ALFAÍSMO

Introdução

         Alfa forma o primeiro grau da tradição tântrica do Santuário, sendo baseado no uso da masturbação para atingir uma ampla variedade de resultados. Para ser plenamente bem sucedido nesta série de técnicas, várias considerações devem ser trazidas à tona.

         Primeiro, em qualquer ato de Magia Masturbatória o orgasmo deve ser forte e portanto, se possível, prolongado.

         A ejaculação não é sinal de orgasmo forte, o estímulo deve ser prolongado através de através de uma masturbação contínua e controlada até que um estado semi-extático seja alcançado. Então o orgasmo pode ser usado para propelir a imagem concentrada no inconsciente.

         Segundo, em qualquer ato de Magia Alfa a concentração é de importância suprema. Uma imagem a ser usada em qualquer trabalho Alfa deve ser claramente visualizada na tela mental e fixada numa visão clara durante o orgasmo. Isto é imperativo para que se propague a imagem para as profundezas do inconsciente e irá requerer alguma prática.

         Terceiro, em qualquer ato de Magia Alfa o ato deve ser esquecido após completado. Isto parece incomum mas é importante pois permite à imagem aprofundar-se no inconsciente e alcançar sua programação. Apenas permitindo o sigilo do rito afundar lentamente nas profundezas pode o ritual funcionar, qualquer pensamento consciente sobre sua natureza irá claramente impedir o processo.

         O último estágio do processo é ilustrado num antigo conto alquímico onde, no estágio final de um processo alquímico maior, o mago disse a seu aprendiz “Não pense em Verde” e é claro, tudo que ele pensou foi verde e o experimento falhou. A chave aqui, mais uma vez, é permitir ao símbolo incubar-se no inconsciente e atingir sua tarefa sem interferência consciente.

Preliminares do Trabalho Alfa

         Antes de embarcarmos no verdadeiro caminho da Magia Alfa sugerimos que o mago passe por exercícios preliminares para alcançar o sucesso nos trabalhos básicos da Magia Sexual Alfa.

         Os primeiros trabalhos devem ser para prolongar e aumentar a potência do orgasmo, isto deve ser praticado até que um forte estado de frenesi orgásmico possa ser induzido. Em muitos casos o celibato, por um curto período de tempo anterior ao trabalho, aumentará o potencial orgásmico.

         Os trabalhos seguintes devem ser baseados na fixação de uma imagem na mente durante o procedimento Alfa. Isto será dificultoso para muitos porque a mente pode tender a relacionar imagens de cunho sexual. A resposta aqui é praticar a manipulação associada com um símbolo não sexual para que o corpo acostume-se a trabalhar por si só. Também é possível combinar imagens sexuais com o procedimento, concentrando na imagem apenas no momento do orgasmo. Esta técnica tende a baixar o poder do rito, mas é um ótimo ponto de partida dentro das práticas Alfa. 

         Após estas duas técnicas serem dominadas, o mago deve praticá-las em conjunto usando símbolos Geométricos e Cabalísticos básicos. Após certa medida de sucesso tenha sido conseguida, você então pode proceder com técnicas posteriores.

Procedimentos Alfa para Viagem Espiritual

         Este procedimento pode ser usado com qualquer sigilo ou símbolo representando um dado Cminho, Kala, Sephiroth ou algo fora dos limites normais de consciência. O primeiro passo é tornar-se totalmente familiarizado com o símbolo : examine sua forma, tamanho, cor, todos os detalhes, visualizando-o cada vez mais claro na tela mental até que você possa vê-lo com precisão sem qualquer estímulo externo. Quando isto for atingido, você pode se preparar para o trabalho : queime um incenso apropriado, faça algum tipo de banimento e entre num estado de profundo relaxamento, traga a imagem para a mente e fixe-a claramente. Comece a masturbação, vagarosamente dirigindo-se a um estado de estímulo. Assegure-se que a imagem ainda esteja mantida claramente em foco enquanto você aumenta o estímulo, leve-o a um pico. No orgasmo você se vê atravessando o símbolo como um portal e inicia a exploração da realidade alternativa.

         Um vasta amplitude de símbolos podem ser usados neste processo incluindo : Tattwas, símbolos do I Ching, glifos astrológicos e elementais e por aí vai, até mesmo formas Geomânticas podem ser exploradas desta maneira.

Consagração Usando Técnicas Alfa

         A consagração utilizando procedimentos Alfa é uma das mais poderosas. Pode ser usada com grande sucesso para carregar Talismãs, Sigilos e imagens. Novamente, nesta forma de trabalho, a imagem concentrada do sigilo usado, fixa na tela mental, é de longe o componente mais importante do processo. O primeiro estágio do procedimento da consagração Alfa é preparar seu espaço ritualístico de acordo com os procedimentos mágikos normais, isto é, banimentos, etc. entrando num estado de relaxação e tal. O mago deve então meditar no símbolo que irá ser usado na consagração, já purificado ritualísticamente.

Se o item é uma ferramenta ritual, a meditação deve estar em seu papel e correspondência ocultos. Se for uma imagem talismânica, a meditação deve estar na sua ação ou seu simbolismo, dependendo do resultado desejado. Conforme começa a masturbação, o mago deve sentir a energia movendo-se pelos chakras a partir do Sahasrara, sendo que a cada chakra deve-se visualizar a imagem sendo usada com a cor de fundo correspondente ao chakra que se está trabalhando. Alacançando-se o chakra básico, uma sensação de orgasmo por todo o corpo deve ser sentida até que um clímax seja conseguido e a imagem é sentida emanando para o item a ser consagrado através das secreções (deve-se ejacular ou verter a ejaculação sobre o objeto sendo consagrado).

Um rito completo para este propósito é conhecido como “Criação de Vórtice pelo Alfaísmo” e está esquematizado no final deste capítulo.

Controle Onírico através do Alfaísmo

         O estado de sonho é um continuum complexo da consciência que, na realidade, cobre uma amplitude de estados desde o Sushupti ou livre pensamento até aquele estado que reflete as atividades do corpo, conhecido como Jugrat. Swapna ou consciência onírica é um estado fronteiriço entre as possibilidades astrais e mentais. Este estado varia durante todo o período do sono, em algum estágio irá refletir as ocorrências do passadoe portanto reside em reinos mentais, enquanto que em outros períodos, a consciência vagará pelos reinos astrais, entrando em estados além das limitações mentais. Nas técnicas de Controle Onírico o mago aprende a dominar esta vibração no padrão do sono através das técnicas Alfa e usa a flutuação astral-mental para “Sonhar de Verdade” e influenciar sua experiência da realidade.

O conceito de sonhar de verdade é encontrado em muitos dos grandes sistemas de magia moderna. Nos trabalhos de Dion Fortune, particularmente suas novelas, encontramos um sistema de sonho diurno controlado que influencia a experiência da realidade e a busca iniciática.

Nos trabalhos de Austin Osman Spare, também encontramos um sistema de controle onírico, baseado no uso de sigilos e letras.

         No sistema tântrico de Controle Onírico usamos o período de transição entre a vigília e o sono e as técnicas Alfa para disparar um estado onde o mago pode moldar o sonho que ele experiencia e efetuar sua experiência de realidade via reprogramação da consciência. Esta técnica tende a ser mais efetiva do que “Sonho Criativo” de Dion Fortune, por permitir a influência do mago a trabalhar mais profundamente dentro dos reinos do inconsciente.

         A técnica de Controle Onírico é bem simples. Logo antes do sono, relaxe profundamente e permita-se cair num estado ‘fronteiriço’ de consciência (entre o sono inconsciente e a vigília). Neste estágio, masturbe-se até que um estado de excitação seja alcançado mas deixe-o amainar. Não atinja o orgasmo ou ejacule.

         Repita isto um número de vezes até que um estado fronteiriço de sono-excitação seja alcançado, então permita-se cair no sono. Neste estágio duas coisas podem acontecer : a primeira é que você pode entrar num estado de sono profundo e neste estado experimentará sonhos vívidos, a segunda é que você pode imediatamente começar a experimentar um estado de sonho vívido. Em qualquer destas ocorrências você deverá começar o segundo estágio da técnica de Controle Onírico.

         O segundo estágio desta técnica levará pouco tempo para se dominar e envolve um certo ‘truque’. O mago deve ver-se no sonho e influenciar o modo como ocorre o sonho. Primeiro, o mago deve simplesmente explorar a experiência, mais tarde ele deve começar de verdade a modificar o que está ocorrendo. Após você começar a influenciar o sonho, você pode entrar neste estado com algum elemento de programação. Isto pode ser alcançado, durante o estado fronteiriço, pelo mago fixando em sua mente um símbolo ou cântico silencioso de um mantra baseado no que ele deseja experienciar ou aprender. Permitindo estes programas afundarem no inconsciente ou entrar no estado de sonho é possível condicionar o ambiente resultante do sonho. 

         Conforme sua eficiência nestes procedimentos aumentar você se achará apto a realizar trabalhos no estado de sonho. Usando sigilos e mantras você pode criar o sonho desejado e tomar uma variedade de atividades rituais em muitos níveis diferentes. Você pode até mesmo não se lembrar da experiência, mas simplesmente acordar com a sensação de que algum resultado foi ganho.

         Esta faceta do trabalho Alfa é muito importante e pode tomar muitos meses de prática antes de dominá-la.

Sigilização

         “No geral parece que a maioria dos mantras são compostos de uma série de sílabas que perderam seu significado etimológico ou que nunca tiveram significado etimológico. Vasubandha diz em seu Bodhisattvabhumi que esta absoluta falta de significado é a real significância dos mantras. Um Sadhaka medita nestes mantras como algo absolutamente sem significado esta meditação constante irá gradualmente levá-lo a um estado mental onde lhe será muito fácil meditar sobre a natureza final dos Dharmas como absolutamente sem significado. Esta falta de significado é a natureza vazia dos Dharmas e portanto a meditação dos mantras gradualmente levará um Sadhaka a perceber a natureza vazia dos Dharmas.” Introduction to Tantric Buddhism (Introdução ao Budismo Tântrico), S.B. Dasgupta

         No exerto acima vemos a natureza dos Mantras de uma perspectiva esotérica. Em sua essência, todas as coisas são vazias, então um mantra é uma frase sem sentido que é constantemente repetida. Isto afunda no inconsciente que, esperando apenas informação com significado, explora a frase ou palavra procurando algum sentido. O resultado final é a percepção de que não há significado algum, a não ser no estado de Ain ou Vazio.

         Quando trabalhando com técnicas práticas de sigilização isto deve ser mantido na mente, pois é a chave do sucesso do trabalho com sigilos. Se uma quantidade de informação com sentido é reduzida a combinações de letras sem significado, isto enganará o “Censor” da mente consciente mais baixa  e adentrar o inconsciente e alcançar seu desejo sem ser molestada. O Censor é o aspecto da mente consciente que reduz toda informação para aspectos adequados ao preenchimento, e também, por causa de sua natureza, remove o significado programado de uma informação e arquiva apenas facetas inatas. Portanto, apenas (aparentemente) um mantra ou sigilo sem significado pode transmitir às regiões mais profundas do inconsciente um programa com sucesso. 

         “A mente subconsciente é o depósito de todas imagens, todas idéias, todos conceitos. A comunicação com ela só é possível através de símbolos, e para fazê-los trafegar, uma linguagem simbólica é necessária.

         Os únicos símbolos efetivamente mágikos são aqueles carregados com a vitalidade peculiar do subconsciente. Sendo assim, o desejo deve ser formulado em termos simbólicos e projetado no submundo, também deve desviar-se do censor endopsíquico. Um desejo conscientemente formulado alcança sua satisfação gradualmente e é normalmente realizado quando o desejo cessou. Este tipo deve ser evitado como uma dissipação de tempo e energia, sendo que evidentemente não é uma perte essencial da Vontade Verdadeira ou ‘sonho inerente’.” Aleister Crowley e o Deus Oculto, Kenneth Grant, Muller, 1978

         É importante enfatizar o uso dos mantras sem qualquer significado, inato ou óbvio, para induzir estados de êxtase e experimentação do Vazio. É igualmente importante perceber que se um mantra tem um significado inato por trás da aparente falta de sentido, então uma programação do subconsciente pode ocorrer e desejos podem se manifestar alinhados com a Vontade Verdadeira (ao invés de estarem alinhados com os meandros da mente consciente).

         O procedimento para criar um sigilo para alcançar este propósito é simples e mesmo assim, trabalhoso. O primeiro estágio é escolher a frase específica do que você deseja atingir. Por exemplo, ‘Eu quero a força de um tigre’. Então você junta tudo numa só seqüência para formar, neste caso, EUQUEROAFORÇADEUMTIGRE. A partir daí, as letras que se repetem devem ser removidas, resultando em EUQROAFÇDMTIG. Então estas letras podem ser usadas para formar um sigilo.  

         O primeiro desenho pode resultar numa simples combinação de letras, enquanto que com mais refinação o resultado poderia ser um sigilo artístico que contenha a essência do sigilo sem a forma externa. Em seguida deve-se esquecer o significado do sigilo imediatamente após o procedimento ritual.

         O verdadeiro procedimento ritual para a Sigilização pode ser de duas formas, ativo ou passivo.

         A Forma Ativa é o uso do procedimento de consagração normal. 

         A Forma Passiva é a da Magia de Controle Onírico.

         Em ambos procedimentos é imperativo deixar o sigilo no incosciente e fazer algum trabalho oculto posterior, esquecendo de seu desejo e deixando o programa fazer o seu trabalho. Será muito interessante se antes de colocar o sigilo em ação se fizer uma exploração de suas reações mentais ao sigilo e suas possibilidades através tanto do controle de sonhos ou viagem espiritual. Isto é algumas vezes uma experiência iluminadora e revela os motivos reais antes de que o tempo seja desperdiçado num desejo ou pedido inadequado.

Variações

         Há uma enorme amplitude de variações possíveis com estas técnicas Alfa, podendo ser exploradas pelo mago até que um espectro de técnicas particulares seja formado de acordo com as necessidades e habilidades pessoais. Algumas possibilidades interessantes são encontradas dentro do trabalho de Austin Osman Spare, embora seu sistema seja inteiramente pessoal e idiossincrático, uma de suas ofertas mais acessíveis é “Urn Magick” (Magia da Urna).

         A urna é usada para simbolizar o inconsciente e a similaridade entre esta e Urnas primitivas encontradas na África e no Egito que eram enterradas com os mortos não deve se perder. Estas urnas não eram simples presentes ao falecido mas símbolos do útero que incubava os desejos dos que haviam morrido.  

         A verdadeira técnica da Urna é baseada em fixar o desejo claro na mente enquanto se impregna o sigilo com as secreções e os sela numa urna simbolizando o útero do inconsciente. Então é enterrada para representar a sua descida para as profundezas da psique e todos os pensamentos do processo são enterrados com ele. O programa então atinge sua finalidade da mesma maneira que a Sigilização descrita antes, mas com a ajuda adicional do ritual que os antigos usavam para concentrar suas energias e que muitos magos ainda hoje acharão de grande valia.

         Outras variações incluem o uso do “sonhar de verdade” para curar e moldar a estrutura física do organismo. Em todos os aspectos de Magia Sexual é imperativo para o mago explorar as possibilidades disponíveis e se necessário, criar novas para si mesmo. 

         Como a Magia Sexual é a arte e a ciência do corpo e como o corpo varia infinitamente, tanto as técnicas quanto as possibilidades variam infinitamente na mesma proporção.

Conclusões

         Os procedimentos Alfa são baseados no fato de que o orgasmo pode ser usado como uma força impulsionadora para atingir uma variedade enorme de resultados. O corpo é usado como um mecanismo para criar um estado alterado pelo qual sigilos e símbolos são projetados nas profundezas do inconsciente. Evitar o censor através do uso de combinações incomuns e imagens sem sentido, sigilos e símbolos são semeados e crescem em direção aos resultados que desejamos.

