a equipe Morte Súbita Inc. agradece o Draku Qayin.

O quadro ao lado, é o Sabbath das Feiticeiras como acreditado pela Idade Média. Nele, as Feiticeiras aprendiam magia negra direto com o Diabo, chamado de Mestre Leonardo e em troca de fetos de cabritos, realizavam suas magias. Como citado pelo Draku, isso de certa forma nem é tão absurdo, já que muitos praticantes de Bruxaria Tradicional aprendem e desenvolvem suas tradições através do que aprendem com o próprio Diabo, porque no fundo, o tradicional existe e não existe – ele é levado para o mundo dos mortos e volta por novos bruxos, novas pessoas que possuem o Sangue ou a Marca.

A Marca ou o Sangue é uma crença encontrada em várias vertentes de Bruxaria Tradicional. Na Stregheria, acredita-se que o sangue de strega é passado em geração em geração, podendo até pular uma geração, aonde são feitos testes para saber se a criança é ou não strega. Algumas vertentes de bruxaria germânica acreditam numa marca ao qual reconhecem os membros perdidos das tribos Aesir ou Vanir.

A Bruxaria retratada pelo Draku, é derivada de uma vertente inglesa, a Cultus Sabbatis e crê que no sangue, que bruxos são em essência filhos de anjos com homens. Crenças variadas retratam no fundo uma mesma ideia – de que existiram fornicações entre homens e espíritos, interpretados de diversas maneiras ao redor do mundo. E o renascimento de pessoas que teriam essa essência espiritual, rotulada como sangue de Caim ou marca, mas que no fundo apenas mantem a chama daquelas que não morreram pela inquisição.

E os Bruxos Tradicionais ainda vivem.

Ainda se encontram em vôos astrais e aprendem com El Dieguito na Espanha, Master Leonard na Inglaterra, The Man In Black, Aquele que Está na Encruzilhada, entre inúmeros outros nomes que o Diabo tem e assume pelo mundo.

E com grande honra, nós praticamos o Osculum Infame n’Ele.

Equipe Morte Súbita Inc.

O Colégio Invisível

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Na Praça da Greve, em Paris, um belo dia aparece o seguinte manuscrito: “Nós, deputados do Colégio Principal dos Irmãos da Rosa-Cruz, fazemos estada visível e invisível nesta cidade pela graça do Altíssimo, para o qual se voltam os corações dos justos. Mostramos e ensinamos, sem livros nem marcas, a falar todas as línguas do país onde queremos estar, para tirar os homens, nossos semelhantes, do erro e da morte”.

Há quem faça uma aproximação com a Escola dos iluminados árabes, discípulos de Abd el Kadir Gilani, em Bagdá no séc. XII. Este personagem foi o fundador de uma Ordem que subsiste ainda, e convidava os seus adeptos a seguir a “via da rosa” (em árabe = sebir-el-uard). Curiosa coincidência: Sebil pode traduzir-se, em certos países orientais, por cruz. Os Alumbrados (Iluminados da Espanha), exterminados pela Inquisição, teriam, então, dado origem aos Rosa-Cruzes.

A Fraternidade Rosa-cruz, segundo a concepção de seus primevos criadores, funcionaria tendo os seguintes seis preceitos e regras básicas, a serem estritamente observados:

  • Estavam proibidos de exercer qualquer profissão, a exceção daquela que curaria os enfermos, e isso a título de caridade.
  • Não deveriam usar trajes que os distinguissem da população local, como acontecia com o clero e ordens religiosas, mas antes, deveriam passar como se fossem habitantes dos locais onde eles estivessem.
  • Todos tinham a obrigação de estar presentes em um dia previamente marcado, denominado de “Dia C”, para reunirem-se anualmente na sede do Templo do Espírito Santo. No caso de impossibilidade, explicar por escrito o motivo da ausência.
  • Cada Irmão Rosa-cruz deveria procurar e, no caso de encontrar, informar a existência de pelo menos uma pessoa de valor que pudesse sucedê-lo, quando necessário.
  • As Letras CR seriam o selo maior de reconhecimento.
  • A Confraria deveria permanecer oculta por pelo menos um século.