         Os dois elementos aqui são a imaginação e o Orgasmo, ou nas imagens de Austin O. Spare, o Olho e a Mão. Sua interação cria a interação da Vontade e da Crença (paradigma) e através destes alinhamentos sagrados o processo da Magia Sexual é alcançado.

         Para terminar este capítulo oferecemos uma tradução da evocação usada por Austin Spare em seu Livro da Palavra Viva de Zos (Book of the Living Word of Zos), no qual ele delineia o processo da Sigilização. É dedicado a Rehctaw, a palavra ‘Watcher’ ao contrário, para sugerir a descida às regiões profundas do incosnciente … a jornada retroativa além da mente consciente.

         Em português, traduzimos ‘Watcher’ como Sentinela, e sua inversão como Alenitnes.

         “Ó poderosos Alenitnes !

         Tu que existe em tudo que é erógeno,

         Nós te evocamos !

         Pelo poder dos significados surgindo destas formas que eu faço

         Nós te evocamos !

         Pelos Talismãs que falam do motivo secreto do desejo

         Nós te evocamos !

         Pelos sacrifícios, abstinências e avaliações que fazemos

         Nós te evocamos !

         Pelos conceitos do sagrado intervalo

         Dê-nos a carne !

         Pela Quadriga Sexualis,

         Dê-nos desejo invariável !

         Pela conquista da fadiga,

         Pela mais sagrada palavra do Céu,

Dê-nos ressurgência eterna !

         Nós te invocamos !”

RITUAL DE VÓRTICE ALFA

Exigências : Sigilo do desejo, incenso solar, pequena chama.

Pré-Requisitos : Meditação sobre o objetivo do ritual, realizar um banimento de algum tipo e tomar um banho de purificação antes do rito.

O Rito

         O Alto(a) Sacerdote/isa entra no templo e realiza o Rubi Estrela ou alguma forma de banimento ritual (de preferência que não seja o Banimento Menor do Pentagrama da Golden Dawn ou porcaria equivalente) e sente-se dentro de um círculo de velas acesas.

         O sacerdote/isa encara o altar e afirma “Do what thou wilt shall be the whole of the Law”.

         Os magos respondem “Love is the Law. Love under Will.”

         O sacerdote/isa encara o altar e afirma “Quando todos os fantasmas tenham desaparecido, tu verás o fogo sem forma, aquele fogo que crepita e relampeja através das profundezas ocultas do Universo…Escuta tu a voz do Fogo.”

         Seguem-se então Invocações dos Quatro Elementos, acompanhadas pelo desenho do pentagrama invertido em cada quadrante…

ORO IBAH AOZPI

         Pelos nomes e letras do Grande Quadrângulo do Leste, eu vos invoco, espíritos da Torre de Vigília do Leste.

         MOR DIAL HECTEGA

         Pelos nomes e letras do Grande Quadrângulo do Norte, eu vos invoco, espíritos da Torre de Vigília do Norte.

         EMPEH ARSEL GAIOL

         Pelos nomes e letras do Grande Quadrângulo do Oeste, eu vos invoco, espíritos da Torre de Vigília do Oeste.

         OIP TEAA PIDOC

         Pelos nomes e letras do Grande Quadrângulo do Sul, eu vos invoco, espíritos da Torre de Vigília do Sul.

         O Alto(a) Sacerdote/isa retorna para o centro e encarando o altar, invoca os quatro nomes da Tábua da União :

         EXARP, BITOM, NANTA, HCOMA

         Pelos nomes e letras da Tábua da União, eu vos invoco, forças do fluxo e refluxo da vida e da morte.

         Segue-se então uma invocação de Hadit, que deve ser entendida como a essência de cada indivíduo …

         “Sagrado És Tu, Senhor do Universo.

         Sagrado És Tu, Não formado pela Natureza.

         Sagrado És Tu, Vasto e Poderoso.

         Sagrado És Tu, Senhor da Luz e das Trevas.”

         Segue-se uma benção quíntupla. O sacerdote/isa beija e então unge os cinco pontos dos Pés, Joelhos, Genitais, Peito e o Terceiro Olho de cada mago, dando um explicação de cada ponto como relacionado à Grande Obra.

         Pés – O Caminho Espiritual

         Joelhos – Devoção à Vontade Verdadeira

         Genitais -Uso correto dos instintos

         Peito(Coração) – Autoconhecimento Espiritual

         Terceiro Olho – Sabedoria Espiritual

         Após isto se completar, um mago escolhido dá o beijo quíntuplo no sacerdote/isa sem a explicação e lê o epílogo do Prólogo do Não-Nascido (Liber Liberi vel Lapidid Lazvli, Sub Figura VII)

         “À minha solidão vem

O som duma flauta em bosquedos sombrios que assobram os maiores

[ morros.

         Mesmo do rio bravio eles ensinam o limite da selvageria

                                                         [ e eu contemplo Pan.

         As neves são eternas acima, acima –

         E seus perfumes sobem até as narinas das estrelas.

         Mas o que tenho eu a ver com isso ?

         Para mim na flauta distante, a visão estarrecedora de Pan.

         Em todos os lados Pan para o olho, para o ouvido…

O perfume de Pan permeando, o seu sabor preenchendo

[ absolutamente minha boca, fazendo a língua deslanchar numa [ fala bizarra e monstruosa.

         O abraço dele intneso em cada centro de dor e prazer.

         O sexto sentido interior incendeia-se com o Eu mais interno dele.

         Eu mesmo jogado no precipício do ser.

         Mesmo ao abismo, aniquilação,

         Um fim à solidão, bem como a tudo.

         PAN ! PAN !

         IO PAN ! IO PAN !

         Conforme começar a última frase da invocação, os magos e o sacerdote/isa cantam IO PAN num cântico contínuo, cada um começando uma dança espiral no sentido antihorário, girando cada vez mais rápido com o canto aumentando e diminuindo, cada um com sua mente focalizada na imagem talismânica sendo usada, os olhos fechados até que cheguem a um frenesi rodopiante e caiam ao chão.

         Todos se recuperam, o trabalho Alfa começa.      

         Conforme ele começa, o sacerdote/isa faz a primeira invocação, sendo seguido pelos magos, repetindo-se o processo a cada linha.

         “Luxúria da minha alma, luxúria do meu anjo.

         Ó meu anjo

         Verta-te em minha alma.

         O olho, Daiomonos Folianates, meu Senhor,

         A luxúria do Bode,

         Meu Anjo, meu iniciador.”

         Conforme o trabalho se desenvolve, a segunda invocação é realizada pelo mesmo processo :

         “Tu Bode exaltado sobre a Terra em luxúria

         Tu Serpente exaltada sobre a Terra em Vida

         Erga tu em mim, fluindo livremente

         Salte, tu me devoras.

         (Repita um número de vezes.)

         Tu me devora

         Salta

         Tu me devoras….”

         No clímax, a imagem do que se quer deve ser firmemente projetada nos fluidos da ejaculação em cima do Talismã com a seguinte invocação, cada mago repetindo ao atingir o próprio clímax.

         Tu me exaltastes   

         Salta ! Isto ! Salta !

         Vê, o estouro das sementes da imortalidade.

         Os magos e o sacerdote/isa devem dar-se as mãos num círculo, o Talismã deve então ser visualizado crescendo e espargindo-se pelos reinos astrais. É então queimado na chama, sendo sua tarefa visualizada como completada.

         Após ser fachado o círculo, o rito deve ser esquecido e o Talismã é deixado a realizar seu propósito.

Notas

         Enquanto o Talismã estiver queimando, é uma boa idéia visualizá-lo como uma força viva e conforme ele queima todos movem suas mãos e em conjunto com sua respiração, cantam “ele cresce, ele respira”.

         Também é possível usar um talismã de metal ou madeira e dá-lo à pessoa envolvida, se a pessoa é o objetivo do ritual. Contudo, isto tende a reduzir o efeito do rito pois o talismã astral tende a manifestar-se melhor sem a necessidade de um ponto de foco físico.

         O uso de percussão, música e o cântico IO PAN podem aumentar em muito o efeito do ritual.

         O termo Alto Sacerdote refere-se a ambos os sexos.

Magia Sexual Delineada

Introdução

         “Todo homem deve aprender a dominar suas paixões absolutamente. A condição preliminar de sucesso é obter uma visão clara do assunto em cada detalhe, através de análise íntima e precisa.

         O primeiro passo é obviamente o medo a fascinação que a mais suave ilusão do assunto despertam no humano comum. É entretanto essencial para as pessoas adquirirem um domínio intelectual completo do assunto.

         Quando elas puderem contemplar qualquer idéia sobre o sexo sem emoção de qualquer tipo, elas estão bem no caminho para a liberdade. É meramente o mesmo princípio treinado por um estudante de medicina para observar operações e dissecar cadáveres sem chorar, desmaiar ou ficar com medo, etc. O cirurgião deve olhar seu paciente como um crítico de arte olha uma pintura ou como um advogado olha um processo. Quanto maior sua excitação, menos estreitamente ele poderá enxergar, tornando-se confuso e totalmente inútil para pronunciar uma opinião ou tomar a ação adequada.

         Isto pode soar trivial ainda que a maioria das pessoas não possam entender tal explicação acima – a mera menção do assunto joga-as num espasmo cego de luxúria, explodindo ou em Priapismo ou camuflado em indignação chocada.” Six Articles on Drugs (Seis Artigos sobre Drogas), Aleister Crowley

Concentração e desapego são as chaves para toda a Magia Sexual.

         Como colocado no exerto acima apenas um total exame objetivo da sexualidade permitirá ao Mago trilhar o caminho da Iluminação Tântrica. O sexo deve ser entendido como uma ferramenta de trabalho, que é, portanto, totalmente controlada pela Vontade e usada de acordo com os ditames da necessidade ao invés de devido aos espasmos da luxúria e do desejo. Claro, luxúria e desejo têm o seu lugar, mas eles são apenas de valor quando suas forças são desencadeadas e usadas num dado rito. Atividade sexual indiscriminada é um desperdício de energia e poder concentrado.

         Portanto, além de Concentração e Desapego, a maior lição é o controle. O impulso sexual deve ser tomado sob a dominação da Vontade e usado como um veículo para o alcance de estados superiores. Deve ser condicionado num estado onde possa ser ligado e desligado pelo comando da Vontade. Neste estado o mago está verdadeiramente no controle, ao invés de ser controlado por seu instinto corporal.

         As técnicas de magia sexual devem ser estudadas com diligência bem como com objetividade. Elas são complexas e envolvem os aspectos maiores do espectro humano da sexualidade e ainda, dentro de suas fronteiras, é a chave secreta para o sistema de desenvolvimento mágiko do Novo Aeon e para a manifestação do Humano Superior.

A Estrutura de Graus do Tantra Tradicional

         A OTO foi a primeira ordem fora a Astrum Argentum a aceitar a Lei de Thelema. Seus trabalhos eram primariamente maçônicos até o sexto grau com o Tantra esquematizado nos graus superiores. O título OTO era primariamente uma cifra, resumindo os mistérios do Novo Aeon de um maneira simples. O T era Teth, a serpente da Kundalini e Set, enquanto que os O’s eram os olhos de Hórus e Set (HoorPaarKraat e RaHoorKhuit) conforme eles manifestavam-se com a dualidade da época presente. O T também relaciona-se à Torre como um cajado fálico e como a Torre de Maat, numericamente o título dá 149, ALIM CHIIM : os Deuses Vivos. Também se iguala ao quadrado de treze, a passagem pelo Abismo. Portanto, os títulos referem-se aos alcances de poder superiores onde o humano é transfigurado em estados superiores de ser.

         A OTO passou por diversas mudanças após a morte de Crowley, muitos dos ensinamentos perderam-se dentro da estrutura pseudo-maçônica que muitas ordens insistem em sustentar. Muito do Misticismo Sexual da ordem foi absorvido pelo Santuário Soberano da Astrum Argentum.

         O termo Astrum Argentum significa “Estrela de Prata” e refere-se a Sirius, a alma de Ísis e representa o ponto de origem para os ensinamentos dos Mistérios e das correntes de energia da era presente. O sistema de graus da OTO esquematizou seu arcano tântrico através dos graus sétimo a décimo primeiro, sendo ensinados em nosso sistema representados pelas letras gregas de Alfa a Epsilon.

         Estes ensinamentos tântricos ainda têm a mesma relevância que eles tinham em tempos passados e oferecem um sistema válido de transmutação interna que leva o homem para novos estágios de evolução, onde ele se torna um dos “Deuses Vivos”.

Santuário Soberano Astrum Argentum

         O Santuário Soberano Astrum Argentum compreende os vários arcanos de Magia Sexual. Está dividido em cinco classes distintas, com algumas subclasses adicionais dentro de certos graus como Gamma e Epsilon. As técnicas de cada classificação devem ser estudadas e dominadas. As classes Alfa e Beta devem ser dominadas sucessivamente, enquanto que as classes Gamma, Delta e Epsilon podem ser trabalhadas concomitantemente. As subclasses extras de Dianismo e Qodosh devem ser trabalhadas em uníssono com as técnicas Gamma e Epsilon.

Trabalho Pré-Alfa

         Antes de trabalhar as várias fases da tradição tântrica do Santuário, é imperativo ao mago chegar a uma experiência de desapego a respeito do ato sexual. É óbvio que todos os magos experimentarão as chacoalhadas do desejo e da luxúria, mas estas devem ser controladas e usadas de tal maneira que elas formem o veículo pelo qual a imaginação concentrada pode se projetar para a realidade.

         Os magos devem gastar algum tempo explorando as várias avenidas de experiência sexual disponível e desenvolver uma atitude objetiva em direção ao uso do organismo como a mais potente arma ou ferramenta mágika. O mago deve meditar na localização das ferramentas elementais dentro do corpo para atingir um estado tal quando o corpo físico em si mesmo é experienciado como templo vivo do Eu.

Alfaísmo

         O grau Alfa de Magia Sexual é baseado nas técnicas de masturbação. Pode ser usado por ambos os sexos e está centrado no uso do orgasmo para programar certos desejos. Quando trabalhando com esta forma de magia é imperativo a prática da bilocação de consciência para que a concentração não se quebre no orgasmo, como ocorre com o sexo rotineiro, mas propalar a mente para os mundos psíquicos. As técnicas de prolongamento do orgasmo e aumento da voracidade do orgasmo devem também ser praticados neste grau.

         O uso da masturbação é ilimitado, alguns dos trabalhos tântricos mais comuns deste átrio são a Consagração de Talismãs, Encantamentos, ferramentas e afins, várias fórmulas de Controle Onírico, Magia Fetichista (Doll Magick) e Assunção de Formas de Deuses.

         Alguns exemplos incluem uma técnica de controle onírico onde a masturbação é usada antes de dormir mas sem se completar, para que um estado de sonho seja disparado num modo semi-consciente. Magia Fetichista, onde uma urna é usada como gerador para dar vida a desejos inconscientes e assunção de formas de Deuses onde o organismo estimula o corpo astral a tomar a forma de uma dada Sephirah, Deus ou entidade. As últimas técnicas, contudo, margeiam o Átrio Beta.

Betaísmo

         O grau Beta da Magia Sexual é baseado no uso da masturbação com ênfase no controle do corpo astral. Após este controle tenha sido atingido o grau se expande para incluir a assunção de uma larga amplitude de formas de Deuses numa plena experiência de sua força.

         Esta experiência varia da possessão na qual demanda ao mago estar sempre em total controle do que está sendo experimentado. Outras variações deste átrio incluem a manipulação do corpo astral usando a força sexual para criar experiências de animais e insetos. Estas forças, que representam fases primevas da consciência pré-humana oferecem grandes possibilidades de desenvolvimento interno. 

         Inclusos neste grau estão a habilidade especial de separar um segmento do corpo astral e experimentar congresso sexual com outras formas de vida, tanto como projeções internas, como separadas e reais, inteligências não humanas.

         Técnicas de Magia usando a masturbação estão neste grau de treino. Estas são alcançadas pelo uso de glóbulos, criados pela masturbação e pensamento focalizado, são programados para realizar certas tarefas. Estes glóbulos podem variar desde elementais artificiais até seres marcadamente reais (golem).

Gamaísmo

         As técnicas Gamma são baseadas nos trabalhos de Magia polarizada, por assim dizer, ambos parceiros, de qualquer sexo, concordam em assumir formas de Deuses complementares por natureza (passivo e ativo). Embora trabalhos com o mesmo sexo com a assunção de formas de Deuses sejam bem sucedidos na maioria dos trabalhos Gamma, há algumas exceções tais como a encarnação de forças em forma física. Bons exemplos são achados no livro “Moonchild” de Aleister Crowley.

Epsilonismo

         Devemos agora pular para os trabalhos Epsilon, sendo eles um reflexo direto dos do Gamma, embora estejam baseados em Magia apolar. Por assim dizer, cada parceiro deve assumir uma forma de um Deus, mas ambos do mesmo sexo. Esta forma de trabalho pode ser alcançada através de qualquer orientação sexual, contudo, muito do trabalho Epsilon é baseado na técnica que não produza criança astral e portanto a técnica homossexual é preferida.

         Quando trabalhando com a exploração dos Qlipphoth e do Universo B, os trabalhos Epsilon são mais adequados, provendo um dínamo de força apolar de grande magnitude que pode ser focalizado na direção do Kala/Túnel sendo usado.

Gamma – Epsilon

         Há muitos trabalhos que podem ser adotados tanto em técnicas heterossexuais quanto homossexuais. Estes incluem a assunção de formas de Deuses para que ambos os parceiros tornem-se manifestações daquela força, comunicação com outras formas de vida além da humana (usando o campo sexual de energia como um triângulo de manifestação), a indução de estados alterados, o controle do tempo e a experiência de outras dimensões.

A Eucaristia

         A Eucaristia é uma função primária dos graus Gamma e Epsilon. Sendo que ambos os sexos têm Kalas dentro de seus fluidos a possibilidade de sacramento por secreções é sempre possível. É de se notar que os sacramentos heterossexuais estão ligados ao Universo A (Árvore da Vida frontal), enquanto que os sacramentos homossexuais estão ligados ao Universo B (Árvore da Vida dorsal), embora uma forte assunção de formas de Deuses possa influenciar tais ocorrências. O sacramento pode ser usado num largo espectro de rituais incluindo a cura, despertar da Kundalini e manifestação de forças na consciência através do sacramento como veículo. 

Dianismo

         Dianismo é uma técnica que pode ser usada tanto nos trabalhos Gamma quanto nos Epsilon. Envolve o congresso sexual sem a ejaculação. Este procedimento então pode ser usado para canalizar o Prana ou Ojas dos fluidos sexuais de volta pelos canais da coluna dorsal e inclui estados alterados. Tem também usos importantes dentro das técnicas de Kundalini do Arcano Delta.

         Tem grande potencial em relação a assunção de formas de Deuses onde o estado de êxtase sexual é prolongado e os efeitos da assunção são aguçados. Uma variação desta técnica é a projeção da sua própria Vontade Verdadeira em seu parceiro durante o Dianismo para que uma experiência desta natureza possa ser alcançada. Entretanto, isto só será bem sucedido após muito preparo. 

Qodosh

         Qodosh é a técnica de congresso sexual completo usando o prolongamento do orgasmo para manifestar os desejos da imaginação concentrada. esta técnica pode ser usada com sucesso por qualquer orientação sexual. Contudo, sendo a concentração um imperativo, a prioridade deve ser dada a um parceiro sexual com o qual você não está profundamente atraído, sexual ou emocionalmente. É claro que isso criará uma forma profunda de desapego que ajudará no sucesso dos trabalhos Qodosh.

         O uso primário desta fórmula inclui a manifestação de vários desejos na realidade.

Deltaísmo

         Há uma larga amplitude de técnicas para despertar a Kundalini, incluindo concentração, drogas, choques, música, movimento e dança, emoção, êxtase religioso e técnicas sexuais. O grau Delta concerne-se com todos estes métodos menos o de choque e violência, pois tendem a ser contraprodutivos.

         As técnicas sexuais deste grau incluem variações de métodos tanto de Dianismo e Qodosh bem como Gamma e Epsilon. A ênfase neste grau é a ativação dos chakras e o despertar da Kundalini para que o organismo se transforme por completo num veículo adequado para o nascimento do Humano Superior.

Trabalhos Específicos

         Aqui começamos a ver as possibilidades da Magia Sexual na prática. Conforme estudarmos os detalhes deste sistema sexual conseguiremos compreendê-lo mais ainda. É sempre importante perceber que a sexualidade é um aspecto do sistema, um aspecto importantíssimo, mas ainda assim, apenas um aspecto. Deve ser usado com moderação com as outras facetas do treino mágiko e oculto.

         Apenas com uma mente treinada e um corpo disciplinado a magia Sexual se provará bem sucedida. Se você apenas deseja sexo, não procure o Tantra. A magia sexual demanda controle e concentração e isto deve ser mantido claro na mente ao examinar-se as várias classes de rituais.

         Após a consideração destes graus poderemos pensar como eles podem se relacionar com os Kalas/Túneis/Caminhos da Árvore viva. Nas páginas seguintes ofereceremos tabelas de algumas possibilidades a se considerar. São tabelas cujas chaves trabalham melhor para se atingir resultados dos caminhos dados. Poderá se provar útil a aceitação da atribuição Gamma-frontal e Epsilon-dorsal para a Árvore como uma equação básica de trabalho.

         Seguindo estas tabelas iremos discutir as várias classes em detalhes com a elucidação das técnicnas e práticas.

         A seguinte tabulação é apenas uma pequena amostra das possibilidades, na realidade, ela apenas arranha a superfície. Outras possibilidades em reinos Qlipphóticos, etc. podem ser experimentadas de acordo com o engenho do mago.

         Acima de tudo o mago deve perceber que a Magia Sexual é uma arte empírica e portanto a experiência é o melhor professor.

TABELA DO ARCANO TÂNTRICO DO SANTUÁRIO SOBERANO

ALFA (SÉTIMO GRAU)

         Magia masturbatória, Consagração de Talismãs, Controle Onírico, Projeção Globular, Assunção de Formas Astrais de Deuses.

BETA (OITAVO GRAU)

         Criação de Formas Astrais (elementais artificiais, golens, etc.), Assunção de Formas Astrais, Magia das Máscaras, Licantropia.

GAMMA (NONO GRAU)

         Magia Polarizada, Criança Astral, Missas Ocultas, etc.

DELTA (DÉCIMO GRAU)

         Despertar da Kundalini, Estimulação dos centros de energia (chakras).

EPSILON (DÉCIMO PRIMEIRO GRAU)

         Magia Apolar, Magia Qlipphótica, intrusões em reinos de escuridão.

GAMMA OU EPSILON (10º / 11º GRAUS)

         Estes trabalhos podem ser Projeções, Controle do Tempo, Assunção de Formas adaptadas para Gamma ou Epsilon, Comunicações com outras Formas de Vida Não Humanas, Estados Alterados, Conjurações Rituais, etc.

EUCARISTIA (TODOS OS GRAUS)

         Uso de Eucaristia Sexual, cura, despertar da Kundalini e Missas Ocultas.

DIANISMO E QODOSH

         Sexo Gamma/Epsilon não ejaculatório.

         Assunção de Formas de Deuses, Estimulação dos Chakras, Alquimia Interna, Disparo do Êxtase, Projeção da Imaginação. Uso do orgasmo como programador, Manifestação da Imaginação na Realidade.

TRABALHOS ESPECÍFICOS

Alfa          

– Sacerdote/Sacerdotisa Solitário                                  

Consagração dos 15 Kalas

Materialização dos Kalas 13/ 18 e Rituais Talismânicos

Beta          

– Sacerdote/isa por Sacerdote/isa                

Indução de Transe, Nutrição e Vigor (16º Kala), Ativando o corpo como veículo para os Kalas para a Eucaristia (14º kala)     

– Sacerdote/isa por Sacerdote  (qualquer combinação)                       Êxtase/ Oráculo

– Oral / Manual

 Magia com Máscaras e Atavismos (27º kala)

          Feitiços/Ilusões (29º kala )     

Gamma

– Criação, Intuição                                                        

         Polarizada

– Eucaristia do 19º Kala  

         Inspiração

– Polarizada

         Após a preparação do 14º Kala

         Trabalho com o Universo B Polarizado Negativamente

Delta

– Solitário (manual)

         24º Kala

– Sacerdote/isa por Sacerdote/isa

         Despertar da Kundalini (arcano da Torre)

– Apolar

         Arcano da Torre e do Aeon (oral)

Epsilon

         Materialização do 26º kala, Invocação dos Qlipphoth (11º e 26º Kalas)

         e Túneis Individuais dos Qlipphoth

    A ÁRVORE DA VIDA COM AS CHAVES TÂNTRICAS

Arcano do Tarot                    Descrição do Trabalho                    Grau

Louco                            Induzir estado de êxtase.                             Alfa

                                      Glóbulos para exploração astral.                Gamma

                                      Trabalhos com Ain.                                    Delta

Magus                           Controle dos Elementos.                             Epsilon

                                      Invocação da Vontade Verdadeira.              Alfa/Beta

Sacerdotisa                    Projeção além da Morte.                             Qodosh

                                      Visão de Kether (Hadit).                   Epsilon/Gamma

Emperatriz                     Invocar Babalon e Therion.                        Delta

                                      Encarnação de Forças.                                Gamma

Estrela                           Kalas induzidos como Frio e Limpo.           Gamma

Hierofante                     Invocação de Forças da Terra.                    Alfa/Delta

                                      Manifestação do desejo.                             Gamma

Amantes                        Invocação de Hórus/Set.                             Epsilon

                                      Experiência de Set como

                                      a camada interna.                              Epsilon/Delta

Carro                             Controle do Organismo.                             Alfa

Luxúria                         Chave dos trabalhos Gamma/Epsilon                            

Ermitão                         Experiência da Vontade Interna                         Alfa/Dianismo

Roda                             Baixa Magia (ênfase em Qodosh).             

Ajuste                            Visões Kármicas.                                       Todos graus

Enforcado                      Exploração do inconsciente.              Epsilon/Beta (oral)

                                    Inconsciente Qlipphótico – morte                       Epsilon – morte

                                      Exploração Qlipphótica.                           Epsilon apolar

Arte                               Transmutação Interna.                                Delta

Morte                            Qlipphoth.                                                 Epsilon

Diabo                            Invocação da Vontade universal.                 Epsilon/

                                                                                              Delta/Gamma

Visão de Pan.                                   Dianismo/Qodosh

Torre                             Despertar da Kundalini.                              Delta

Emperador                     Controle das Paixões.                                 Pré-Alfa

Lua                                Forças Lunares.                              Gamma – fertilidade

                                      Feitiços, ilusões.                                        Epsilon/Beta

Sol                                 Hórus, trabalhos leves.                               Gamma

                                      Disco solar negro e

                                      chamuscante.                                            

Exploração Qlipphótica.                            Epsilon

                                      Formas animais.

Aeon                             Invocação da Corrente do Aeon                 Todos graus

Universo                        Magia da Manifestação                              Todos graus

Nasz-Dom SATURNO

SATURNO
 … Esfera de Caos e Ruptura.
 
Palavra:   Símbolo:  Trabalho de Magick:  Pedra:    Perfume:   Estrela:  Cor (inconsciente): Cor (ego):

Chaos                                             Diamante   Henbane   Naos      Índigo               Violeta

 

Canto da Esfera:Agios Vindex
Chaconne
Temple 88 – Newsletter I
Eira – Um Guia Satânico para Mágicka do Futuro
Exeat – The Sinister Western Tradition
The Creative Dialectic, National Socialism, and Aeonic Strategy
Awakening
Aeonics and Manipulation
Aeonics and Manipulation II
Acausal Existence – The Secret Revealed

Manuscritos:

Cosmion
ONA Strategy and Tactics

NEXION – A Guide to Sinister Strategy

Introduction
Prologue
Freedom: The Illusion
A Brief Look at the Einstein Myth
Disturbing Notes
Satanismo e Raça
Satanism: or Living on the Edge
Aeônicas e Heresia
Conquer, Destroy, Create
The Magian Ethos
The Way of the West
The Homocentric Syndrome: And Its Cure 

Aeônicas e Heresia

A distorção do Nazareno/Magiana manifesta-se em muitos níveis – o religioso, o político, o social e o psíquico. Este último é o mais importante, embora ele tende a ser negligenciado. Os três primeiros são essencialmente formas externas – isto é, um indivíduo pertencendo à civilização do Ocidente (e assim um dos quais a herança psíquica* é o ethos Ocidental) é condicionado por estes em termos de: educação, a mídia, as Instituições e assim por diante. Ali tem crescido, durante os últimos cinqüenta anos ou mais, o consenso de opinião sobre vários assuntos, e este consenso atinge muitas formas políticas e todas as formas de educação: cada Estado dentro das sociedades do Ocidente aderem a este consenso. Havia a aparência de discórdia, más é apenas aparência, lidando como o faz com não-essenciais – como o tipo particular de governo, a natureza da economia e ssim por diante. Este consenso é essencialmente ‘liberal’, isto é, baseado num tipo de ‘mentalidade escrava’ (nota; liberal aqui não é usado como um termo diretamente político, más uma expressão de um modo de vida: um modo derivando em essência de idéias Nazarenas).

A Quarta manifestação mencionada acima – a psíquica – é uma expressão do fato que as formas arquetípicas ‘Nazarenas/Magianas” tem de certa forma reposto aquelas naturais crescendo da energia do Aeon Ocidental. O resultado disto deve ser óbvio. Se isto (e de certa forma a distorção por si mesma) é o resultado do ato mágico deliberado de ‘adeptos’ das tradições Nazarenas/Magianas é aberto para disputa, embora alguns Adeptos da tradição sinistra acreditam ser assim. (Não há, no entanto, nenhuma evidência direta disto.) Aqueles Adpetos acreditam que os seguidores da tradição Magiana desejam cumprir certas profecias de dois mil anos e criar um ‘Reino Messiânico’ na Terra. Para este fim, eles cuidaram de espalhar a mentalidade escrava do Nazareno e estas idéias derivando de crenças Nazarenas que são e tem sido tão prejudiciais para o ethos do Ocidente e seu destino.

A distorção tem mudado a civilização Ocidental significamente: de uma entidade pioneira, imbuída com valores elitistas e exaltando o caminho do guerreiro (e assim consagrando uma ‘moralidade-mestre’) ela tem se tornado essencialmente neurótica, voltado para o interior e obcecada (e obcecada parcialmente com arquétipos anti-Ocidentais). Tem havido, de fato, nenhuma espírito Prometeano/Luciferiano.

Parte desta mudança é devido ao isolamento que idéias dogmáticas (como a fé Nazarena e seus desdobramentos políticos) criou: o ethos Ocidental é para experimentar, através do élan da descoberta/exploração/conquista – criando assim uma visão “Prometeana/pragmática” do mundo, uma filosofia de vida que vitaliza. O ethos Magiano (que deu origem às crenças e idéias Nazarenas) é para observação de fé e dogma – é essencialmente uma atitude ‘religiosa’ (e compromisso para um dogma político é também uma atitude religiosa), uma visão do mundo que não é produtiva de experiência verdadeira: isto é, ela ‘projeta’ idéias abstratas na realidade ao invés de procurar encontrar a essência escondida pelas aparências.