Todos os Irmão Rosacruzes daquela época juraram absoluta fidelidade a esses seis preceitos.

A Ordem Rosacruz pode ser compreendida, de um ponto de vista mais amplo, como parte da corrente de pensamento hermético-cristã. Nesse contexto, é clara a influência do Corpus Hermeticum que, após 1000 anos de esquecimento, foi traduzido por Marcílio Ficino, a figura central da Academia Platônica de Florença, em 1460, por encomenda de Cosimo de Médici. Nas “Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz”, é dito que “Hermes é a fonte primordial”.

A própria maçonaria adotou o título de “Cavaleiro Rosa-Cruz” homenagear seus irmãos maçons que eram rosacruzes, para 18º do Rito Escocês Antigo, para o 12º grau do Rito Adonhiramita e para o 7º grau do Rito Moderno ou Francês. Também na Franco-Maçonaria foi instituído o grau de “Cavaleiro Rosa-Cruz”, que tem como símbolos principais o Pelicano, a Rosa e a Cruz. Isto, porém, não significa vínculo jurídico; trata-se de mero relacionamento extrínseco ou de nome.

A partir de 1648 os Rosa-Cruzes, após um brilhante período de exteriorização, entram numa espécie de hibernação.

Por volta do final do século XIX, a tradição rosa-cruz experimentou um reflorescimento. Em 1888, o poeta e advogado francês Stanislas de Guaita (1861 – 1897), um ardente adepto do ocultismo, fundou uma irmandade rosa-cruz na França, com o romancista Joséphin Péladan (1859 – 1918). Pouco depois, no entanto, Péladan abandonou a irmandade, queixando-se de que seu perfil era demasiado anticatólico para seu gosto. Ele fundou outra organização, também sob o rótulo da rosa-cruz, dedicada ao amor fraternal e às atividades intelectuais e artísticas. Péladan abriu um salão rosa-cruz em uma galeria de arte em Paris, que acabou por se tornar um ponto de encontro muito frequentado e de grande influência, especialmente para as pessoas ligadas ao mundo das artes.

A Epopéia Rosa Cruz

Ordem da Juremataia

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Sociedade Secreta, dedicada à teurgia, à alquimia e à uma prática espiritual denominada AYOKÁ, tida por “sucessora” da misteriosa “ORDEM DA SARÇA ARDENTE” .

A “ORDEM DA SARÇA ARDENTE” foi uma Sociedade secreta, de objetivos desconhecidos e inspirações, que reunia maçons espíritas (ou espíritas maçons) na região norte (e talvez também nordeste) do Brasil , durante a primeira fase da República Brasileira, para a prática de magia cerimonial , iniciações e invocações num contexto da mística judaico-cristã.

Seu emblema trazia a representação de uma Acácia amarela (árvore ligada à simbologia maçônica) sobre a qual se enroscava uma videira (planta ligada à simbologia espírita/kardecista, em razão do desenho supostamente manuscrito pelos espíritos na ocasião da primeira publicação de LE LIVRE DES ESPIRITS, original em francês de O LIVRO DOS ESPÍRITOS de ALLAN KARDEC.).

A existência e atividades desta sociedade secreta foram registradas durante a primeira metade do século XX no Estado do Pará, não havendo registros posteriores exceto por rumores de que teria sido “dissolvida” ainda na década de 1930-1940 .

Essa “ORDEM DA SARÇA ARDENTE” é considerada por alguns estudiosos da história do ocultismo no Brasil como sendo precursora de uma outra sociedade secreta, extemporânea, chamada “ORDEM DA JUREMATAIA”, descrita como “ordem Iniciática, alquímica e teúrgica”, e que foi fundada na Chapada Diamantina, Bahia, na segunda metade do século passado.