Em termos práticos, a distorção equivale a ambas física e mental tirânias – aqueles que opõem, abertamente, as idéias/dogma do consenso são hereges, e em muitos países Ocidentais eles não só não são tolerados, como a força cheia da ‘lei’ é usada contra eles. Eles, e outros dissidentes, são sujeitos a ‘re-educação’ e as visões que eles expõem são consideradas quase sem exceção como o ‘mal’.

O núcleo central da heresia é duplo: primeiro, igualdade; segundo, identificação com arquétipos Ocidentais específicos e particularmente com ‘inspiração/energia/demônio’ que propulsa a realização do destino Ocidental (isto é, Império). É o primeiro destes que usualmente atrai a maior atenção.

Essencial ao ethos Ocidental, e assim à realização deste destino, é a crença na superioridade de seus povos e sua civilização. Esta crença, apoiada pela ‘minoria criativa’ de todas as civilizações considerando eles mesmos e sua própria civilização como uma parte essencial do mecanismo de todas as civilizações, e ela sozinha permite a transmissão do élan da civilização e assim a realização do Aeon mágico. É uma parte natural da evolução, e falhar para entender isto significa um mal-entendimento do mecanismo pelo qual energia acausal se torna uma civilização: não há nenhuma ‘moralidade’ envolvida, nenhuma ‘visão política’, meramente uma expressão dos trabalhos do cosmos (particularmente como relata aos indivíduos não ainda Adeptos…), Esta visão, tão importante para o entendimento do futuro (e assim para a mágica Aeonica e tais mágicas futuras podem criar), é anatema hoje. O dogma não-natural do Magiano, presenciado nas formas do Estado/governo, tem feito a realidade da desigualdade racial um crime por lei. Aqui, as fulminações abstratas dos Nazarenos e seus aliados estão no seu maior perigo: eles tem distorcido não apenas o ethos do Ocidente más também a própria realidade de acordo com seu próprio dogma amado. O resultado é inevitável: o domínio das idéias Magianas/Nazarenas, uma civilização Ocidental morrendo, e um severo mal-tempo naqueles que podem apreender a essência e assim cumprir seu próprio destino. (Como mencionado noutro lugar, a realização do Império Galático – a consequência da civilização Ocidental seguindo seu próprio élan/arquétipos – é reconhecida como uma pré-condição necessária para o próximo Aeon: o ‘Novo Aeon’ da ‘mitologia Oculta’ quando a ‘passagem do Abismo’ se torna possível em larga escala.)

Dado este entendimento, fica para cada e todo Adepto decidir o que e o que não deve ser feito com relação à mágica Aeonica. Todo este entendimento abre novas possibilidades para o futuro. Podem haver ritos para ajudar a realização do destino Ocidental (por exemplo, ‘missas heréticas’ onde a desigualdade racial triunfa e a igualdade Nazarena é ridicularizada); ritos para desmembrar as imagens Nazarenas, repondo-as com algumas sinistras más não diretivas (diretivas no senso do destino Ocidental); ritos para criar novos arquétipos inteiramente; ritos para abrir outro ‘Portal’, aspirando ao retorno dos Deuses Sombrios…..

Notas:

* Um indivíduo, ao ser nascido dentro duma civilização é fisicamente ligado ao ethos daquela civilização (e assim aos arquétipos naturais) se aquele indivíduo é descendente do povo que criou aquela civilização e a manteu/expandiu. Isto é, arquétipos aeonicos são ligados racialmente (isto deriva da origem da civilização – como o elan é carregado através dos séculos).
(Veja o simbolismo do Jogo Estelar para isto e a metamorfose. Também outros MSS.)

** Aqui como em outros lugares, Prometeano é sinônimo com Satânico/sinistro.

Traduzido por Fabius Maximus Sanguinus

Satanismo e Raça

ONA, 1991eh.

O propósito deste MS é explicar o Satanismo tradicional em relação com a “raça” desde que é um fato desafortunado que muitos não-Iniciados deste particular Caminho da Mão Esquerda revelam uma total falta de entendimento do tópico, e ver o uso de uma tática particular por Satanistas tradicionais como uma parte da ‘visão-de-mundo’ Satanista.
O objetivo estratégico fundamental (ou ‘longo-alcance’) do Satanismo é elevar a consciência de todos os indivíduos (sem ligação com raça) para no mínimo o que pode ser atualmente descrito como ‘consciência de Adepto’: isto é, para liberar o indivíduo, internamente externamente, e assim criar um novo tipo de ser humano – alguém que atingiu o próximo estágio de nosso desenvolvimento evolucionário. O caminho do Satanismo tradicional – seus rituais, técnicas, provas e métodos – é um meio de permitir o desenvolvimento desta liberação dentro do indivíduo. Entretanto, este caminho requere comprometimento e um esforço próprio por muitos anos.

Mais adiante, Satanistas tradicionais não acreditam que o caminho por si próprio pode ser feito de qualquer forma fácil – isto é, não há nenhum ‘atalho’ para adquirir verdadeiro Aprendizado e além. Não é uma questão de alguém aceitando um dogma, de ser ‘convertido’ a uma religião, ou de simplesmente executando ritos mágicos. É uma completa mudança de um modo de vida, uma total rejeição de muitas estruturas e formas existindo presentemente que asfixiam seu potencial e que mantém indivíduos na escravidão, frequentemente insconscientemente. Em resumo, Satanismo é revolucionário.

Devido à isto, a realização do objetivo final Satânico levará um longo tempo – muitos séculos, senão milênios. Satanistas são ambos pragmáticos e racionais: eles tem estudado os processos da mudança evolucionária como estas relatam aos indivíduos e tem desenvolvido meios para ajudar a realização do objetivo final. Eles sabem das realidades as quais pertencem, e suas avaliações de meios e táticas são práticos. Eles evitam as mistificações de muitos destes Envolvidos em Ocultismo da mesma forma que eles não são sonhadores idealistas que confiam em alguma ‘inefável’ lei ou entidade sobre-pessoal para fazer seu trabalho para eles. Eles são práticos, calculistas e se necessário brutais.

A realidade é que energias Aeônicas – isto é, a ‘força’ que cria um desenvolvimento evolucionário da consciência – é presenciada, na Terra, através de uma específica civilização aeônica. Isto é, que tal mudança evolucionária é alcançada por meios de tal civilização. Em qualquer período Aeônico (que dura entre um ou dois milênios) apenas uma tal civilização existe e está criando uma mudança evolucionária em alta-escala. Quando aquela civilização declina (quando as energias Aeônicas de um particular Aeon estão diminuíndo) ali é presenciado outro tipo de energia Aeônica, que desde então desperta outra civilização aeônica, e assim muda adiante.

Presentemente, a civilização é a ‘Ocidental’ ou Faustiana, e esta civilização, como todas as civilizações aeônicas, deve terminar num Imperium. Este Imperium é parte do processo evolucionário de mudança. Tal mudança ocorre geralmente pela maioria dentro daquela civilização sendo motivado (inconscientemente) pelo ethos ou Destino daquela civilização – isto é, eles criam mudança sem estar conscientemente despertos do que estão fazendo. Uns poucos indivíduos sabem o que está atualmente ocorrendo – isto é, eles tem um entendimento e uma percepção maior do que a maioria. Estes poucos são os genuínos Iniciados das tradições esotéricas. Este conhecimento lhes fornece um certo poder – para que eles possam usá-lo para produzir mudanças de acordo com seus desejos/objetivos. Em efeito, eles são os guardiães secretos da mudança evolucionária.

Até aqui, mudança aeônica tem sido natural – um processo de crescimento orgânico. Com cada civilização aeônica, havia uma lenta mudança evolucionária em direção à grande consciência e assim crescimento individual. Más esta mudança é muito lenta, e apenas uma minoria tem alcançado qualquer progresso real em termos de alcançar o potencial inerente em todos nós como uma espécie.

Genuínas tradições esotéricas são um meio de fazer esta mudança mais amplamente disponível, de alterar conscientemente, acelerando, o processo natural de evolução. Este processo de mudança, não é, entretanto, linear ele é frequentemente de “dois passos à frente, um (às vezes dois) passos para trás. E, além disto, ele é finamente equilibrado – ele pode facilmente tornar-se numa regressão.

Satanismo entende o símbolo arquetípico de ‘Satan’ como o arquétipo para a mudança positiva evolucionária. Entretanto, a presente civilização aeônica, a Faustiana ou Prometeana (ou, esotericamente, a Satânica) tem sofrido uma distorção de seu ethos ou Destino. Num sentido simples, a civilização tem se tornado doente e uma consequencia disto é que este Imperium é improvável – isto é, a mudança evolucionária a qual esse Imperium teria provocado é improvável de ocorrer. Uma das mudanças mais significantes causadas pelo Imperium teria sido a colonização do Espaço exterior e assim a criação de inteiramente novas estruturas sociais.

A doença da civilização pode ser descrita, em termos simples, como um retorno à uma restritiva visão dogmática do mundo – e uma a qual tem minado o Destino da civilização. Uma faceta deste dogma é a religião do Nazareno e aquelas formas sociais e políticas que derivam dela. Novamente expressado de forma simples, esta doença mina a vitalidade dos povos da civilização – coloca-os longe das realizações externas de um tipo Imperial, como a exploração e conquista de novos ambientes, e em vez disso em direção à eles mesmos. O mundo externo é abandonado pelos problemas do interno.

Satanismo Tradicional reconhece a realização de um Imperium Prometeano como um passo adiante alcançando o objetivo final Satânico. Depois deste Imperium, não uma más muitas outras civilizações irão se erguer devido à expansão além dos confims da Terra. O objetivo final será talvez realizável dentro de um milênio.

Para alcançar Imperium, tem que haver dentro da maioria das pessoas da civilização, um senso de Destino – eles são vitalizados por aquele Destino. Neste estágio de nosso desenvolvimento evolucionário, a maioria ainda está escrava de formas arquetípicas – eles ainda são motivados inconscientemente, ainda não despertos totalmente. Isto é, eles não são ainda indivíduos inteiros, únicos. Eles são parte do destino do Aeon e assim o Destino da civilização. Isto é a realidade. O Imperium não pode ser criado por palavras – por racionalmente convencendo outros; por simplesmente acreditando nele. Ele é criado por ação numinosa entre a maioria – por esta maioria sendo liderada por uma minoria carismática, e por indivíduos de carisma que acreditam que eles tem um Destino. Em efeito, estes indivíduos carismáticos encarnam o Destino da própria civilização. Eles encarnam as esperanças inconscientes e aspirações da maioria.

Neste estágio de desenvolvimento evolucionário, este Destino precisa e pode apenas ser em suas origens um racial: derivado de um senso de superioridade, um instinto. Ele não pode ser derivado de idéias abstratas – elas estão mortas, e enquanto elas podem influenciar alguns poucos, elas nunca podem persuadir a maioria e permitir à maioria se sobressair e assim criar algo bem além deles mesmos.

Esta é a avaliação Satânica prática. Para criar um Imperium – o que de necessidade significa reagir à doença da civilização – é necessário dar uma forma prática à certos instintos poderosos. Ele significa usar os povos da civilização como instrumentos para mudança Aeônica. Ele significa retorná-los para o que teria sido a consequência natural da civilização não teria a maioria deles caírem presas para a doença. Em resumo, ele significa uma ressurreição de um senso de superioridade racial entre os Europeus – e a criação de sociedades que personificam esta crença. Ela significa separação racial em ordem de dar um senso de Destino e assim vitalizar a maioria.

Isto, entretanto, é uma tática de um ponto de vista Satânico – um meio de atingir objetivos Satânicos, através da civilização Faustiana/Ocidental/Prometeana/Satânica. Neste momento do tempo, apenas esta civilização com a sua tecnologia, é capaz de atingir o objetivo de colonização do Espaço exterior – esta tecnologia tem que ser vitalizada por um senso de exploração entre a maioria.

Assim, Satanismo, como parte de sua estretégia sinistra, pode encorajar estas formas/crenças/grupos e assim por diante nos quais expressa este tipo de Imperium. Por exemplo, os atuais ‘movimentos de extrema Direita’. Nisto, Satanistas estão sendo Sinistros – eles não estão expressando ou apoiando tais opiniões, como ‘racismo’ por exemplo, porque eles acreditam neles, más porque eles sabem que estas opiniões podem ou não podem ajudar seus objetivos Satânicos, em particular por reagir à doença espiritual Nazarena.

Assim, um empurrão de ação Satânica, no mundo real isto é, o que Iniciados Satânicos fazem para presenciar forças obscuras – neste tempo presente é ajudar a criação de tal Império e criar condições mundiais que podem permitir seus objetivos serem cumpridos (por exemplo, em termos de alianças estratégicas com outros países não parte do Império).

Este Império, entretanto, não será um puramente agressivo que busca a destruição de outras, não-Européias, raças. Especialmente, ele buscará – uma vez que suas próprias estruturas estão seguras para encorajar as outras raças para existir e florescer dentro de suas próprias nações, e então finalmente, uma Federação de tais nações (todas das quais respeitando cada outra) para aumentar o objetivo da exploração Espacial. Isto é, o mundo precisa ser re-organizado na base dos fortes, independentes Estados raciais – deve haver, por exemplo, a criação de uma América Negra, ocupando parte do que é atualmente os EUA. Esta re-organização é baseada nas realidades que existem no mundo agora. Ela é uma solução para os problemas, os quais se não forem resolvidos desta forma irão no final das contas levar para um severo atraso evolucionário.

Então, outro empurrão de ação Satânica, no mundo real neste tempo presente é ajudar a criação de tais Estados baseados em raça – por exemplo, eles podem apoiar ‘Muçulmanos Negros’ que desejam uma nação separada nos EUA e em outros lugares.

Este esboço da estratégia global Satânica é de necessidade breve e de alguma forma muito simplificada. Más ela deve permitir as táticas que são às vezes usadas para serem entendidas em contexto. De necessidade, estas táticas são sinistras – elas podem provocar ou causar conflito; possivelmente violência; talvez morte; às vezes ‘quebra-da-lei’. Frequentemente, as táticas são revolucionárias. Más elas são todas meios, para alcançar objetivos Satânicos, e Satanistas as usam – ou influenciam outros para usá-las – sabendo o que eles estão fazendo. Eles entendem a estratégia, o objetivo final, e por assim agir no mundo real eles estão sendo Satânicos.

Genuíno Satanismo representa esta mudança no mundo real; ele significa Satanistas atualmente agindo para alcançar coisas. Talvez tomar sangue em suas mãos seja diretamente ou indiretamente. Pseudo-Satanismo representa fantasia: jogar com papéis; tomando posições ‘éticas’ em que alguém atualmente acredita. Genuínos Satanistas são a-morais.

Satanismo aceita a realidade como ela é – e então usa esta realidade para re-estruturá-la, para mudá-la, de acordo com seu objetivo sinistro. A realidade da raça, do instinto, é como ela é – ela pode ser usada para alcançar coisas. Outros impõem projeções no mundo – eles desejam e precisam acreditar que as coisas são exceto o que eles são: que indivíduos são outros além do que eles são. Eles são idealistas sem esperança, não-manchados pelas realidades do mundo. Em resumo, eles não entendem o poder. Satanistas, ao contrário, sabem como ela é realmente no mundo real.

Assim, racismo – seja Branco, Negro ou qualquer outro – é um meio, uma tática usada por Satanistas para alcançar primeiro um Império Europeu e então o que está além deste Império – uma Federação de países fortes, independentes cujos objetivos é continuar a colonização Espacial que o Império começou. Desde então, há um novo Aeon, em realidade, e uma multidão de novas civilizações – e assim uma realização do objetivo final Satânico. Claro, tudo isto significa luta, conflito, guerras, mortes, reviravoltas, durante décadas e séculos. Isto é, o presenciar de forças obscuras para alcançar algo evolucionário.

A realidade por trás destas táticas é Aeônicas – que é um meio de racionalmente entender os processos aparentemente complexos de mudança de Aeons para civilizações para sociedades e assim para indivíduos. Aeônicas é um conhecimento esotérico, e um que está crescendo a medida que novos insights são ganhos.

Traduzido por Fabius Maximus Sanguinus

– Ordem dos Nove Ângulos –

EIRA – Um guia Satânico para Mágicka do Futuro

Este presente volume é uma compilação dos mais recentes escritos de um membro da
Ordem dos Nove Ângulos. Ele serve como um guia voltado ao futuro da Mágicka, e da
Evolução Ocidental.
O autor é consciente de que tais trabalhos são apenas uma sombra daquilo que não
pode, no presente momento, ser totalmente expressado. E ainda, através destes escritos,
a real motivação dos Satanistas no mundo pode começar a ser discernida.
Talvez, quando outra inspiração sem nome ser presenciada, mais um Nexion
lentamente inicie a se abrir…

ONA – Comunidade Venn, Shropshire, 1998 Era Vulgaris.

EIRA PDF

Nasz-Dom JUPITER

6- Jupiter
JUPITER
… Esfera de Sabedoria e Riqueza.
 
Palavra: Símbolo: Trabalho de Magick: Pedra: Perfume: Estrela: Cor (inconsciente): Cor (ego):

Azoth     Jogo Estelar    Jogo Estelar           Âmbar   Civit         Deneb              Violeta          Carmesim

Canto da Esfera: Agios Baphomet
Beyond Illusion
Baphomet – Uma Nota no Nome I
Baphomet – Uma Nota no Nome II
Baphomet – Uma Nota no Nome III
Raven Made
O Tarot Sinistro
Grade Ritual: Grand Master/Grand Mistress
A New and Numinous Art

Alquimia Sexual : A Missa do Espírito Santo

Introdução

         Os segredos da Alquimia Sexual são baseados numa compreensão do uso das secreções do organismo dentro de uma forma específica de prática ritual. As práticas reais de Alquimia Sexual cobrem todo o espectro da Feitiçaria Tântrica, enquanto sua síntese é encontrada num único rito, a Missa do Espírito Santo. 

         Este rito é a base da Eucaristia Tântrica e é a chave para a formação de missas mais avançadas tais como a Missa Gnóstica e a Missa dos Esquecidos.

         A Missa do Espírito Santo é uma exposição de um rito totalmente tântrico, combinando elementos da Alquimia, do mais físico ao mais espiritual. Está centrada no uso do Cálice sagrado no qual o vinho da vida é despejado, a oblação é então consumida, sendo a manifestação da pedra viva dos filósofos, a Pedra Filosofal, também conhecida como Amrita ou Orvalho da Imortalidade.

         O simbolismo da Missa tem sido sempre ensinado de uma maneira velada para proteger o rito de abuso. Os ritos usam a polaridade divina assumida dentro de uma situação ritual. Esta polaridade pode ser tanto numa técnica sexual Gamma ou Epsilon com considerações associadas (Formas de Deuses, etc.). A Missa do Espírito Santo ajunta as várias facetas da prática oculta para abrir uma porta para os poderes da transmutação, de acordo com isto deve ser bem estudada com Vontade e Luxúria.

O Simbolismo da Missa

         Ilustrando o texto de Franz Hartmann “O Simbolismo Secreto dos Rosacruzes”, encontramos a imagem da sereia do universo levantando-se no oceano cósmico. Este glifo é a Missa do Espírito Santo cifrada, seus seios sendo seguros em suas mãos e deles jorram duas correntes retornando ao mar. Estas, por sua vez, produzem duas correntes internas ao mar, que levantam a sereia. Hartmann dá a seguinte descrição da figura : 

         “A figura representa o fundamento das coisas e do qual todas as coisas nascem. É um princípio dual da natureza, seus pais são o Sol e a Lua, produz água e vinho, ouro e prata, pelo Deus bendito.

         Se você torturar a águia, o leão se tornará delicado. A águia derrama lágrimas e o sangue vermelho do leão deve se encontrar e misturar-se com elas. A águia e o leão banham-se e amam-se mutuamente.

         Eles se tornarão como a Salamandra e tornam-se constantes no fogo.”

         Pela descrição acima, vemos que Yod é o Leão Vermelho enquanto que He é a Águia Branca, aqui estão os dois pólos do rito que provém da Mãe Cósmica de Ain. O princípio ativo é o He, enquanto o passivo, nesta aplicação, é Yod. Aqui encontramos o reverso dos papéis cabalísticos tradicionais com o passivo sendo aplicado no papel superior. Esta interpretação é importante pois cria o segredo da Missa do Espírito Santo. Os papéis de macho e fêmea podem também ser aplicados aqui com a fêmea como Yod e o macho como He, contudo, estes devem, novamente, ser entendidos mais como papéis do que como tipos físicos rígidos.  

         Na Alquimia tradicional o princípio de Yod é aplicado a Chokmah, como um papel passivo ou feminino. O título dado a este papel é “O Athanor”, que é descrito no Anphiteatrum de Khunrat como “uma fornalha teosófica selada cabalísticamente.”

         Enquanto que o princípio He é aplicado a Binah, num papel ativo e é conhecido como “A Cucurbita”. É descrita por Khunrat como “uma vasilha circular e cristalina, de proporção ajustada para a qualidade de seu conteúdo”. O Athanor e a Cucurbita formam os dois pólos da Missa do Espírito Santo, eles são diferenciações da Mãe Cósmica, que pode ser entendida como NOX ou Kali, com o potencial de Kether habitando em seu seio.

Os Dois Produtos

         Do Athanor e da Cucurbita são produzidos dois eflúvios. Estes são usados em conjunto para criar o ouro líquido ou a Pedra Filosofal. Estes eflúvios são expelidos do Athanor e da Curcubita durante os ritos de Magia Sexual. Eles são o Sangue do Leão Vermelho e as Lágrimas da Águia Branca. O sangue que é expelido do Athanor é também conhecido como a “Serpente”, por relacionar-se com o conceito hindu de Kundalini como força feminina. O Leão Vermelho é uma imagem peculiar relacionada à antiga deusa Sekhmet, que era a personificação do calor sexual. Enquanto que a Águia Branca relaciona-se ao fluxo de sêmen do princípio masculino. 

         Estes dois fluidos contém os Kalas, quando combinados eles interagem formando uma nova substância. O foco do rito tântrico é estimular os kalas e dar impulso à secreção de dezesseis emanações ao invés das quatorze do não iniciado.

         Conforme discutido anteriormente, existem três formas de Kalas. Estas são formadas pelas variações na polaridade : magia apolar produz a Lava Negra, magia polarizada produz Néctar Frio, enquanto que a combinação de ambos produz o Pó Vermelho. Estas cores são simbólicas dos Kalas e não devem ser tomadas como a coloração física das secreções.

A Fórmula IAO como Alquimia Sexual

         “Solve et Coagula.”

         O processo completo da Missa do Espírito Santo pode ser entendido como o processo de ‘Solve et Coagula’ (dissolver e aglutinar).

         A primeira parte do rito é a combinação dos dois fluidos, isto é entendido em termos alquímicos como a corrupção das Lágrimas ou Glúten pela Serpente ou como o processo de Solve.

         A segunda parte do processo é a Fênix, que ascende desta corrupção através da morte ou absorção da serpente e cria o talismã ou Eucaristia como entendido em Coagula. Esta substância é então consumida ou usada num ato de consagração.

         As considerações físicas a respeito desta fórmula são também importantes, se um processo macho-fêmea está sendo usado, então a serpente (normalmente a mulher) corromperia as lágrimas em seu orifício vaginal. Se, entretanto, o objetivo é para trabalhos apolares então uma ênfase maior é dada na assunção astral de formas apolares visto que as combinações macho-fêmea tendem a enfatizar a polarização. A mesma consideração deve ser aplicada para trabalhos homossexuais sendo que sua tendência é criar Kalas apolares (Lava Negra). Nestes trabalhos (com dois homens) a mistura da substância deve ser feita num Cálice consagrado ou com um dos participantes assumindo o papel do Leão, o outro o da Águia. Enquanto que com duas mulheres o orifício vaginal de um dos magos deve ser escolhido como Leão, o outro, da Águia.

         Não se pode subestimar quão importante é para todos os trabalhos de alquimia sexual a assunção de formas astrais. Os trabalhos astrais devem sempre ser considerados em combinação com a atividade física do sexo. A Magia Sexual combina a magia em todos os níveis portanto o processo físico não pode ser usado sozinho ou sem a execução adequada das facetas astrais e espirituais.  

IAO

         A fórmula IAO é um foco central para muito de nossa compreensão do processo da Magia Sexual. Quando corretamente entendida também forma uma chave central para a Missa do Espírito Santo. A fórmula IAO de acordo com o arcano do Novo Aeon é precedida e seguida pela letra grega Digamma (F), cujo som é extremamente similar à nossa letra V ou à letra hebraica Vav. Esta letra refere-se à imagem de Hórus. Quando aplicada no microcosmo é o Rebento da Vontade ou Eu Verdadeiro. A fórmula em si é aplicada como se segue, precedida e seguida pelo Digamma da Vontade.

         F (V)                    Vontade Verdadeira

         I                           Virgem – A Semente Solitária

         A                          Escorpião – Paixão

         O                          Capricórnio – União

         F(V)                     Vontade Verdadeira

         A interpretação dada acima é baseada na fórmula como aplicada no processo usado na Missa do Espírito Santo. É também possível interpretá-la em termos relacionados ao indivíduo envolvido no processo de transformação pessoal através da Magia Sexual. Essa interpretação é a seguinte :

         F                 Eu Pueril – Latente (Não Desenvolvido)

         I                  Virgem – Virginal, não desflorado

         A                Escorpião – Mago Sexual

         O                Capricórnio – Andrógino

         F                 Eu Verdadeiro – Humano Superior

Conclusões

         Os ritos tântricos como vistos na Missa do Espírito Santo são ritos de magia sexual usando a assunção de formas de Deuses para dentro do(s) mago(s) e a formação de um produto sexual através da mistura de Kalas repletos de secreções. Dependendo da maneira pela qual as formas de Deuses são assumidas (o grau de polarização) uma variedade de resultados podem ser condicionados de acordo com os três tipos de Kalas.

         Os aspectos mais importantes do processo são a sustentação do calor sexual e a assunção e fixação das formas de Deuses (God-forms). O elixir criado é tanto consumido como usado para carregar um Talismã ou item similar. Este Orvalho da Imortalidade criado da mistura de fluidos variará em poder na proporção direta do crescimento espiritual dos envolvidos e das contrapartes astrais do rito a respeito da preparação e procedimentos rituais. Exemplos de uma Missa do Espírito Santo completa são encontrados em formas ritualísticas tais como a Missa Gnóstica e a Missa dos Esquecidos. Neste ponto não oferecemos procedimentos estritos para a Missa, deixando-os para a própria experimentação dos magos.  

Apêndice Um : Sobre Simbolismo Alquímico

         Há algum debate na verdadeira interpretação do simbolismo da alquimia em relação ao processo tântrico. A interpretação dada é baseada nas tradições de Feitiçaria Sexual. O Athanor refere-se ao papel passivo ou feminino por denotar uma fornalha selada, que obviamente é uma vagina ou forma de orifício. A Curcubita ou vaso é um tubo ou suporte, que pode ser relacionado ao Falo.

         A Serpente e o Sangue do Leão tendem a ser relacionados ao princípio passivo por dois motivos : primeiro, a atribuição feminina da Kundalini ou a Serpente na prática tântrica hindu; segundo, a relação entre o fluxo menstrual e o sangue do Leão.

         O Glúten ou as Lágrimas podem ser ligadas à brancura do sêmen. Em alguns textos de alquimia o produto é dividido em dois estados, a Primeira Matéria e a Pedra Filosofal. Também seguimos esta distinção, sendo a Primeira Matéria a combinação de fluidos antes da ativação ritual final e a Pedra Filosofal ou Orvalho da Imortalidade sendo o produto final.

         Em alguns livros tais como “Sexualidade, Magia e Perversão” (Sexuality, Magic & Perversion), de Francis King (New England Library), embora contendo textos excelentes, é perpetuado o erro de que o Athanor é masculino e que o vaso é feminino. Isto pode refletir o sexismo de alguns escritos tântricos antigos, mas se usado com consistência interna ainda atingirá resultados, pois a prática é mais relevante do que a teoria acadêmica. Contudo, oferecemos esta consideração do simbolismo alquímico e tântrico para a sua referência.

Apêndice Dois : O Santuário Soberano Astrum Argum e as Modernas Ordens Crowleyanas

         O Santuário Soberano Astrum Argum é uma ordem astral que focaliza seu trabalho na Magia Sexual. Pelo mundo afora, muitas ordens, grupos e indivíduos têm comunicação, de uma forma ou de outra, consciente ou inconsciente, com esta fonte. Acreditamos que não haja nenhuma manifestação física desta ordem e a reclamação solitária de tal poder deve ser considerada suspeita.

         Nossa visão é que Crowley deliberadamente jogou a OTO em confusão na sua morte, demandando que seus estudantes pusessem ambos pés no chão. Desde aquele momento muitos reclamarem o título, mas na mente do autor, declarações físicas de linhagem são totalmente irrelevantes. A importância está no resultado dos seus trabalhos, não na propriedade física de alguma forma de autoridade. Eu encontrei grupos seguindo o espírito da OTO sem nenhuma autoridade envolvida (num nível físico) e com ainda mais autoridade espiritual do que qualquer das ordens ‘aceitas’.

         Embora respeitemos aqueles que clamam ‘prova histórica de linhagem’, a opinião de nossa Ordem é “os conhecereis pelos vossos frutos” e que “para provar o bolo, só comendo”. Se qualquer ordem ajuda-o a crescer, então ela é ‘de linhagem’ para você.

         A respeito dos materiais publicados aqui eles são o produto de anos de  pesquisa dos trabalhos de nossa Ordem sob a orientação espiritual da Ordem astral “Astrum Argum”. Nós reimprimimos vários trabalhos de referência neste texto. No espírito de compartilhar esta mensagem com aqueles procurando sabedoria. Não clamamos por qualquer ordem física ou tradições características, pois não sentimos necessidade.    

         A experiência é o maior mestre. Tenho dito!

A Natureza dos Kala

Introdução        

“Kalas. Tempo, essência, raio, divisão, dígito. Um termo usado no Tantra para denotar a essência ou fragrância do Suvasini. Em seu sentido de tempo, nossa palavra ‘calendário’ deriva de Kala, em seu sentido de essência ou vibração, nossa palavra ‘cor’. Portanto, as flores da Deusa são seus Kalas.” Outside the Circles of Time (Fora dos Círculos do Tempo), Kenneth Grant (Muller, 1980)

         O termo Kala é usado no vocabulário da magia sexual de duas maneiras distintas. Macrocosmicamente, os Kalas são as emanações de Kali-Ain na forma de Aeons e ciclos de evolução. Microcosmicamente, eles são as secreções produzidas pelos órgãos sexuais do macho e da fêmea durante rituais sexuais esotéricos (estes rituais podem ser ‘solo’ ou com parceiros de ambos os sexos).