A “ORDEM DA JUREMATAIA” adotou emblema muito semelhante ao da “ORDEM DA SARÇA ARDENTE”, onde a Acácia-Amarela maçônica foi substituída por uma JUREMEIRA (acácia dos sertões nordestinos), e a VIDEIRA substituída por uma vinha de MARACUJAZEIRO (liana nativa dos sertões brasileiros). Sem falar que a própria palavra “JUREMATAIA” pode ser etimologicamente relacionada à palavra “SARÇA-ARDENTE” , através do TUPI.

Segundo alguns relatos contemporâneos, o fundador da Ordem da Juremataia (inicialmente uma pequena confraria autodenominada “Círculo da Juremataia”) , conhecido por “MESTRE JANUÁRIO”, seria de origem paraense, descendente de índios, e teria sido Grão-Mestre da antiga Ordem da Sarça Ardente (antes da dissolução da mesma em meados do século passado).

Vindo a se mudar , acompanhado de sua família, para a região nordeste do Brasil a serviço do antigo SPI (Serviço de Proteção aos Índios), JANUÁRIO (cujo sobrenome se desconhece já que a ordem guarda absoluto sigilo sobre a identidade de seus membros) teria fundado a “ORDEM DA JUREMATAIA” (inicialmente “Círculo da Juremataia”) após aposentar-se do seu trabalho como indigenista no SPI, período durante o qual teria sido iniciado no chamado “Adjunto da Jurema”, espécie de culto secreto característico de diversas etnias nordestinas.

Conta-se que a iniciação de mestre Januário nos mistérios da “Jurema Sagrada” , ocorrida numa extinta ilha do Rio São Francisco (Ilha da Viúva) , levou-o a uma verdadeira epifania e operou profunda transformação nas suas concepções religiosas e espirituais, vindo ele a abandonar – logo em seguida- as práticas invocatórias de magia cerimonial a que se dedicava na Ordem da Sarça Ardente, passando então a preconizar uma nova prática espiritual, mais interiorizada , por alguns definida como uma forma de Teurgia realizada pela via “interna”.

Durante seus primeiros anos na região da Chapada Diamantina , mestre Januário teria estabelecido as bases desse novo sistema iniciático , que fundia a corrente esotérica do Cristianismo com a tradição da “Jurema Sagrada” nordestina. Durante décadas essa tradição foi passada de mestre a discípulos apenas no âmbito familiar do mestre , juntamente com amigos próximos com os quais formaram uma confraria- informal- a princípio autodenominada simplesmente “Círculo da Juremataia”.

Ao que tudo indica, o processo de estruturação dessa tradição na forma de uma Ordem iniciática só começaria a ocorrer de fato no final do século passado e início deste século, através de discípulos que haviam sido consagrados por mestre Januário para darem início à essa missão e supostamente dele teriam recebido essa autorização para estruturar a Ordem após a sua “passagem”.

Apesar de uma pequena expansão e “abertura”, o almejado processo de estruturação iniciado pelo referido grupo de discípulos de mestre Januário parece não ter avançado muito neste século e, segundo se conta, esbarrou em algumas disputas e divergências internas, assim como em diversos entraves legais, especificamente relacionados à necessária autorização do poder público para o uso ritual do AJUKÁ (bebida comungada nos rituais da Ordem, e que é preparada com plantas que contém substâncias de uso proscrito pela legislação) .

Por conta das dificuldades na estruturação da Ordem da Juremataia, a mesma hoje parece continuar operando apenas de forma secreta e informal, restrita a um pequeno número de discípulos iniciados por mestre Januário no seu círculo da Chapada Diamantina, e um diminuto grupo de neófitos admitidos após a “passagem” do mestre Januário.

Esses discípulos apresentam a “JUREMATAIA” como sendo a “terceira rama” ou a “rama esotérica” da “Jurema Sagrada” nordestina, contrapondo a sua “teurgia interna” às outras demais “ramas” do culto contemporâneo da ‘Jurema sagrada”; Ou seja, colocam a JUREMATAIA ao lado e aparte tanto da “encantaria” hoje praticada pela “rama indígena” (“TORÉ”) como do “espiritismo” e “magia cerimonial” praticadas pela “rama afro-ameríndia” (CATIMBÓ).