         Estas secreções são as flores do organismo, tradicionalmente, o termo Suvasini ou Dama de Cheiro Doce tem sido usado para designar a Sacerdotisa dos Kalas. Contudo, este termo insinua preconceito para com Shakti ou a Sacerdotisa encontrado em derivados do Tantra na Índia. O Tantrismo verdadeiro é baseado no uso tanto das secreções masculinas quanto femininas, ambas produzindo os Kalas ou flores da essência. O termo Kala é encontrado em muitas culturas, de muitas formas, sua larga amplitude de significado insinua o poder esotérico de sua natureza. Na África e no Egito o termo Ka significava a Sacerdotisa iniciada, derivando disto o termo Khu, significando essência ou poder mágiko. Khu significando especificamente o alto, Qoph significando Magia Lunar e em inglês Q, onde o O é a abertura e o \ é o falo.

A Natureza dos Kalas

         Os kalas são, em termos simples, as secreções sexuais do mago, macho e fêmea, destiladas durante os ritos de intenção tântrica. Estas secreções são raios ou flores emanando de Nox ou Matriz de Ain encontrada no Sahasrara chakra e fluindo através dos vários chakras manifestando-se através das genitálias. Esta energia dentro do corpo é conhecida como Ojas, contudo, quando manifesta através da saída genital é conhecida como Kalas ou flores da essência. 

         Os Kalas são quatorze no não iniciado e dezesseis no iniciado, quando corretamente ativados. Na sexologia, quatorze destas secreções foram isoladas nos sumos vaginais e muitos nos fluidos masculinos, contudo, os outros dois ainda estão a serem descobertos. Os Kalas são a representação microcósmica de forças macrocósmicas da Árvore da Vida, cujos Kalas ou Caminhos e Sephiroth irradiam-se de Kali ou Ain. No tantrismo Kali é vista como aquela cuja natureza divide o tempo em Kalas ou vibrações, o fluxo e refluxo do universo é portanto encontrado dentro bem como fora do organismo, todas as coisas sendo parte de um fluxo ou onda primal.

         Na mitologia primitiva, o pavão e o arco-íris eram vistos como imagens dos Kalas, as diversas variações de cor (cor sendo a forma de Kalas no português) representando as vibrações de Nox.

         Em alguns derivados tântricos, a fêmea era adorada como originadora das forças de Kali. Entretanto, o mito tântrico mais antigo e autoritivo, o baseado em cultos tártaros, afirma que os Kalas são encontrados em ambos os sexos e a Suvasini é a alta sacerdotisaque foi androginizada pelo uso dos fluidos sexuais ou Kalas.

Tempo e Kalas

         O circuito psico-sexual representa o ciclo de Kalas, num círculo (360º) e mais 5 graus restantes representando os cinco dias negativos dentro de cada lua ou mês. Isto pode relacionar-se ao ciclo periódico de menstruação. É um segredo bem guardado que o macho também tem estes ciclos e que em combinação estes dois ciclos podem produzir imenso poder oculto.

         O período do ciclo Lunar de lua cheia até a nova era o ciclo da Lua Negra, o da lua nova para a cheia era o ciclo da Lua Brilhante. Estes eram divididos em quinze setores que se relacionam com o fluxo das forças lunares, os movimentos dos Kalas do espaço (Aeons) e o fluxo de secreções dentro do mago. O décimo quinto Kala é o tempo, portanto, é de localização atemporal, enquanto que o décimo sexto Kala é aquele que vai além do tempo, é o Kala de Nu e pode ser atribuído à própria Kali, sendo uma combinação de todos os quinze Kalas anteriores.

O Décimo Sexto Kala

         “Eu sou a serpente enrolada a ponto e saltar, no meu enrolar há alegria. Se eu levanto minha cabeça, eu e Nuit somos uma. Se eu abaixo minha cabeça e atiro veneno, então há êxtase da terra, e eu e a terra somos uma. Há grande perigo em mim.” Livro da Lei, II:26

         O mistério do décimo sexto Kala é insinuado no verso acima do Grimório do Novo Aeon. Estes são dois aspectos do uso correto dos Kalas combinados no décimo sexto.

         O primeiro é Néctar, o segundo é Veneno. O Néctar é simbolizado por Aquário, que é a décima primeira casa do zodíaco e transmite as influências de Set ou Saturno. Representa o uso dos fluidos carregados por invocações e usos de formas de energia elevadiças. Isto cria uma porta através da qual comunicação e contato com seres de rincões mais elevados da árvore evolutiva é possível.

         O Veneno é simbolizado por Escorpião, a força da serpente, que é formado com o uso de evocações e fluxos de forças telúricas. Abre uma porta com os mundos dos Qlipphoth e forças dos elementais e atavismos dos rincões mais baixos dos ciclos evolutivos.

         Aquário representa os puros Kalas invocados e despertos nos períodos da Lua Brilhante, então produzidos são representados pelo signo de Aquário e as duas ondas, que sugerem os Kalas masculinos e femininos.

         Escorpião representa os Kalas negros evocados nos ciclos lunares escuros, então produzidos são representados por Escorpião, que simboliza a semente misturada. Estes podem ser produzidos pela combinação de qualquer sexo.

         A Magia polarizada marca o ciclo de luz, a apolar, o escuro, obviamente, as formas mais altas de trabalhos de Aquário devem ser heterossexuais, enquanto que as mais obscuras dos trabalhos de Escorpião, homossexuais. O arcano mais antigo dos mistérios afirma que tanto Aquário e Escorpião são formas da letra caldeu primitiva M e seus derivados mais recentes no Egípcio, Grego e Hebraico.

         A letra M representa as águas da vida e em sânscrito era conhecida como Emkara, que como uma letra simboliza o ciclo completo de manifestação, sustentação e dissolução.

I.’. A.’. O.’.  como uma Fórmula dos Kalas 

         A fórmula IAO tão familiar para muitos estudantes de magia, tem também uma relevância especial em relação à natureza dos Kalas e insinua a divisão trina das formas de Kalas.

         I ou Yod é o Eremita do Tarot, sua é a semente solitária e é portanto atribuído a Virgem.

         A ou Apophis é a serpente ou Escorpião. Representa o grande ato sexual que, por desejo, é transformado na magia da luxúria.

         O ou Capricórnio é o poder de Ayin ou olho. É o último ciclo pelo qual a luxúria desperta os Kalas e cria o Veneno ou o Néctar.

         Escondidos dentro desta fórmula estão também os três estágios da Magia Sexual, mais uma vez estes foram esquematizados sob a guisa do Shaktismo e são portanto orientados para a Sacerdotisa, mas eles se aplicam igualmente a ambos os sexos. I como a Virgem, A como a prostituta enquanto O é a Deusa desperta. Crowley circundava esta fórmula adicionando a ela um F em cada ponta, para significar a letra grega Diggama, denotando o fato de que o sucesso nesta prática esotérica é apenas possível se começar e terminar com o Eu Verdadeiro (Tipheret). Isto também sugere que a natureza do Novo Aeon de Escorpião-Aquário liga Hórus e Set.  

As Três Classes de Kalas

         Em ensinamentos antigos a respeito dos Kalas encontramos uma distinção de três tipos. Isso reflete, em alguma extensão, a fórmula IAO em ação, apenas que na atribuição dos três graus do Livro da Lei, o Ermitão é visto como o andrógino ou Baphomet e portanto deve ser diferenciado do Eremita de Yod, a semente solitária.

         “Quem nos chamar de Thelemitas não estará errado, se ele olhar a palavra bem de perto. Pois ali há três graus : O Ermitão e o Amante e o Homem da Terra…” Livro da Lei, I:40

         O número deste verso é 40 e relaciona-se a Mem (Escorpião-Aquário), o número do sangue e das secreções e portanto é a chave para seu entendimento. Os Kalas estão divididos em três grupos de cinco e são classificados como segue.

Tamas

Símbolo Alquímico : Sal

         O Homem da Terra representa a Lava Negra dos Qlipphoth, as emanações da serpente ou Veneno que é produzido sob a influência de Sol. Na fórmula IAO é o I, não como o início do processo mas como uma primeira manifestação do resultado.

Rajas

Símbolo Alquímico : Enxofre

         O Amante representa o Pó Vermelho ou fogo do vermelho-rubro. São as secreções Kalas que estão entre as secreções dos Qlipphoth e do Néctar.

É atribuído ao A dentro do simbolismo de resultados, Apophis como Fogo.

Sattva

Símbolo Alquímico : Mercúrio

         O Eremita como Andrógino representa o puro vinho da Lua. A força de calmo e frio Néctar, portanto é atribuída ao Eremita Andrógino e ao O como Capricórnio.

         Estas três classes podem se aplicar para combinações de secreções masculinas e/ou femininas. As cores são simbólicas e na verdade representam as cores dos chakras dentro do processo e, secundariamente, segmentos do ciclo lunar. Este ciclo lunar como atribuído à fêmea forma parte de um ciclo maior de quinze que atinge seu clímax no décimo sexto, o verdadeiro poder do intercurso como visto em Tamas. Os primeiros dias menstruais são escuros e portanto são Tamas, o Rajas é o período de dois ou três dias depois e Sattva é o néctar emanado no final do ciclo de retorno, isto é, períodos Negro e Brilhante da Lua. Um reverso deste ciclo é a escura emanação lunar de Tamas, onde o vinho lunar é de uma natureza mais escura e representa o Graal da Escuridão.

         Juntas, estas três divisões formam o Tribundu ou semente tripla de Shanti, Shakti e Shambdu ou Paz, Poder e Plenitude.

Os Ensinamentos Esotéricos Kala-Chakra

         Estes são ensinamentos esotéricos a respeito dos chakras que devem ser considerados sob a luz de como entendemos os kalas e os ciclos lunares. Estas atribuições são baseadas no antigo arcano tântrico e portanto afastam muitos sistemas de atribuição modernos. O sistema é baseado na dualidade do Sol e da Lua, onde os planetas são atribuídos conforme esta dualidade. Portanto, as atribuições são as seguintes :

         “Pois ele é sempre um Sol, ela sempre uma Lua.”

                                      Livro da Lei

Ajna                     Mercúrio e Plutão                    Terceiro Olho e Cérebro

Visuddha             Júpiter e Saturno                     Língua e Garganta

Anahata               Lua                                         Coração

Manipura             Sol                                          Plexo Solar

Svadhistana          Vênus e Urano                        Ânus e esfíncter

Muladhara            Marte e Netuno                       Kanda e órgãos sexuais

         Acompanhando a atribuição acima está a associação esotérica glandular. O primeiro planeta é Solar, o segundo, Lunar. Então encontramos Mercúrio dominado pelo Sol e controlando a fala, pensamento e genialidade, enquanto Plutão é dominado pela Lua e controla a escuridão, silêncio e máscaras. Desta maneira se vêem os outros planetas.

         Além disto, podemos querer os planetas avaliados nos ciclos Lunar e Sazonal, e portanto criamos uma ligação entre os Kalas, Chakras e Planetas. Plutão é misterioso como a Lua Nova, Marte é quente como o Verão, Vênus, a ‘estrela’ do novo amor é como o Outono, Júpiter é como o Inverno, Netuno é como a Lua Crescente, Urano como a Lua Cheia, Saturno como a Lua Minguante e por aí vai. Além da informação esotérica dada acima podemos também examinar os três sub-chakras no organismo masculino e feminino, sendo estes relacionados à fórmula IAO, após algum estudo e meditação em seu uso. Eles emanam do Muladahara chakra, têm localidades e cores atribuídas.

Macho

1. Lótus Anal                          Carmim; Marrom com reflexos dourados

2. Lótus da Próstata               Branco, Diamante.

3. Glande                       Púrpura, lilás e vermelho.

Fêmea

1. Lótus Anal                          Carmim; marrom c/ reflexos dourados

2. Entre a Uretra e o cérvix uterino              Laranja

3. Clitóris                                Verde

         Novamente, chegamos a um sistema de atribuição alternativo, sendo possível polarizar as Sephiroth nos chakras. Por exemplo, Binah e Chokmah podem trabalhar juntos no Ajna chakra, contudo, é igualmente possível criar uma correlação dos setes maiores e dos três sub-chakras com Malkuth, Yesod e Hod como os sub-chakras sexuais que se estendem do Muladhara  até Netzach, Tiphereth como o genital, Geburah como o plexo solar, Chesed como o Coração, Chokmah como a garganta, Binah como Ajna e Kether como o Sahasrara. Todas estas correspondências provêm algumas possibilidades interessantes, oferecendo uma avenida pronta para ser explorada pelo mago empreendedor.

Tabelas de Kalas

         Nas páginas seguintes estão as tabelas de Kalas, delineando os quinze kalas básicos e o décimo sexto como sua síntese. A natureza destes pode ser conhecida de maneira mais avançada notando-se que são 16 + 16 e portanto formam uma completa Árvore da Vida e têm correspondências cabalísticas. As associações tradicionais em textos tântricos hindus antigos incluem nome, o chakra que governa aquele kala, divisão tripla e Nuitya ou designação hindu.

OS KALAS

Nome                   Chakra               Astrologia           Nuitya

Máscara               Ajna                     Plutão                  Nilapataka 

Ocultador             Visuddha             Saturno                Vijaya

Frio                      Anahata               Lua                      Nuitya                          

Controlador          Svadhisthana        Urano                   Sarvamanga

Sedutora               Muladhara           Netuno                 Jvalamalini

Limpo                  Ajna                     Ar                        Bherunda

Molhado              Visuddha             Terra                    Nityaklinna

Misturado                   —                  Éter                      Citra

Vagina                 Svadhisthana        Água                    Vhagamalini

Voluptuoso          Muladhara           Fogo                    Kameshvari

Agitador               Ajna                     Mercúrio              Tvarita

Dador                   Visuddha             Júpiter                  Sivaduti

Brilho                            Manipura             Sol                       Kulasundari

Amante                Svadhisthana        Vênus                  Vajreshvari

Chama                 Muladhara           Marte                   Vahivasini

Tamas rege de Nilapakata a Nityaklinna

Sattvas rege de Citra a Sivaduti

Rajas rege de Kulasundari a Vahivasini

KALAS E OS ELEMENTOS DE TAROT

Nome                            Tarot                            Astrologia / Qabbalah

Máscara                         Nil                                          Kether / Chokmah

Ocultador                      Diabo/Estrela/                Capricórnio/Aquário

Universo   

Frio                               Sacerdotisa/Carro                    Câncer

Controlador                   Nil                                          Binah / Chesed

Sedutora                        Nil                                          Geburah / Tipheret

Limpo                           Louco                                               Nil

Molhado                        Nil                                          Yesod / Malkuth

Misturado                      Nil                                          Netzach / Hod

Vagina                           Enforcado                               Nil

Voluptuoso                    Aeon                                       Nil

Agitador                        Magus/Amantes/Ermitão         Gêmeos / Virgem

Dador                            Roda/Arte/Lua                        Sagitário / Peixes

Brilho                                     Sol / Luxúria/Emperatriz/                  Leão

                                               Hierofante

Amante                         Ajuste                                     Touro / Libra                          

Chama                           Torre/Morte/Emperatriz           Escorpião / Áries

Novamente, estas atribuições são feitas a partir dos planetas e seu governo astrológico, a partir destes um sistema de Tarot e Qabbalah pode ser desenvolvido. As modificações são deixadas para seu engenho pessoal.

Os Kalas e o Tarot

         Entendemos os kalas formando-se a partir do esotérico e microcósmico fluxo e refluxo do universo, mas nos diversos estudos dos Kalas nunca foi esquematizada uma possível relação entre os Kalas e o Tarot. Antes, fizemos um estudo da interpretação tântrica dos caminhos como secreções, agora, na tabela da página anterior você pode ver a correlação entre os Kalas, Caminhos e o Tarot.

         Esta é uma lista experimental e está baseada nas atribuições planetárias tradicionais para os Kalas e seu governo astrológico, não foi oferecida aqui como uma solução final mas como uma possível correlação para os Kalas e a Árvore que se encaixa na informação disponível. A informação a respeito das atribuições é especificamente baseada nos dados astrológicos encontrados no grimório conhecido como Grimório Vinte e Sete.

         As primeiras coisas que podemos fazer com este sistema de atribuição é entender a natureza do sistema. Embora haja 32 potenciais dentro do sistema (os Kalas de ambos os sexos), suas naturezas também estão refletidas em cada organismo, sendo que cada série de 16 contém a chave para a informação de 32. Esquematiza-se isto da seguinte maneira.

         As cinco atribuições acima são Plutão, Netuno, Urano, Terra e Éter são as chaves para os arcanos e para as sefiras, cada uma regendo duas seções, isto é, Plutão rege Kether e Chokmah, Netuno rege Binah e Chesed, Urano, Geburah e Tipheret, Éter, Netzach e Hod, e Terra, Yesod e Malkuth. Cada uma cobre as possibilidades destas Sephiroth e arcanos menores nos quatro mundos (Paus, Espada, Ouros e Copas). Estas foram colocadas em conjunto com outras atribuições como códigos para manter estas revelações longe dos destreinados. Os naipes são atribuídos como Reis-Plutão, Rainhas-Netuno, Valetes-Urano e Terra-Cavaleiros (ou Princesas). O Éter não é atribuído a naipes.

         Utilizando-se de tal sistema de atribuição temos 10 kalas sobrando, sendo estes atribuídos como acima, os Kalas elementais governam as atribuições elementais : Ar-Louco, Água-Enforcado, Fogo-Aeon, os sete restantes provêm a chave para atribuirmos o resto do Tarot. Os sete planetas são atribuídos aos arcanos restantes, bem como a regência astrológica às 12 chaves do Tarot. Portanto, o sistema de atribuição é este esquematizado. A regência pode ser decifrada por um conhecimento elementar dos planetas e dos signos do  zodíaco que eles regem, disponíveis em qualquer texto básico de astrologia.

Ciclos dos Kalas

         Ao trazer estas atribuições em perspectiva, vamos examinar as ligações entre os Kalas e o Universo, nossos corpos e os Sistemas Estelares.

         Se aceitamos que Sirius é o nosso sol secreto, então devemos basear nosso entendimento no padrão de Sirius de sessenta batidas por minuto. Isto também pode ser aplicado nos ciclos respiratórios de acordo com a compreensão de que uma respiração completa deve levar quatro segundos (inalação e exalação). Num período de vinte minutos deveria haver 360 respirações, em vinte e quatro horas, 21.600 respirações. Se ligarmos isto com os 360 graus do zodíaco, encontramos 1.800 respirações para cada constelação e sessenta para cada grau para cada minuto. Resulta disto que quinze respirações, que se relacionam com os quinze kalas ou ciclos iguais a um grau do zodíaco. Encontramos então uma relação direta entre o homem e o Universo.

Conclusão

         A Magia Sexual restaura no humano o ritmo da natureza e o movimento do universo, restaura seu corpo e sua mente para seus lugares corretos como veículos da manifestação do Eu e transmissores de Ojas de dimensões externas e internas. A Magia Sexual traz para o Mago a realização que ele ou ela é a ligação entre os Universos objetivo e subjetivo e que o Humano Superior não apenas forma um novo estágio na evolução humana, mas uma compreensão totalmente nova da vida. Este despertar era conhecido pelos antigos como “A Visão do Deus Pan”…

O Circuito Psico-Sexual

Introdução

         O organismo humano é uma árvore da vida e do conhecimento, é um mecanismo que funciona de acordo com a antiga fisiologia da Feitiçaria Sexual. Muitas descobertas modernas da sexologia atual são realmente apenas redescobertas do antigo arcano sexual dos mistérios que foram ensinados simbolicamente por tempos imemoriais.
         O Circuito Psico-Sexual é a estrutura do organismo como entendido pelos magos sexuais, é uma compreensão que vai além do conhecimento da ciência moderna e engloba visões tanto físicas quanto parafísicas dos Mistérios.
         A fisiologia que é delineada neste capítulo deve ser estudada com diligência, pois forma a base pela qual a magia sexual opera. Assuntos como as Kalas e o Amrita podem apenas ser entendidos se este circuito psico-sexual é adequadamente compreendido de antemão.

         “O adepto deve identificar-se com seu corpo e transformá-lo, pois o corpo é a ligação entre o cósmico e o terrestre. Como a extensão material da expressão psíquica, o corpo brilha, irradia e anima-se na alegria de ser ele mesmo.”  Sir John Woodroffe

O Circuito Psico-Sexual Humano

         A configuração psico-sexual humana é um Tarot vivo. Embora, no passado, este termo tenha sido usado exclusivamente a respeito das
Chaves dos Mistérios (as cartas do Tarot), tem um significado mais avançado na forma de um circuito de eesência. O termo Tarot pode, pela Temurah, ser entendido como Lei (Torah), Roda (Rotah) e Essência (Taro). Estas definições quando conjuntas sugerem que o Tarot é a Roda da Essência. Este conceito de um ciclo de manifestação pode ser aplicado tanto num sentido ideológico, como nos 22 Arcanos Maiores do Tarot, e num sentido psicológico, para o Tarot vivo dentro do corpo humano.
         O corpo humano é um sistema intrincado de forças interconectadas, é coberto por milhões de meridianos e linhas de energia, que se interligam para formar tanto os Marmas quanto os Chakras. Estes são ligações vitais com o fluxo de energia sexual dentro do organismo e oferecem as chaves de como opera a Magia Sexual.

O Marma Ajna Psico-Sexual

         Este é o primeiro Marma e está localizado no Ajna Chakra, entre as sombrancelhas. A atribuição cabalística para este Marma é a letra Ayin ou setenta. Sua atividade é a do Olho de Shiva, quando o olho se abre o mundo de aparências e ilusões desvanece e a realidade é experimentada, algumas vezes em sua brutal totalidade. Esta experiência pode ser de extrema intensidade e é apenas para os que estão preparados (veja ‘A História do Grande Deus Pan’ de Arthur Machen como exemplo). Está relacionado astrologicamente com o signo de Capricórnio por simbolizar a experiência de Pan, a visão da integridade e unicidade de todas as coisas.

O Marma Psico-Sexual Qoph

         O segundo Marma está localizado na nuca, sendo o trono cerebral da atividade sexual dentro da espécie humana e é atribuído à letra hebraica Qoph, de número cem. Esta enumeração pode ser entendida como a união do P (Phalus, falo em grego), 80, com o K (Ktéis, vagina em grego), 20. Qoph é atribuída à esfera lunar e este centro está envolvido com as secreções que estimulam o impulso e o desenvolvimento sexuais.

O Marma Psico-Sexual Visuddha

         O terceiro Marma está oposto ao Qoph e está localizado no Chakra Visuddha, o centro laríngeo. Sua atividade em magia sexual é emanar a palavra (Logos) que é criada pela interação dos centros Ajna e Qoph. Esta união de Vontade e Vibração cria o Logos que é manifesto em Daath, ou seja, a garganta. Esta atribuição difere da Qabbalah moderna mas é imperativa para um entendimento do circuito psico-sexual.  
         Esta interação entre os Marmas Ajna e Qoph no Visuddha é central para uma compreensão da fixação da força sexual. A Gematria de Ayin e Qoph prova ser informativa : Ayin + Qoph = 170
         170 é o número dos gigantes ou Nephilim. Os seres que são criados pela Vontade sozinha e que podem ser comparados aos Titãs da mitologia grega. Eles são seres de puro Logos; formulações da Vontade que são criadas pelo Eu (Self) em Ayin através das forças sexuais de Qoph e manifestas no Visuddha.

         “…e a palavra transformou-se em carne.”  Evangelho de João, capítulo um.

Os Marmas Psico-Sexuais das Palmas

         Estes marmas encontram-se nas palmas das mãos, mas são tratados como um só marma no circuito geral. Eles estão atribuídos à letra Kaph e cada palma tem o número 20. As palmas são usadas para focalizar p fluxo de energia com o circuito. A esquerda é negativa e a direita é positiva, embora isso possa variar de mago para mago.
         Juntas, as duas palmas dão o número 40, que por Gematria significa o Libertador e Leite, ambas referências aplicam-se para o uso das mãos para liberar fluidos sexuais durante rituais tântricos. Outras referências relacionadas incluem a Mão do Eterno e Mem, que pode ser definida tanto como sangue, fluidos (sexuais) ou vinho, todos novamente enfatizando o papel das mãos como libertadoras de secreções.

O Marma Psico-Sexual Genital

         O quinto marma psico-sexual é os próprios órgãos sexuais, atribuídos a Ayin, de número setenta. Os órgãos são o segundo Olho e representam o esconderijo secreto da serpente (Kundalini).
         Este número setenta pode também ser aplicado para LIL (noite) e SVD (segredo), ambos relacionados com esta zona psico-sexual como originadora dos Kalas, as secreções noturnas que sempre fluem ou Ain (Kali / Nuit). Setenta também é o número de CHBS ou Estrela, isto está implícito na mensagem “o Khabs está no Khu e não o Khu no Khabs” do Livro da Lei. Esta mensagem codificada refere-se ao fato de que a essência das estrelas não é encontrada na eternidade do espaço, mas nas secreções sexuais da Estrela encarnada como entidade. 
         Uma implicação mais avançada a respeito deste Marma é encontrada na palavra INN, que significa vinho, representando o sacramento deste marma psico-sexual, que conhecemos como Amrita.

O Marma Psico-Sexual do Olho Secreto

         O Olho Secreto é o Olho de Set e portanto, é o reverso dos órgãos sexuais. Também atribuí-se a Ayin (70), entretanto, sua aplicação é na região anal e sua associação com a Kundalini.
         Aqui, temos o ânus do bode como é visto no Sabbat das Bruxas e o mistério de SVD, que é o olho do bode como visto na imagem de Baphomet encontrada nos ritos dos Cavaleiros Tamplários.

O Marma Psico-Sexual de Bindu

         Este marma é o fogo interno, atribuído à letra Yod (10). Representa o Ponto Bindu, o ponto onde os dois sistemas sexuais conectados unem-se para formar uma simbiose. Pela Gematria, encontramos que dez está relacionado a Elevado, Planar e Janela. Todas estas imagens podem se relacionar ao uso do calor sexual para ir além do organismo em direção às visões do espaço interno.

O Circuito

         Quando examinamos os sete marmas acima, chegamos a um ciclo de força psico-sexual, sendo este ciclo composto de oito segmentos ou zonas. Se considerarmos as duas palmas como zonas separadas, quando juntas com os outros centros formula-se um ciclo completo de 360 graus. Este círculo é o ciclo interno de Aeons, sete embora oito, o oitavo sendo o final do ciclo no Ponto Bindu de realização, este ciclo forma o ABRASAX interno, o senhor gnóstico de 360 graus. A Vontade como criada e fortalecida pelo ciclo interno de Aeons e secreções.

         O sistema numérico deste ciclo é :

AYIN (70) + QOPH (100) + KAPH / KAPH (20 e 20) + AYIN : órgãos sexuais (70) + AYIN : ânus (70) + PONTO BINDU : YOD (10) = 360 graus

         Os cinco graus restantes (para formar um ano) são os graus esotéricos do Círculo, os cinco dígitos da Deusa. Eles são atribuídos a vários Deuses e Deusas e têm um uso específico tanto na ciência macrocósmica de registro do tempo como na ciência microcósmica do corpo e suas correntes, que é conhecida no oriente como Kalavidya, Este ciclo não é apenas encontrado na seqüência sexual de marmas aqui descrita mas também dentro dos chakras gerais como encontrado na Kundalini Yôga tradicional. Ambos sistemas, bem como as atribuições físicas da Árvore da Vida, interagem como círculos numa grade cósmica, cada um forma um ciclo de manifestação e está envolvido na Árvore da Vida animada que o corpo humano forma. Ao invés de a Qabbalah ser uma realidade separada de Sephiroth e Caminhos, é um corpo vivo, um sistema de experiência e possibilidade internas. 

         No sistema tradicional de chakras o ciclo é composto de raios dentro de cada chakra, estes raios representando as emanações dos pés da Deusa Primal após ela ter se elevado ao Shasrara Chakra. Portanto, as emanações deste chakra são vistas como as da própria Deusa, ou em termos mais adequados, do Eu e assim não são contadas no cálculo dos raios.

Ajna Chakra                   Região Pituitária            64 raios

Visuddha Chakra            Região Tiroidal              72 raios

Anahata Chakra             Região Cardíaca            54 raios

Manipura Chakra           Plexo Solar                    56 raios

Swadisthana Chakra       Região Genital               62 raios

Muladahara Chakra        Região Coccígea/Anal    56 raios

                                       Ciclo Completo               360 raios

         Dentro destes 360 graus existem outras divisões conhecidas como : Estelar, Solar e Lunar. Estas relacionam-se aos três segmentos do ritual tântrico e aos três segmentos da coluna dorsal : Ida, Susumna e Pingala. 118 graus são atribuídos ao Fogo (Estelar), 106 são atribuídos às influências Solares e 136 à Lunar, os cinco restantes são portanto, mais uma vez, os dígitos secretos da Deusa Kali (Ain).
         Como será prontamente notado, as imagens ou formas de deuses usadas variam de acordo com a tradição, Kali, Set e Nuit podem ser todos atribuídos a Ain e usados de acordo com trabalhos e desejo ou inclinação.
         Como pode ser visto acima, um sistema de atribuição pode ser formulado baseado nestes graus. Estes podem ser interpretados de diversas maneiras : os oito segmentos ou marmas, até mesmo os oito chakras, mais o Sahasrara chakra, trabalhando como um todo. Podemos até mesmo relacionar com os oito trigramas do I Ching e quando multiplicados por si em 64 possibilidades do Tao. Isto pode criar um ciclo completo por relacionar-se com a dupla Árvore da Vida (32 x 2).
         Pode também ser entendido que em qualquer organismo há dezesseis aspectos sexuais, físicos e etéricos. Portanto, em qualquer ato de união sexual há trinta e dois segmentos vivos, uma dupla Árvore da Vida sexual. Quando estes Marmas são relacionados aos 16 Kalas ou secreções isso pode ser ainda melhor entendido. O ciclo formado pelos hexagramas do I Ching é interessante, pois a alquimia sexual chinesa é uma das mais intactas tradições sobreviventes do Tantra.

Ajna Chakra                            Hexagrama Li                Sol e Sol

Centro Qoph                  Hexagrama Khan           Lua e Lua

Visuddha Chakra           Trigrama Sun                 Ar e Ar

Palmas                          Li e Khan                      Reflete Ajna/Qoph

Órgãos Sexuais              Quian / Kun                   Falo / Vagina

                                      Hexagrama Tui              Água de Água

Ânus                             Hexagrama Gen             Terra de Terra

Ponto Bindu                   Hexagrama Zhen            Fogo de Fogo

         Em consideração às diversas maneiras de intitular os Hexagramas, a lista seguinte guiará o estudante que procura explorar mais profundamente. A pronúncia em parênteses é uma alternativa de pronúncia por causa dos dialetos chineses.

Li                         Hexagrama 30                         Tiphareth

Kan (Khan)          Hexagrama 29                         Yesod

Sun                       Hex. 57                                   Daath

Quian (Qian)        Hex. 1                                     Kether

Kun (Khwn)         Hex. 2                                     Malkuth

Tui (Dui)              Hex. 58                                   Chesed

Gen (Ken)            Hex. 52                                   Netzach

Zhen (Ch’en)        Hex. 51                                   Geburah

Tabela de Marmas Psico-Sexuais

1. Ajna chakra (Vontade)                            Ayin                     70

         Olho de Shiva

2. Nuca                                             Qoph                    100

         Origem da Força Sexual         

3. Visuddha chakra                           Ayin/Qoph           170

         Logos Manifesto

         A união de Ayin e qoph criam a energia de 170 no Visuddha, este é o poder para criar os ‘Nephilim’ ou Gigantes Rebentos da Vontade, formações do Eu puro ativado por meios sexuais e manifesto através do poder da ‘palavra’ mágika (Logos).