Segundo se conta, da mesma forma que acontece na maçonaria ( dita “salomônica”) a origem da linhagem que deságua nesta Tradição iniciática (“JUREMATAIA”) remonta- segundo seus seguidores- ao (lendário?) Rei Salomão. Mas segundo relatos, “Mestre Januário” – antes de fundar a “ORDEM DA JUREMATAIA”- teria se afastado tanto da maçonaria regular quanto do espiritismo kardecista, afastamento que teria se dado somente após a sua iniciação, nos mistérios da “Jurema Sagrada”, entre os remanescentes indígenas da Ilha-da-Viúva, caboclos a quem o mestre chamava de “Os verdadeiros Filhos-da-Viúva”.

Diz-se que entre os mitos presentes na Ordem da Juremataia há um muito importante segundo o qual, na antiguidade remota, o Rei Salomão teria fundado – a fim de resguardar um precioso tesouro- uma cidadela no alto da Serra das Almas , na Chapada diamantina, e que esta cidade – tempos depois- teria sido “encantada” com todos os seus habitantes para o mundo espiritual, tendo ela o nome de “LUZ”. Contam que mestre Januário teria sido transportado “em espírito” a esta cidade encantada, onde recebera os segredos e mistérios nos quais passaram a ser iniciados os seus discípulos, dando início à tradição da JUREMATAIA na Chapada Diamantina.

Parte das doutrinas, rituais e atividades operativas da Ordem da Juremataia vieram superficialmente á Público neste século através de algumas publicações do chamado (novo) “ADJUNTO DA JUREMA”, o qual apresenta-se como “círculo externo da ORDEM DA JUREMATAIA”, englobando os chamados graus “simbólicos” ou “alquímicos” da Iniciação na Ordem.

Os referidos graus “alquímicos” (de alquimia “interna”) seriam em número de quatro (3 + 1) aos quais o ingressante/neófito teria acesso após a sua admissão (“ensementação”), etapa inicial – de admissão à iniciação- que eles fazem corresponder à etapa alquímica do “nigredo”. Seriam eles: “discípulo iniciante” ou “juremeiro” (correspondente à etapa alquímica do “albedo”), “discípulo praticante” ou “juremado”(correspondente à etapa do “citrinitas”) , “mestre” ou “coroado” (correspondente à etapa do “rubedo”) e “arquimestre” ou “mestre consagrado” (correspondente à etapa alquímica que chamam “viriditas”, e que – nesse sistema- corresponde ao aperfeiçoamento final da Obra).

Os “arquimestres” ou “Mestres Consagrados” seriam os que compõem o “círculo interno” ou “ministerial” da Ordem da Juremataia , e são consagrados ao serviço na ordem, primeiramente como “Introdutores” da doutrina . E, conforme sua vocação, podem ser ordenados como “arquimestres mentores/ instrutores”, “arquimestres feitores” , ou “arquimestres reitores”, que são os ofícios ou “munus” que lhes serão atribuídos- conforme sua vocação- no sistema de preparação dos futuros mestres e orientação espiritual dos discípulos. Havendo ainda um “arquimestre imperador”.

A autoridade maior seria exercida pelo “Grão Mestre” da Ordem da Juremataia, representante máximo da cadeia sucessória iniciada por Mestre Januário.

Característica peculiar das suas práticas espirituais e rituais, denominadas “AYOKÁ”, é a TEURGIA/ALQUIMIA INTERNA que tem como um de seus instrumentos a ingestão de bebidas ritualmente preparadas e servidas aos discípulos, feitas principalmente à base das ervas “JUREMA” e “MARACUJÁ” , às quais são atribuídas virtudes “ENTEÓGENAS”; Enteógeno é um neologismo usado para designar um preparado ou substância química, normalmente de origem vegetal, que é ingerido para produzir um estado de consciência não-ordinária com finalidades religiosas ou espirituais.

Diz-se que esta misteriosa Ordem encontra-se espiritualmente e karmicamente vinculada ao povo e à terra da Bacia do Rio São Francisco e da Chapada Diamantina, sendo sua sede (chamada de “Alto-do-Espinhaço”) localizada na Bahia, sobre a Cordilheira do Espinhaço, na Serra das Almas, aos pés da qual nasce um dos principais afluentes do Velho Chico, e onde se localiza o segundo ponto mais alto do nordeste

Vingança

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ONA, De Hostia II, 1992.

Em qualquer civilização e sociedade civilizada, a noção de vingança é o centro – e central a vingança, é o fato dela ser movida a sangue. Quando o “Estado” – de qualquer convicção política ou qualquer grande estrutura governamental organizada, reserva para si mesmo os meios de controle e dispensação de “Justiça”, a verdadeira liberdade não existe: o indivíduo foi controlado e foi escravizado, se não fisicamente, então mentalmente.

Qualquer sociedade saudável próspera não só permite vingança, mas a encoraja, e qualquer sociedade que não a permite, é uma forma de tirania, não importando o quão inteligente, as palavras políticas possam ser usadas para tentar obscurecer esta realidade.  Uma sociedade saudável é aquela que tende a respeitar o direito individual, a justiça e portanto vingança: os dois são ligados e não podem ser separados sem destruir ambos, deixando uma aparência vazia. Uma sociedade saudável busca respeitar o indivíduo, e estende as responsabilidades e deveres, e um dos deveres e responsabilidades mais importantes de qualquer indivíduo é vingar-se.

Esta visão não é apoiada por muitos hoje – e certamente por nenhum desses que formam grupos exclusivos de legal e social ‘profissionalismo’ que infestam a sociedade hoje.  Ao invés disso, o Sistema presente busca convencer-nós, desde a infância, que só o Estado tem o “direito” para lidar com a “Justiça” – e que só isto é o “civilizado”. Mas se você acredita nisso, você está realmente doente – um desses espécimes pálidos inebriados por palavras espertas e ideias de meio-homens (e meia-mulheres) que infelizmente proliferam as sociedades confortáveis e endinheiradas de hoje em dia.

Vingança é natural e necessária. Uma ilustração aqui poderia ser instrutiva. Um jovem motorista, chapado de álcool e drogas, deliberadamente corre e mata alguém: o clássico ‘transeunte inocente’. Depois de alguma dificuldade, ele é encontrado pela polícia e preso. Quando o caso for à julgamento, ele consegue ziguezaguear fora da acusação de assassinato (falta de evidencia suficiente/algum problema legal) e ao invés disto, é condenado por agressão. Ele não mostra nenhum remorso. Ele é condenado a 3 anos em prisão. Depois de um pouco mais de 2 anos que ele é libertado, e alguns meses depois, ele é preso por dirigir bêbado. Mais alguns meses na prisão. Então ele é libertado. Agora, neste exemplo (e muitos gostam) os parentes da vítima têm um dever de matar este escória – e deveriam estar envergonhados se eles não fizessem. Naturalmente, eles dariam todos os tipos de razões porque eles não fariam nada – mas basicamente eles são, se eles não fazem nada, (a) os covardes; (b) bastardos degenerado que não se importam; (c) estão tão moídos pelo sistema, pelas mentiras e propaganda que os instintos naturais deles foram destruídos. Eles – um ou alguns deles – deveriam ter matado o ofensor. Naturalmente, nas sociedades fracas das tiranias Ocidentais, se agem assim – se pegos – enfrentam a “Justiça” e o sistema legal: e provavelmente gastarão muito mais tempo na prisão que o bastardo que mereceu morrer (tal é a doença do “Ocidente”). Mas, até que este Sistema podre seja inteiramente destruído, eles deveriam ter usado as regras do Sistema contra si mesmo – por que não, por exemplo, atropelar o bastardo? Você vai, se pego, só ir preso alguns anos. Mas pelo menos você poderia viver ainda com sua honra.

Claro que, uma avaliação imparcial (como do Juiz) ainda é necessária – mas uma vez julgados, os parentes são honradamente soltos para sair. Qualquer coisa menos que isso, é covardia.