4. Palmas das Mãos                          Kaph                    20 cada

         Ativadores das Zonas Sexuais

5. Órgãos Sexuais                             Ayin                     70

6. Região Anal                                  Ayin                     70

         O Olho Secreto

         Ambas zonas são atribuídas a Ayin e relacionam-se ao uso mágiko dos órgãos sexuais, frontais e dorsais à Kundalini.

7. Ponto Bindu                                 Yod                      10

         O Ponto de Foco

         Aqueles interessado em exploração mais detalhada do ciclo psico-sexual podem querer estudar as correspondências na página 40. Elas estão baseadas numa tabulação de Crowley e oferecem algumas introspecções (insights) interessantes sobre o ciclo sexual e sua relação às Sephiroth.
         A partir destes ciclos, vamos perceber que a Árvore da Vida é um ciclo vivente de essência e, portanto, os Caminhos ou pontos conectores também devem representar fluxos de energia ou secreções dentro do organismo. O estudo seguinte dos pontos conectores como secreções do organismo vivo deve se lido em conjunto com as descrições dos Caminhos como letras hebraicas e arcanos do Tarot, encontrados em sistemas da Qabbalah tradicional e outros sistemas de atribuição. 

OS CAMINHOS CONECTORES NA ÁRVORE DA VIDA COMO SECREÇÕES

         O padrão de Tarot formado pela Árvore da Vida humana é uma parte intrincada da Qabbalah esotérica do Novo Aeon. Entre as Sephiroth vivas do corpo estão vários caminhos conectores ou emanações que transmitem as secreções dos reinos trans-Kether de Ain para o organismo.
         Estas emanações realizam a transformação gradual do corpo e da mente e podem ser entendidas duma maneira peculiarmente tântrica com as atribuições mais tradicionais sendo comparadas e manipuladas de acordo com o engenho do próprio mago.
         A décima primeira secreção é aquela do Espírito Santo. O Santo intoxicado é simbolizado pela respiração cósmica e pela águia de duas cabeças. É associado com o trigésimo terceiro grau da maçonaria e tem uma conexão elemental com Akasha. O Ovo Negro ou chama desta secreção pode também se relacionar a Sebek, o senhor crocodilo e a manifestação de Set.
         A décima segunda secreção é aquela do Mestre de Maya e é governada por Hermes ou Mercúrio. Ele é o senhor do Falo e entende o segredo dos pólos opostos, a Pomba e a Serpente e da Casa de Deus (Beth). Seus poderes dualistas são a magia polarizada e apolar e ele controla todas as formas de transmissão de energia.
         A décima terceira secreção é aquela da Alta Sacerdotisa Lunar, a Deusa tripla em seu estado virginal ou adormecido, a Ísis dormente, Artemís e Donzela. Ela é a essência e transmite os Kalas de Plutão através das areias de Urano.
         A décima quarta secreção é a Grande Mãe, a porta pela qual a manifestação é alcançada, ela é a governante da magia polarizada e é representada na Alquimia Sexual pelo elemento do Sal. Seu domínio planetário é Vênus, que é finalmente transcendido em Sirius, portanto, ela é Daleth, a ligação entre os mundos.
         A décima quinta secreção é altamente importante no Novo Aeon devido à injunção do Livro da Lei de transferir os títulos do Imperador e da Estrela. Esta secreção é agora a Estrela de Aquário, as secreções fluidas da Deusa que transforma o humano (Tiphareth) em Besta (Chokmah). A estrela representa a fórmula do Khabs no Khu, onde a essência do espaço infinito é encontrada dentro das secreções do organismo.
         A décima sexta secreção é aquela do Alto Sacerdote dentro do culto do Humano Superior, tipificado por Touro. Nos velhos cultos a besta era exterminada como sacrifício, hoje, o uso do instinto animal alcança seu estágio mais alto de consciência.
         O Touro traz a força da Besta 666 para a manifestação como o divino rei de Júpiter. O número dezesseis também significa a secreção ou Kala secreto, que é o acúmulo dos quinze Kalas anteriores, que vieram ao seu clímax dentro da Estrela (Kala quinze) e manifestaram-se no vórtice do décimo sexto Kala, o Humano Superior.
         A décima sétima secreção complementa e balanceia a da estrela da décima quinta e é usada pelo Humano Superior da décima sexta. A décima sétima secreção é a dos gêmeos, governantes duais de Zain, Hórus e Set. Portanto, nesta combinação de secreções nós começamos a ver a estrutura do sistema do Novo Aeon.
         A décima terceira, décima quarta e décima quinta secreções são a Deusa Tripla que é Virgem, Prostituta e Mãe Sagradas. A décima sexta secreção é o Humano Superior, Taurus, o Touro da Deusa, cuja forma externa é Hórus e cuja Vontade Verdadeira é Set e isso é novamente reafirmado nos Gêmeos da décima sétima secreção.  
         Quando olhamos profundamente nos Mistérios destas secreções, vemos que Osíris era simplesmente uma forma mais antiga de Hórus. Portanto, Hórus era tanto o consorte quanto a criança de Ísis. Enquanto Set é Vontade Verdadeira de ambos, cuja mensagem não será plenamente compreendida até que a mensagem de Maat seja anunciada em conjunto.
         Portanto, os gêmeos não são apenas Hórus e Set, mas Set e Maat.

“Pois duas coisas são feitas e uma terceira é começada. Ísis e Osíris estão dados a incesto e adultério. Hórus salta do seio de sua mãe com três braços. Harpócrates, seu gêmeo, está oculto dentro dele. SET é seu pacto sagrado, que deve mostrar-se no grande dia de M.A.A.T. (cujo nome é verdade).”   Liber A’Ash vel Capricorni Pneumatici, de Aleister Crowley

         A décima oitava secreção é o impulso criativo e sexual do Mestre, balanceia o Humano Superior da décima sexta, representando a força de Câncer ou Cheth. Câncer é o caranguejo e é usado para simbolizar o caminho tântrico de Viparita Karani, indo para trás ou de lado (reversão dos sentidos) para atingir uma finalidade mágika.
         A décima nona secreção é a Luxúria do Leão, que representa a semente da serpente que ativa a porta de Daleth da Sacerdotisa. É atribuída a Teth, a serpente fálica.
         A combinação de Daleth e da Semente da Serpente forma o Espermatozoon ou Elixir Sexual : O Ermitão de Virgem.
         A vigésima secreção é o Espermatozoon ou Eu Sexual do Ermitão, ele é o Rebento da Vontade; o Eu Verdadeiro que é formado pela união das formas opostas da psique e do corpo, Babalon e a Besta.
         A vigésima primeira secreção é o Senhor do Karma, o Ermitão que foi formado pela Besta e por Babalon e está trabalhando na iniciação do Humano Superior. Ele aprende a superar a onda de recorrência eterna presente na roda eterna.
         A vigésima segunda secreção é a de Libra, ajuste através da evolução do Eu além da recorrência eterna, via Magia Sexual. O Mago alinha a realidade com a iniciação pela qual ele está passando, sendo que esta ação detona a experiência do arcano do Enforcado.  
         A vigésima terceira secreção é a iniciação das Secreções Sexuais. O Mago cai no inconsciente através dos processos da Magia Sexual e começa a retificar o que está contido dentro de seus limites. Um dos métodos para se atingir isto está na próxima secreção.
         A décima quarta secreção é Escorpião. Representa o orgasmo como uma “pequena morte”. Sua lição é o uso do orgasmo para programar a psique e a invocação do excesso sexual para experienciar os limites da mente e do corpo.
         A décima quinta secreção representa o uso da paixão animal para atingir um estado de Androginia. Esta imagem é representada como o Sagitário ou Baphomet e conforme a paixão aumenta, transforma o mago em experiências das Secreções do Bode. 
         A vigésima sexta secreção é a de Capricórnio, o Bode. Representa o uso de forte paixão animal para quebrar a ilusão (tipificada pela imagem do diabo) e transformá-la em Vontade pura. O produto disto é a manifestação do poder da projeção sexual como visto na próxima secreção.
         A vigésima sétima secreção é a do uso do Falo como ferramenta de projeção. É atribuído a Marte, mas não num aspecto negativo, representa o jato de sêmen, criando estrelas e imagens através da programação do orgasmo. Também representa a ativação da Kundalini e sua ascensão pela torre ou coluna vertebral, detonadas pelas práticas Delta.
         A vigésima oitava secreção é atribuída ao Imperador e a Áries. Tem diversas aplicações, uma das quais é o uso da tintura Vermelha, isto é, as secreções menstruais de uma Maga. Pode também se relacionar ao uso de paixão excessiva ou luxúria extrema para superar barreiras e limites e atingir o frenesi orgásmico da Torre.
         A vigésima nona secreção é a da Lua. Está sob o governo de Qoph e portanto nossa discussão prévia de Qoph deve ser considerada. É uma passagem especial conectada ao instinto e, às vezes, até mesmo à transformação licantrópica.
         A trigésima secreção é a do Sol, sendo o poder da aspiração e dos ideais que influenciam o fluxo da energia sexual. Deve ser entendida em conjunto com a informação já discutida a respeito do Ajna chakra. O produto da qual é visto no Logos ou palavra da trigésima primeira chave.
         A trigésima primeira secreção é o Aeon, o arauto da Nova corrente. A mensagem do fluxo interno de Aeon-Kalas trabalhando em conjunto com a eternidade da progressão temporal. Seu número é 31 e reflete a mensagem do Livro da Lei (LIber AL ou 31), enquanto que seu reverso é treze, a Sacerdotisa da Estrela de Prata.
         A trigésima segunda secreção é a da Manifestação. Tau em extensão, seu número é 440, secreções movendo-se para a plena materialização. É tanto o primeiro passo nos Mistérios ou a manifestação do Humano Superior na Terra. Tau é o sigilo do Deus Set e o ciclo está completado.

Notas sobre os Caminhos como Secreções

         As secreções da Árvore da Vida biológica reúnem os vários métodos de interpretação a respeito dos Caminhos. Quando unidos, eles criam um fluxo em forma de Mandala. 
         Há várias fontes para informação avançada : os vários livros de Kenneth Grant, tais como “Cults of the Shadows”, Cultos das Sombras, (Muller, 1975), entretanto, cegueiras deliberadas em muitas de suas interpretações são infelizes.
         Para ajudar na organização destes conceitos em um sistema coerente, a seguinte tabela dos Caminhos das Secreções é feita para a exploração.

SUMÁRIOS DOS CAMINHOS COMO SECREÇÕES

11. Espírito Santo                             Santo Intoxicado

12. Chaos                                         Pomba e Serpente

13. Alta Sacerdotisa                         Deusa Dormente

14. Babalon                                      Deusa Sexual

15. Estrela                                        Mãe do Espaço

16. Homus superioris                        Kala Secreto, Alto Sacerdote

17. Gêmeos                                      Set e Maat

18. Impulso Criativo                         Princípio da Reversão

19. Semente da Serpente                Impregnação de Babalon

20. Espermatozoon                          Ermitão como Criança Cósmica

21. Senhor do Karma                       Controle da Realidade

22. Fuga                                           Livrando-se do ciclo terrestre

23. Iniciação                                     Explorando o Inconsciente

24. Orgasmo                                    Thanatos absorvido em Eros

25. Baphomet                                   Androginia

26. Capricórnio                                Exploração

27. Projeção Fálica                          Paixão animal destrói a Ilusão

28. Tintura Vermelha                        Excesso de paixão

29. Lua                                             Originador sexual

30. Sol                                              Ajna chakra

31. Aeon                                           Mensagem como Logos

32. Sigilo de Set                                Manifestação ou começo.

Combinações Especiais Válidas de Atenção

         13, 14 e 15 : Tripla Deusa que é estimulada por

         16, Alto Sacerdote : Quem ativa a décima sexta e 

         17, os Gêmeos manifestos na dualidade de Set e Maat, impulso criativo interno e externo (18, 19).

         14, Babalon, que dá nascimento ao Rebento do Eu,

         20, o Ermitão : as iniciações de quem compreende os caminhos

         21 a 26, resultando na união de Ajna e Qoph (29, 30)

         31, a declaração do Novo Aeon e

         32, a Manifestação do Novo Aeon.

O Simbolismo da Mandala

         Um dos mais antigos métodos de simbolizar o ciclo dos Kalas é encontrado na Mandala, esta jóia visual, que embora desenhada em duas dimensões é na verdade de caráter tridimensional. Embora nem sempre desenhada, magos avançados podem formá-la mentalmente. Mandalas tendem a ser circulares em forma, focalizadas num ponto central. Normalmente são povoadas por imagens de Deuses, Deusas e Espíritos dos mais diversos e são símbolos do circuito psico-sexual.
         A mandalas mais antigas são encontradas nas escolas tântricas e delineiam os ensinamentos sexuais com simplicidade. Um exemplo clássico é encontrado no Shri-Yantra. O Shri-Yantra é baseado num triângulo invertido, no centro do qual há um ponto representando o Sêmen. O triângulo em si é a vulva. Está contido em um triângulo de apontado para cima, que representa o Falo. Novamente este é cercado por um triângulo apontado para baixo, que é cercado por um triângulo apontado para cima, até completarem-se nove triângulos no desenho, normalmente, sugerindo a interação da vulva e do falo no coito. A borda externa é coberta por imagens de lótus e outras flores para criar uma proteção em torno da atividade ali contida.
         A mandala das artes exemplificadas pelas figuras do Bon tibetano é normalmente criada de várias zonas. São ocupadas por Senhores do Submundo, esqueletos, demônios, cenas tétricas e amostras de cópula. Há muito em comum com as mandalas da adoração de Kali, que usam a representação do sexo e da morte para alcançar a catarse de Eros e Thanatos. 
         A importância da mandala é ofato de que é uma máquina oculta, um aparato vivo que pode ser usado para trabalhar as várias facetas do circuito psico-sexual de essência. As formas da mandala podem variar de trabalho para trabalho…em trabalhos mais obscuros, as mandalas do Tibet e do culto de Kali podem ser usadas, enquanto trabalhos com os Antigos (estilo do Necronomicon) podem apresentar melhores resultados com Mandalas Trapezóides das tradições necromânticas germânicas.
         As mandalas são representações vivas do processo da magia, elas são bem sucedidas por sua mensagem afundar rapidamente no inconsciente, perdendo a maior parte do mediador consciente e alcançando seu objetivo sem impedimento. No ocidente, as mandalas sobrevivem na forma do círculo sagrado, do disco, do anel e até mesmo no Ouroborus Cósmico, que está sempre balançando sua própria cauda (Falo).
         Na prática, a mandala é de significância por trazer juntas as várias facetas de um dado ciclo e transmiti-las profundamente ao inconsciente. Ao contemplar um trabalho, crie uma mandala, antiga ou moderna, para sintetizar os trabalhos e então, usando técnicas meditativas, programe o inconsciente antes do trabalho, otimizando a qualidade e o poder do ritual.

Conclusão

         Para concluir este capítulo, deixaremos você com um poema de um mestre do tantra moderno, Dadaji, de suas séries póstumas :

“Na alquimia da yôga iluminadora, a servidão se rompe mas a alma sobrevive ao fogo.
         Neste caminho nós exterminamos obstruções e vemos o vazio do desejo mundano.       
         Este é o caminho que você fez, não há volta, remorso ou lágrimas, mesmo se pesadas como a chuva, não mais têm significado agora e você deve encarar a semente plantada, renascida mais uma vez.
         Em beatitude e alegria de profunda ‘possessão de si mesmo’ (samadhi), ainda que nada procure, é apenas serenidade.
Então virá a realização suprema, que você é uma alma e que sempre esteve livre.”